O laptop não morreu, está a renascer das cinzas

Negócios

Apesar de muitos críticos afirmarem que os dias do laptop já terminaram e que ele está a ser substituído pelo tablet, tal é um exagero. Na verdade, o laptop passou por uma fase de rejuvenescimento e devemos estar preparados para o seu regresso em força, à medida que o negócio começa a mudar de uma

Opnião Jens Peter Seick-02Apesar de muitos críticos afirmarem que os dias do laptop já terminaram e que ele está a ser substituído pelo tablet, tal é um exagero. Na verdade, o laptop passou por uma fase de rejuvenescimento e devemos estar preparados para o seu regresso em força, à medida que o negócio começa a mudar de uma estratégia de três para dois dispositivos.

O laptop morreu? Com toda a euforia em torno da mais recente geração de tablets e smartphones, poderíamos ser levados a pensar que o humilde laptop – ou PC portátil, como muitos lhe chamam – está a seguir o mesmo destino que o mainframe. Quando é que o lançamento de um portátil normal foi notícia na televisão pela última vez? Quantas vezes vemos filas de consumidores ao longo de quarteirões para comprar um novo modelo de laptop no primeiro dia de comercialização?

A resposta curta não é encorajadora, mas no que toca aos negócios o laptop está tudo menos morto – aliás, até o estamos a ver reerguer-se das cinzas, rejuvenescido. Isto aconteceu graças à ascensão do smartphone e do tablet, porque o humilde laptop adoptou agora os melhores atributos destes. Os laptops actuais de nova geração para profissionais de negócios possuem interfaces de utilização muito melhorados, com os ecrãs tácteis a tornarem-se normais, o arranque a processar-se em poucos segundos e o tempo de bateria a ser mais longo do que nunca.

No caso do laptop empresarial, o que não mata fortalece. Tem havido um trabalho conjunto do tablet e do smartphone para matar o laptop: e isso parece estar a resultar no sector de consumo, onde as vendas de laptops desceram a pique. Mas também começamos a ver um esbater das fronteiras entre tablets e smartphones de consumo e os chamados “phablets”, que são ou telefones grandes ou tablets pequenos, consoante o ponto de vista.

No mundo do business-to-business, no qual a Fujitsu se concentra, o laptop está vivo e de boa saúde. As vendas são estáveis. Porquê? Não é porque os tablets tenham falhado em ambientes empresariais, bem longe disso – na verdade, eles criaram um segmento de mercado próprio. Todavia, no que toca a negócios, em que o tempo é dinheiro, é tudo uma questão de ter as ferramentas certas para o trabalho. E é preciso admitir que os tablets possuem algumas fraquezas evidentes que impedem as empresas de os adoptar como dispositivos de trabalho mainstream. Estamos a falar, acima de tudo, de aspectos fundamentais como os tablets estarem à altura de determinadas tarefas, bem como a usabilidade e o acesso nativo a aplicações. Após mais de 20 anos de domínio, muitas empresas investiram muito em ambientes baseados em Windows, e por muito hype que haja no mercado, isto não vai mudar do dia para a noite.

Isto acontece porque as empresas precisam de software configurado para as ajudar a gerir o negócio. A maioria das aplicações profissionais corre nativamente em Windows. Resumindo, isto significa que a experiência de utilização total e a produtividade são superiores em portáteis Windows. Embora os tablets sejam os melhores no que toca ao consumo de conteúdo em movimento, os homens de negócios continuam a sacar do laptop quando precisam de arregaçar as mangas e trabalhar a sério. Comparado com um tablet, um laptop torna as aplicações empresariais mais fáceis de usar, mais rápidas e, claro, tem um ecrã maior: e há muito que se pode fazer quando se olha para um ecrã de 10, ou até de 7 polegadas.

Em cenários de utilização empresarial, há mais factores “soft” que continuarão a inclinar a balança para o lado do laptop e não do tablet. Entre eles contam-se as funcionalidades de segurança e de administração que os tablets actuais não costumam ter – por exemplo, leitores de smartcards, sensor de impressões digitais, e até gestão remota. Além disso, perante o enorme fosso de produtividade entre um tablet e um dispositivo com tampa e um teclado incorporado, a maioria das empresas optará pelo cenário que maximize a produção dos funcionários. Os tablets continuarão a ser usados se servirem para algo… se o tablet servir, convém usá-lo.

Enquanto os utilizadores se esforçam por adequar um dispositivo que está na moda às suas necessidades, o tablet vai evoluir. O que é irónico é que essa evolução o torna parecido com o laptop! Acessórios como os teclados e ratos Bluetooth, além de ligações a ecrãs externos, estão a ajudar a estreitar as margens entre tablets topo de gama e laptops Ultrabook. Ainda assim, se colocarmos um tablet dentro da sua capa de teclado e lado a lado com um Ultrabook, vemos que o laptop já é o mais fino e o mais elegante dos dois.

À medida que se torna mais difícil distinguir um telefone de um tablet, ou um tablet de um laptop, as empresas começam a recuar para uma estratégia de “dois dispositivos”. Não há, pura e simplesmente, razões suficientes para justificar a atribuição de três dispositivos a cada funcionário.

Como tal, esperamos que o laptop tenha um futuro seguro e saudável à sua frente. Pode estar a passar por uma crise de meia-idade, mas esperamos que os novos modelos sejam mais fáceis de usar, mais rápidos e mais finos do que os actuais.

Termino parafraseando Mark Twain: Os relatos sobre a morte do laptop foram exagerados.


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