Varejo online ganhará nova dinâmica na próxima década

HOMENegócios

A Deutsche Post DHL parece não ter qualquer dúvida. Na próxima década, o varejo online vai ganhar ainda mais relevância. E não só nos países desenvolvidos mas também nos mercados emergentes. A empresa apresentou recentemente em Berlim um documento denominado “Global E-Tailing 25”, um estudo que explora quatro potenciais cenários até ao ano de 2025.

A Deutsche Post DHL parece não ter qualquer dúvida. Na próxima década, o varejo online vai ganhar ainda mais relevância. E não só nos países desenvolvidos mas também nos mercados emergentes.

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A empresa apresentou recentemente em Berlim um documento denominado “Global E-Tailing 25”, um estudo que explora quatro potenciais cenários até ao ano de 2025. E não traz apenas projeções positivas, mas também cenários de crise. Um dos cenários delineia mesmo como se irão desenvolver os padrões de consumo mundial após a economia global sofrer outra crise financeira, com o preço da energia e das matérias-primas a subirem consideravelmente.

Jürgen Gerdes, responsável pela área de e-commerce deste gigante alemão, afirmou que a empresa acredita que a logística vai ter um papel-chave, já que vai dotar as empresas de importantes vantagens competitivas, como a entrega de produtos apenas algumas horas após serem encomendados, horários de recolha e entregas flexíveis assim como uma logística resiliente e conceitos de valor acrescentado em países emergentes.

Em quatro cenários, o estudo da DHL vislumbra, num futuro próximo, como será o mundo do comércio eletrônico por todo o globo, seja pelo ponto de vista dos consumidores ou pelo ponto de vista do negócio. A empresa explicou no documento que apresenta o estudo que as projeções são baseadas numa detalhada análise dos fatores mais influentes, desde o preço da energia e das matérias-primas aos fatores tecnológicos, políticos e sociais e os padrões de consumo e varejo.

Os cenários destacam ainda possíveis mudanças no sistema de valores da sociedade em 2025. Para isso, a pesquisa incidiu sobre selecionados mercados desenvolvidos e emergentes por todo o mundo, assim como foram analisadas as tendências de compras e logística em 12 metrópoles internacionais, entre as quais Nova York, Moscou, Bangalore, Jacarta e Lagos. “Estas visões e ideias dos consumidores sustentaram os cenários no mundo atual e aumentaram a sua plausibilidade”.

 E-commerce já é 8% do comércio global

Aliás, hoje, o e-commerce já é responsável por 8% do comércio geral da Europa. E, dependendo do cenário, esta porcentagem pode subir até 40% nos países desenvolvidos e até 30% nos mercados emergentes. Segundo a consultoria e-Bit, só no Brasil, o comércio eletrônico movimentou quase R$ 29 bilhões em 2013, com previsão de crescimento de 20% em 2014.

Jürgen Gerdes admitiu na conferência de imprensa em Berlim que no futuro a logística vai assumir de forma ainda mais significativa um papel de facilitador para os varejistas online. “Enquanto empresa de logística, a DHL tem uma visão global das empresas e das diversas indústrias em praticamente todos os países do mundo e, por isso, cada vez mais nos tornamos um conselheiro e um parceiro de sucesso.”

No primeiro cenário explorado pela empresa, por exemplo, os mercados emergentes serão o motor do crescimento daqui a 11 anos, sustentados por uma forte economia global e uma classe média sólida que irão estabelecer um verdadeiro conceito de “everywhere commerce” (comércio em toda a parte). Os consumidores vão receber as suas compras muito mais rápido do que hoje, com os envios expressos a serem entregues em menos de 24 horas. Num diferente cenário, gerou-se uma cultura digital hiperdesenvolvida, na qual quase todos os produtos vão ser vendidos online e os consumidores recebem apoio por avatares digitais que representam as empresas. Para proteger os fabricantes da contrafação, as empresas de logística vão oferecer cadeias de abastecimento protegidas.

Contudo, o estudo não traz apenas projeções positivas mas também cenários de crise. O cenário quatro, por exemplo (ver mais abaixo), aponta como se irão desenvolver os padrões de consumo mundial após a economia global sofrer outra crise financeira e com o preço da energia e das matérias-primas a subirem consideravelmente. Nestas circunstâncias, explora o estudo, as pessoas adotam mais o conceito do “faça você mesmo” e da partilha do que a abordagem do “tudo novo”.

 E-commerce é vital para a DHL

Mas o que leva uma empresa global de logística publica um estudo sobre o futuro do e-commerce? Jürgen Gerdes explicou aos jornalistas que esta é uma área de negócio vital para a empresa alemã e, sobretudo, um forte motor de crescimento. “Não só somos a empresa líder mundial em logística e correio como somos o serviço de e-commerce eleito pelos remetentes para envios nacionais e internacionais. É natural que queiramos ter um olhar mais atento a este mercado-chave”. No entanto, o agora publicado “Global E-Tailing” não é a única publicação que a empresa levou a cabo. Já em 2012 tinham lançado um documento intitulado “Logistics 2050” que desenvolvia cenários precisamente no ano de 2050. “Somos uma empresa sustentável e com uma perspetiva de longo prazo e, como tal, não encaramos os novos desenvolvimentos com surpresa, temos ativamente uma ação sobre eles. Os nossos estudos futuros são uma orientação; o objetivo é alimentar o pensamento e convidar a discussões”.

É óbvio, como o próprio CEO diz, que não é possível prever completamente que o futuro vá ser como os cenários que a DHL propõe. “Este não é o objetivo do estudo”, explica o responsável. No entanto, admite que podem ser uma “ajuda a abrir os olhos para possíveis desenvolvimentos. Mesmo que alguns deles parecem improváveis à primeira vista”.

Ainda assim, vamos considerar o seguinte: há 15 anos, quem teria prevista a importância que os smartphones teriam hoje nas nossas vidas? “Em todos os cenários, o estudo manifesta uma visão central: ao longo dos próximos dez anos, o comércio online vai ganhar muito mais importância do que o esperado até agora – e não apenas nos países industrializados, mas também nos países em desenvolvimento e nos mercados emergentes. Aqui, a logística terá um papel importante: oferece vantagens competitivas relevantes para as empresas com soluções inovadoras, tornando os fornecedores de logística num facilitador ainda mais forte para e-commerce”.

 Inovação está no DNA da empresa

Além de serem líderes de mercado enquanto parceiros de logística para o e-commerce, Jürgen Gerdes garante que a Deutsche Post DHL também é líder em inovação. “Temos testado e implementado com sucesso uma ampla gama de soluções e serviços a fim de dar forma a este mercado: desde a Packstation (cabines automatizadas de despacho, que funcionam 24 horas), à parcel box (caixa individual de recebimento, para que os itens sejam entregues mesmo sem ninguém em casa), passando pelas opções de entrega flexíveis, como entrega de noite, até à entrega de produtos de supermercado a residências!”

Para o futuro, a empresa planeia oferecer serviços adicionais desde “a primeira até a última milha. Isso vai muito além da entrega e engloba soluções de portais e soluções de pagamento. Tudo isso está previsto, não só para a Alemanha mas para a Europa e além”.

 

Cenário 1

 Comércio em todo o lado

Comportamento de consumo híbrido com a convergência dos diferentes tipos de comércio a varejo: uma forte economia global e uma classe média estável criam um paradigma de “Everywhere Commerce” (comércio em toda a parte), no qual os smartphones e os tablets continuam a ser parceiros inseparáveis dos consumidores. Os painéis interativos estão sempre presentes nas ruas das cidades, atuando como interfaces do mundo virtual e o setor do comércio influencia os consumidores não só através de uma variedade de canais, como por exemplo, os referidos painéis interativos, mas também ao disponibilizar os seus bens online e em lojas, o que permite aos consumidores acessar e comprar produtos a qualquer hora.

 

Cenário 3

 Comunidades virtuais

Influência e identificação nas comunidades virtuais: a economia mundial passa por um período de crescimento rápido e o aumento da riqueza provoca o aparecimento de uma classe média próspera orientada para o consumo, cujos valores se afastaram do trabalho para o lazer. Os websites varejistas de comércio especializado, com uma oferta selecionada e em constante mudança para estilos de vida específicos, tornam-se o ponto central das comunidades regionais e globais orientadas para um estilo de vida e são, por isso, os principais influenciadores do comércio a varejo online. É como se o consumidor se sentisse parte de um todo, que o representa a partir de hábitos de consumo, que ganham uma aura de pertencimento, de validação de posições culturais.

 

Cenário 3

Inteligência artificial

Inteligência artificial na esfera do comércio a varejo digital: a economia global desenvolve-se, apesar de ter demonstrado uma volatilidade significativanos últimos anos. Neste cenário, assiste-se à evolução de uma cultura digital altamente desenvolvida, na qual todos os produtos são vendidos online e os consumidores recebem assistência de consultores virtuais, que não só verificam a autenticidade de um produto e monitorizam a sua compra e entrega, mas também realizam a sua encomenda online.

Cenário 4

Consumo colaborativo

Consumo colaborativo num panorama de varejo regionalizado: um cenário de crise no qual os padrões de consumo dos consumidores se desenvolvem depois de a economia global sofrer outra crise financeira. Nestas circunstâncias, um elevado nível de protecionismo provoca a paralisação total do comércio a varejo internacional. A forte mudança da economia provoca uma alteração substancial nos hábitos de consumo e tem como consequência que os consumidores passam, regra geral, a comprar localmente.

Essa é uma tendência forte nos EUA, onde os comércio local se digitaliza para manter relevância e continuar no negócio. Em vez de comprar de um gigante, os consumidores optam por comprar de pequenos comércios do bairro ou da cidade, barateando os custos de entrega e fomentando a economia local.