Caso Snowden: patriotismo ou crime?

Segurança

De paladino da verdade a pária da sociedade. Depois de um ano em exílio na Rússia, Edward Snowden, por fim, dá a cara numa entrevista à rede televisiva norte-americana NBC, respondendo às múltiplas acusações de que é alvo e justificando as suas ações, sem nunca demonstrar arrependimento pelas práticas em que incorreu. Num quarto de

De paladino da verdade a pária da sociedade. Depois de um ano em exílio na Rússia, Edward Snowden, por fim, dá a cara numa entrevista à rede televisiva norte-americana NBC, respondendo às múltiplas acusações de que é alvo e justificando as suas ações, sem nunca demonstrar arrependimento pelas práticas em que incorreu.

Edward Snowden

Num quarto de hotel na capital russa, o ex-analista e delator Edward Snowden sentou-se com o jornalista Brian Williams da NBC e asseverou que as suas ações, condenadas por muitos, foram motivadas por um sentido de dever de proteção do povo norte-americano, expondo, assim, as cada vez mais numerosas e sofisticadas operações de monitorização das comunicações dos cidadãos.

Cerca de ano após ter-se revelado como a fonte das surpreendentes revelações, Snowden, no que se considera ser a sua maior aparição pública até hoje, respondeu às acusações de que foi alvo e que reivindicavam que o ex-analista da Agência de Segurança Nacional e da CIA havia posto em xeque a segurança dos Estados Unidos e que questionavam a veracidade da dimensão das revelações por ele feitas. Começou por afirmar que voltar à sua terra-natal seria entrar na boca do lobo, visto que não o espera um julgamento justo, tendo em consideração não poderia advogar as suas ações pois as evidências que provariam a sua legitimidade são consideradas confidenciais e como tal não passíveis de serem discutidas em tribunal.

O ex-analista de 30 anos asseverou ainda, relativamente aos meios pelos quais trouxe à luz do dia os programas de espionagem da NSA, ele inicialmente expressou as suas preocupações acerca do abuso de poder que a agência estava a exercer através de canais oficiais da organização. Contudo, após uma dezena de tentativas para ver os seus receios mitigados e uma resposta da agência que muito simplesmente aconselhava-o a não fazer mais perguntas, Snowden decidiu por fim levar à comunicação social as informações sobre as quais tinha posse. Embora possa concordar que os meios possam não ter sido os mais adequados, mantém-se fiel à premissa que o levou a tomar tal atitude. “Às vezes para fazer a coisa certa é preciso infringir a lei”, disse o delator.

Snowden apaziguou os rumores de que estaria a colaborar com o governo russo contra Washington, fornecendo-lhes informação confidencial governamental, e assegurou que não mantinha qualquer tipo de relação com o presidente Vladimir Putin e que não fora alvo de coação por parte de nenhuma agência da Rússia para divulgar dados concernentes aos Estados Unidos.

Por seu lado, o governo norte-americano aponta um dedo acusatório à República Popular da China por ter compactuado com a fuga de Snowden à justiça, uma vez que com o passaporte revogado, o exilado conseguiu deixar a China e viajar para Moscovo.

Quando confrontado com o facto de não ter revelado todos os documentos a que teve acesso, Snowden asseverou que não exporia informação que pudesse por em risco a vida das pessoas.

Com o testemunho de Snowden, podemos, então, agora questionar-nos: terão sido as revelações fruto de um patriótico sentido de obrigação para com o povo norte-americano, ou terão sido desproporcionalmente exageradas?


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