Ciência brasileira adentra a fase adulta

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“A ciência brasileira está em pleno desenvolvimento e alcançou a primeira das fases de sua maturidade”, afirmou o ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Marco Antonio Raupp, em seu pronunciamento na abertura do Fórum Mundial de Ciência (FMC). O evento, no Rio de Janeiro, teve início na noite de ontem. “Se fizermos uma comparação com um ser

“A ciência brasileira está em pleno desenvolvimento e alcançou a primeira das fases de sua maturidade”, afirmou o ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Marco Antonio Raupp, em seu pronunciamento na abertura do Fórum Mundial de Ciência (FMC). O evento, no Rio de Janeiro, teve início na noite de ontem.

MARCO ANTONIO RAUPP

“Se fizermos uma comparação com um ser humano, vou dizer que estamos no primeiro estágio da fase adulta. Já passamos a adolescência, temos consciência de nossas limitações, mas ainda estamos crescendo, ganhando musculatura e experiência”, comparou.

Na avaliação de Raupp, apesar de recente e de ter começado a sua organização na década de 50, a ciência do Brasil conquistou avanços significativos nos últimos anos, com uma pós-graduação norteada por um eficiente sistema de avaliação contínua, uma produção amparada por um sistema de financiamento sólido e crescente e uma infraestrutura laboratorial que se alastrou por universidades e institutos de pesquisa.

Nos últimos dez anos, informou Raupp, o número de campi nas universidades federais cresceu 100%. O número de doutores formados dobrou e chega a 12 mil por ano. E, acrescentou ele, a expansão do sistema se deve, fundamentalmente, à manutenção dos investimentos do governo federal, já que os dispêndios públicos em atividades de pesquisa e desenvolvimento cresceram três vezes e meia de 2002 a 2011.

Potencial

O titular do MCTI também destacou o potencial das pesquisas brasileiras nas áreas de medicina tropical, exploração de petróleo em águas profundas, na agropecuária e na aeronáutica – inclusive com presença de unidades em outros países e no atendimento a demandas internacionais.

Ele citou o caso da Embraer, que fornece aviões para mais de 80 empresas aéreas das três Américas, Europa, África e Ásia. Destacou também a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), “que, além da ampla atuação no Brasil, conta com laboratórios em 13 países, entre eles Estados Unidos, Inglaterra, França e China, além de países da América Latina e da África”.

Na avaliação do ministro, o desafio hoje é ampliar a participação da ciência brasileira na ciência universal. Em 1985, o Brasil respondia por menos de 0,5% da produção científica global; em 2012, esse índice subiu para 2,7%. “Nosso objetivo, agora, é aumentar o impacto da produção científica brasileira na produção científica global, de modo a fazer com que nossa contribuição seja qualitativamente maior do que é hoje”.

Um dos caminhos para se atingir esse objetivo, ressaltou o titular do MCTI, é aumentar o índice de internacionalização da ciência brasileira. Uma das ações neste sentido é o programa Ciência sem Fronteiras, financiado pelo governo federal, que pretende levar 101 mil estudantes de graduação e pós-graduação para algumas das principais universidades do mundo até 2015.

“Na outra mão de direção, estamos recebendo pesquisadores de vários países para passar uma temporada em nossos laboratórios”, acrescenta. “Entendo que este Ffórum também contribuirá para a internacionalização da ciência brasileira”, comentou Raupp.

Contribuição do Rio

O vice-governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão, destacou a contribuição do estado para o avanço da ciência brasileira. A região, segundo ele, além de abrigar muitas instituições da área científica e tecnológica, possui  cerca de 200 unidades de ensino superior, 14 centros de pesquisa e a maior taxa de PhDs do país, 50 por 100 mil habitantes.

Para Pezão, a escolha da capital fluminense é o reconhecimento do processo de crescimento da ciência brasileira, da sua importância e da qualidade de seus pesquisadores. “O Rio, que é conhecido no mundo inteiro por suas riquezas naturais, pela alegria e receptividade do seu povo, pela riqueza e diversidade de sua cultura, é também um grande centro da cultura, da ciência e da tecnologia”, disse.

De acordo com ele, o Rio também é responsável por 65% dos pedidos de patentes do país e tem apostado na política de atração de grandes centros de pesquisa e desenvolvimento (P&D) mundiais e no investimento em ciência e tecnologia.

O vice-governador também ressaltou o fato de a cidade ter se tornado palco para a realização de eventos internacionais sobre o tema da sustentabilidade nos últimos anos, a exemplo das conferências Rio 92 e da Rio+20. Ele falou da importância de mais um debate, com a realização do Fórum Mundial de Ciência.

“A contribuição da comunidade científica internacional é essencial para a produção de conhecimento que nos permita conjugar a melhor forma de crescimento econômico com inclusão social e preservação ambiental”, afirmou.


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