Information Builders ibérica gere expansão para América Latina

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    Depois do escritório no México, empresa americana entra no Brasil e no Chile A Information Builders, um fabricante norte-americano especializado em business intelligence (BI), adotou uma curiosa, ou pelo menos diferente e incomum, estratégia de abordagem aos mercados da América Latina: confiou à sua filial ibérica a gestão de todas as suas operações

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Depois do escritório no México, empresa americana entra no Brasil e no Chile

A Information Builders, um fabricante norte-americano especializado em business intelligence (BI), adotou uma curiosa, ou pelo menos diferente e incomum, estratégia de abordagem aos mercados da América Latina: confiou à sua filial ibérica a gestão de todas as suas operações naquela geografia. A Information Builders já estava presente no México há oito anos e decidiu agora avançar para o resto do continente, apostando mais seriamente no Brasil e no Chile.

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Mas o que leva uma empresa a adotar uma estratégia destas num mercado que, até agora, não representava mais do que 5% do negócio global da companhia? Em primeiro lugar, os excelentes resultados obtidos pela sua filial ibérica ao longo dos seus 24 anos de história e que, segundo Miguel Reyes, diretor-geral da Information Builders para Portugal, Espanha e México, permitiram-lhe converter-se numa subsidiária com muito maior peso do que o habitual no setor. Hoje, a Information Builders conta com 1400 funcionários a nível mundial, 450 dos quais trabalham fora dos Estados Unidos. Desses 450, 100 trabalham para a filial ibérica ou seja, uma proporção que supera em muito a média da indústria.

Outro aspeto que permitiu esta opção foi o excelente desempenho das operações da empresa no México. A Information Builders decidiu, há 8 anos, confiar a sua primeira tentativa na América Latina, concretamente no México, à sua subsidiária Ibérica. Acabou por abrir um escritório neste país, contratando profissionais com perfil comercial, técnico, de pré-vendas, administrativo, etc. Atualmente, trabalha com 40 das 100 maiores empresas do México, desde governo, telco e “utilities”.

Mas houve mais fatores que fizeram com que o negócio da América Latina tenha “caído” nas mãos da estrutura ibérica. Por um lado, assistiu-se à chegada à América Latina de alguns dos seus principais clientes ibéricos, como por exemplo a Portugal Telecom, e depois, obviamente, ao fator cultural e idiomático que tem sempre um relevante peso nestas decisões.

À B!T, Miguel Reyes mostrou-se obviamente orgulhoso do percurso que a Information Builders tem vindo a percorrer quer em Portugal quer em Espanha e explicou que no Brasil, por exemplo, a empresa norte-americana atuava através de um parceiro ao qual, mais tarde, compraram todos direitos e contratos de manutenção, assim como a base instalada de clientes, formando assim uma subsidiária. No entanto, e apesar de algumas semelhanças culturais e de idioma, Miguel Reyes admite que o mercado brasileiro é bastante distinto do português:

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Naquela geografia a Information Builders tem clientes como a Petrobras, a maior petrolífera da América Latina, ou a Vale, uma importante empresa mineira. Isto para além da Telefônica, da Vivo e da Oi, entre outras. “Os nossos clientes ali são de grande dimensão mas o ciclo de compra de tecnologia como a nossa leva bastante mais tempo do que Europa”.

Este responsável congratula-se que este é um caso sem precedentes no setor de TIC. “Tem-se falado muito de como as empresas de TIC portuguesas se estão a ver obrigadas a ultrapassar as suas fronteiras para contornar de algum modo a crise e entrar nos processos de internacionalização. Mas apenas se tem observado o êxito das filiais ibéricas de multinacionais de TIC que, por exemplo, estão a servir como vértice para a sua entrada ou fortalecimento na América Latina ou em África”, argumenta Miguel Reyes. “Atualmente está a ocorrer uma fuga bastante dramática de capital humano do nosso país para o estrangeiro, por isso, consideramos significativo o facto de que se confie numa filial ibérica, nos seus diretores e nos seus funcionários para canalizar as suas operações noutro continente“.

A Information Builders considera que este é o momento ideal para expandir o seu negócio à América Latina, partindo para os dois mercados que estão a oferecer as melhores expetativas de crescimento e negócio: Chile e Brasil. O “modus operandi” é a abertura de escritórios nestes países, que administrará a partir da sua sede na Península Ibérica, absorvendo em alguns casos os agentes locais com os quais a corporação trabalhava até à data. Depois do Chile e do Brasil, os destinos seguintes deverão ser a Colômbia e a Argentina. Os resultados obtidos nestas geografias são alocados à casa ibérica.

O fabricante está a trabalhar para assinar acordos com diversos parceiros locais, para fomentar o seu negócio entre as médias empresas. Mas, além disso, transferirá para a América Latina as alianças que estabeleceu na Península Ibérica com empresas do porte da Indra e da Everis. “Somos o único fornecedor de business intelligence que pode proporcionar a estas grandes organizações o mesmo ponto de interlocução, tanto na Península Ibérica como na América Latina”, observa o diretor.

Admitindo que o negócio em toda a zona ibérica está “congelado”, é nos países emergentes que Miguel Reyes quer ir buscar volume de negócios. “Aqui o crescimento está parado. Quero que estes estes mercados venham a representar dois dígitos no volume da companhia a um curto prazo”.

 

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