IBM já não é somente uma empresa de hardware

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A IBM mudou-se de armas e bagagens para a cloud. Para isso, nos últimos anos tem vindo a livrar-se das áreas que passaram a ser meras commodities. Disso são exemplo as redes ou o hardware. “A IBM é hoje uma empresa que procura levar valor e transformar o negócio. O nosso objetivo é resolver o

pulse2014-01A IBM mudou-se de armas e bagagens para a cloud. Para isso, nos últimos anos tem vindo a livrar-se das áreas que passaram a ser meras commodities. Disso são exemplo as redes ou o hardware. “A IBM é hoje uma empresa que procura levar valor e transformar o negócio. O nosso objetivo é resolver o problema do negócio… que por acaso tem tecnologia envolvida”, disse à B!T Magazine José Luis Spagnuolo, diretor de cloud computing e smarter analytics/big data da IBM Brasil.

José Luis Spagnudo

De todos os anúncios que foram feitos aqui no Pulse, em Las Vegas, qual acredita ser o que vai ter maior impacto no mercado brasileiro?

Na verdade, acredito que todos eles vão ter. Repare por exemplo no Cloud Foundry, que vai transformar a parte de plataforma como um serviço. Isso é um requisito e um pedido que a maior parte dos nossos clientes têm. Ninguém quer ficar preso no vendor. Eu quero ter liberdade de poder  implementar na cloud, pegar num pedaço aqui, num pedaço ali, e começar a me conectar. Já tínhamos a parte da infraestrutura em OpenStack, agora temos a parte da plataforma. E isto é só um exemplo.

Outro é o BlueMix, outro avanço fantástico. Rapidamente conseguimos ter acesso a um call center, a um CRM, expondo isso para trabalhar na nuvem. São coisas poderosíssimas das quais o mercado brasileiro também tem necessidade.

E isto vale para todo o tipo de empresas?

Existem empresa grandes que têm o seu departamento de TI e por isso já estão acostumadas. Mas depois há empresas pequenas para as quais estes anúncios são ótimos aceleradores. A empresa não vai precisar contratar um especialista para conseguir fazer este tipo de coisas. O que estamos a fazer é democratizar o acesso à tecnologia a qualquer tipo de empresa. Se você pensar que 80% do PIB brasileiro vem das pequenas e médias empresas, podemos pensar em atingir grande parte desse mercado.

Em que fase do mercado está o Brasil no que diz respeito à adoção de cloud?

Há a infância, a adolescência e a maturidade. Entendemos que nos Brasil ainda estamos na infância. Mesmo aqui, nos Estados Unidos, eles ainda estão na adolescência, não chegaram ainda à maturidade. Ainda não atingiram aquilo que falamos aqui em Las Vegas das cloud híbridas, de acesso dinâmico. No Brasil estamos a passar a fase do piloto, da prova de conceito…

Empresas ainda querem saber onde estão os seus dados

Até que ponto para as empresas ainda é importante saber onde estão os servidores que vão alojar a sua informação?

Quando falamos de cloud, ninguém sabe onde estão os dados. O que a IBM permite é que na hora que você for contratar o serviço pode escolher se quer, por exemplo, que role no servidor da Hortolandia, de Dallas, em Singapura… A IBM é uma empresa global. Vamos investir mais 1.2 bi em mais 15 datacenters, inclusive mais um no Brasil. Nós temos bare metal, temos cloud privada, temos cloud pública. Na cloud privada, a empresa vai saber que os seus dados estão em determinado lugar. Na cloud pública, a vai compartilhar e no bare metal a máquina até é exclusivamente do cliente.

O cliente pode então especificar que quer, por exemplo, todos os seus dados no Brasil?

Pode, o cliente pode especificar por contrato que quer os seus dados nos datacenter do Brasil. E eles ficam em Hortolandia ou noutro datacenter brasileiro. É a vantagem de ser uma empresa global, temos muito flexibilidade.

E relativamente ao Marco Civil da Internet?

Estamos muito empenhados e acreditamos que é muito importante para o país. Abrir as regras e discutir o assunto entre a sociedade, a universidade… a IBM realmente quer suportar o que é “open”, se reparar falamos imenso disso aqui em Las Vegas. O Cloud Foundry vai realmente nesse sentido.

IBM é uma empresa de valor

Neste momento, o negócio da cloud já representa quanto do volume total?

Não posso falar. Mas estamos alinhados com a companhia. Este “shift” que estamos vendo da IBM em relação à cloud, a venda do negócio x86 para a Lenovo, tudo faz parte da estratégia corporativa de avançar na área do cloud, mobilidade, analítica e social. Acreditamos que isso é o valor. A IBM não é mais uma empresa de hardware. É uma empresa que procura levar valor e transformar o negócio. Tanto que eu faço parte de uma organização que é de soluções de indústria. Conversamos sobre soluções para finanças, para a telco, para retail, para governo. O nosso objetivo é resolver o problema do negócio… que por acaso tem tecnologia envolvida.

Analisamos muito o mercado e trimestralmente revemos a estratégia. Analisamos tendências, olhamos para o nosso portfólio… Por isso nos últimos anos a gente se desfez de diversas unidades de negócio, como rede, de PC, de storage. Porque entendemos que são coisas que eram commodities. E quando analisamos a cloud, já investimos muito em aquisições, como a SoftLayer. Foram 16 bi em aquisições. Cada vez mais vamos investir nesta área e deixar o que é commodities para trás.

A plataforma Power é para que tipo de empresa?

O Power está em praticamente todas as empresas brasileiras porque é uma plataforma muito mais voltada para trabalhar com mais SLA, com mais segurança, com mais performance do que uma plataforma x86. Por isso tem todo o tipo de aplicação, seja ERP, bancos de dado. Hoje em dia, no Brasil, todas as indústrias usam Power. Agora, o que vão poder fazer é utilizar Power na SoftLayer.
Compra da SoftLayer foi a melhor da história da empresa

Quantas empresas brasileiras usam SoftLayer?

Não podemos revelar esses números. Mas a compra da SoftLayer foi a melhor aquisição que a IBM fez dos últimos 102 anos, que é a idade da companhia! Quando a compra foi efetuada, em junho do ano passado, vimos que o número de clientes da América Latina era surpreendente. Não só no Brasil. Nunca pensamos que a América Latina tivesse tanta confiança em entrar num site, colocar o cartão de crédito e aceitar um contrato, em inglês. Surpreendeu-me porque o cliente tipo da América Latina não é assim. É um tipo de cliente que gosta de um contacto mais próximo. No mundo, temos mais de 22 mil clientes na SoftLayer e no Brasil são mais de 1.500. É um portfólio, uma carteira, muito interessante. E isso sem ter tido a presença da IBM, imagine agora como vai ser…


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