Presidente da Oi deixa empresa em meio à crise

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Zeinal Bava renunciou ao cargo de presidente da Oi, conforme comunicado oficial da telco feito ao fechamento do mercado de ontem, 7 de outubro. No documento encaminhado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), o motivo da saída não foi apontado. A saída do moçambicano havia sido adiantada pela revista Veja no fim de semana, que

Zeinal Bava renunciou ao cargo de presidente da Oi, conforme comunicado oficial da telco feito ao fechamento do mercado de ontem, 7 de outubro. No documento encaminhado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), o motivo da saída não foi apontado.

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A saída do moçambicano havia sido adiantada pela revista Veja no fim de semana, que citou fontes próximas do executivo.

No comando da operadora desde julho de 2013, Zeinal teve uma trajetória conturbada. O executivo foi um dos condutores da fusão com a PT (Portugal Telecom), uma medida considerada necessária para reduzir o endividamento da Oi, que amarga uma dívida de R$ 46 bilhões.

O estopim da crise atual foi uma transferência de recursos não autorizada pelos membros brasileiros do conselho da Portugal Telecom para a Rio Forte, empresa do português Grupo Espírito Santo, um dos maiores acionistas da Portugal Telecom. Foram 897 milhões de Euros que deixaram os cofres da telco.

Além de não autorizado, o empréstimo foi no mínimo de altíssimo risco, uma vez que o Grupo Espírito Santo entrou em recuperação judicial. Assim, o saldo devido foi convertido em ações da Oi, que ficarão retidas até o pagamento.

Bava negou saber da operação, mas os sócios brasileiros, Andrade Gutierrez e La Fonte não só perderam a confiança no executivo como começaram a movimentação para sua saída.

Com a retenção das ações na Tesouraria da Oi, a fusão começou a desandar. A CVM determina que empresas de capital aberto só podem manter até 10% de suas ações retidas. Com a transferência de recursos, a Oi ficou com 17% das ações retidas.

Bava é o terceiro presidente a sair em cerca de quatro anos. Tamanha mudança decomando tem afetado ainda mais a confiança do mercado, que dificulta a recuperação da Oi.

Na gestão do executivo, a dívida da Oi pulou, do primeiro trimestre do ano até hoje, de R$ 30 bilhões para R$ 46 bilhões, o que colocou a telco fora do leilão de licenças adicionais para 4G.

O comando da Oi será assumido temporariamente pelo atual diretor de Finanças e de Relações com Investidores, Bayard Gontijo. Ele ocupará o cargo até que o Conselho de Administração indique outro nome.

Está ainda em cima da mesa a possiblidade de a Oi vender a PT Portugal aos franceses da Altice.


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