Goiânia inaugura primeiro centro de parque tecnológico

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A cidade de Goiânia inaugurou o Centro Regional para o Desenvolvimento Tecnológico e Inovação (CRTI), primeira unidade do futuro Parque Tecnológico Samambaia, em área reservada ao lado do campus da Universidade Federal de Goiás (UFG), na Região Norte do município. Multiusuário e multi-institucional, o CRTI deve ser aberto a universidades, centros de pesquisa e órgãos

A cidade de Goiânia inaugurou o Centro Regional para o Desenvolvimento Tecnológico e Inovação (CRTI), primeira unidade do futuro Parque Tecnológico Samambaia, em área reservada ao lado do campus da Universidade Federal de Goiás (UFG), na Região Norte do município.

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Multiusuário e multi-institucional, o CRTI deve ser aberto a universidades, centros de pesquisa e órgãos governamentais, com propósito de desenvolver materiais e soluções para empresas e indústrias de Goiás e do Centro-Oeste. O investimento é de R$ 20 milhões, sendo R$ 8 milhões para custear equipamentos e bolsas, oriundos da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), agência de fomento vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).

Além da Finep e da UFG, contribuíram com recursos para a implementação do centro a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Goiás (Fapeg), a Secretaria de Ciência e Tecnologia de Goiás (Sectec) e a bancada goiana no Congresso Nacional, por meio de emendas parlamentares. A UFG executou a obra em parceria com o Instituto Federal Goiano (IF Goiano), a Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC-GO) e a Universidade Estadual de Goiás (UEG).

Transformação

Para o reitor da universidade, Edward Madureira Brasil, o empreendimento “é um divisor de águas” na relação da UFG com a sociedade. “Ele representa o início de um grande projeto, o primeiro parque tecnológico de Goiânia. Não fossem os investimentos do governo federal nas instituições públicas de ensino superior, nós não estaríamos aqui hoje”.

Segundo ele, a UFG dobrou de tamanho na última década. “O Ministério da Educação nos proporcionou as condições para o crescimento de pessoal e a ampliação da estrutura física, enquanto MCTI e Finep permitiram que nós equipássemos e trabalhássemos para a fixação dos quadros que trouxemos para o desenvolvimento do estado, em conjunto com a Fapeg e outras agências”.

Em 2006, de acordo com Brasil, a instituição tinha 1,1 mil professores efetivos, diante dos atuais 2,5 mil. “Tínhamos 670 doutores, aproximadamente, e hoje caminhamos fortemente para ter 2 mil. Já a área física saiu de 200 mil metros quadrados para 400 mil m². Na pós-graduação, de 28 programas de mestrados e doutorados, passamos para 68”, detalhou.

Centro regional

Um dos dois grandes laboratórios de pesquisa e desenvolvimento (P&D) do futuro parque, o centro inaugurado hoje tem como áreas de atuação o agronegócio, a construção civil, o setor de materiais e as indústrias farmacêutica, alimentícia, mineral, automobilística e metalmecânica.

De acordo com o coordenador do projeto do CRTI, Jesiel Carvalho, parte do edifício já funciona, com análises por difração de raios-X e espectroscopia óptica, a pedido de grupos de pesquisa da UFG e empresas. “Certamente, o centro será um mobilizador de competências com capacidade de atender demandas importantes para a economia do estado e da região”.

O CRTI tem quatro divisões principais: análise química e estrutural; imagens e análise pontual; cromatografia aplicada; e infraestrutura complementar. “Mas o centro também atuará em colaboração com laboratórios associados, que possuam instrumentos e competências complementares”, explicou Carvalho.

Para a presidenta da Fapeg, Maria Zaíra Turchi, a inauguração do CRTI significa um marco na história do desenvolvimento tecnológico e da inovação em Goiás. “Neste sentido, o estado está plenamente alinhado e responde com eficiência à política postulada pelo MCTI de investir em grandes laboratórios multiusuários”, observou. “O projeto foi concebido para atender à crescente demanda do setor empresarial goiano, notadamente em áreas estratégicas.”

Novo espaço

A UFG reservou para a construção do futuro parque tecnológico uma área de 17,9 mil metros quadrados, vizinha ao campus Samambaia. O reitor informou que o prefeito de Goiânia, Paulo Garcia, assinou um convênio pelo qual a administração municipal se compromete a realizar as obras de urbanização da área.

O passo seguinte deve ser o prédio central, onde planeja-se instalar a administração da iniciativa, uma incubadora de empresas e outras companhias consolidadas. A instituição aguarda resultado de chamada pública do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq/MCTI), que financia propostas no valor global de R$ 12 milhões.

Durante a inauguração, o governador de Goiás, Marconi Perillo, anunciou ter encaminhado à Assembleia Legislativa um projeto de lei para estabelecer benefícios para os parques tecnológicos goianos. “Portanto, qualquer empresa da área de tecnologia de ponta que vir para este local terá 98% de desconto no ICMS [Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços]”, prometeu. “Estamos criando uma política fiscal e tributária para viabilizar esse centro e dar competitividades às incubadoras e às empresas que vierem para cá.”

A isenção deve abranger as unidades credenciadas no Programa Goiano de Parques Tecnológicos (PGTec). Até então, segundo o secretário estadual de Ciência e Tecnologia, Mauro Netto Faiad, apenas uma iniciativa de Anápolis estava inscrita no pacote de incentivos. “Esse novo centro será responsável por consolidar Goiás como um estado de inovação tecnológica”, previu.

Também compareceram à solenidade a senadora Lúcia Vânia, os deputados federais João Campos e Vilmar Rocha, representantes dos poderes Legislativo e Judiciário estadual e os reitores do IF Goiano, Vicente Almeida, e do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Goiás (IFG), Jerônimo da Silva.


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