Biometria tropeça e atrapalha votação

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O sistema de identificação biométrica escolhido pelo Tribunal Superior Eleitoral causou transtornos e acabou gerando filas gigantescas nas seções eleitorais onde foi usado. Cerca de 21 milhões de eleitores de 762 municípios foram cadastrados para identificação biométrica para votar. O sistema escolhido foi o de identificação de digitais, que se provou ineficaz. Em Niterói (região

O sistema de identificação biométrica escolhido pelo Tribunal Superior Eleitoral causou transtornos e acabou gerando filas gigantescas nas seções eleitorais onde foi usado.

biometria eleição

Cerca de 21 milhões de eleitores de 762 municípios foram cadastrados para identificação biométrica para votar. O sistema escolhido foi o de identificação de digitais, que se provou ineficaz.

Em Niterói (região metropolitana do Rio de Janeiro), por exemplo, algumas seções demoraram até 10 minutos para conseguir identificação válida de apenas um eleitor. O TRE do Rio chegou a emitir um comunicado protestando sobre o uso da biometria, tamanho o problema enfrentado.

Em São Paulo, a mesma dificuldade foi relatada em 15 municípios.

Para votar por meio da biometria, o eleitor apresenta o documento de identidade com foto para que o nome seja localizado. O número do título é digitado no terminal da urna, e o eleitor confirma a identidade no leitor biométrico. O processo, em teoria, deveria dar mais agilidade à votação, pois o mesário não perde tempo conferindo os documentos do eleitor.

Vários eleitores se queixaram do sensor, que tinha muita dificuldade em fazer a leitura das digitais. Quando não registra um dedo, o sistema permite que outras leituras sejam feitas.

A principal fragilidade dos sistemas de autenticação por impressão digital é a forma como a imagem é captada. O sensor fica confuso com dedos frios, secos ou enrugados. Pele mais fina também é um desafio. Segundo o TSE, o sensor biométrico tem capacidade de analisar 70 sinais diferentes em cada impressão digital.

A solução seria utilizar um sensor de digitais mais avançado, que lê em diferentes espectros de luz, ou eliminar de vez o sistema de digitais. A autoridade de fronteira dos EUA usa as digitais para validar as informações de identidade, porém seu leitor é muito mais robusto e faz múltiplas leituras em diferentes comprimentos de onda, permitindo uma identificação rápida e sem erros.

No Brasil vários caixas eletrônicos utilizam uma tecnologia muito mais avançada, que usa a impressão palmar para fazer a autenticação. Em vez de captar os detalhes da pele, o sistema faz a leitura da rede de vasos sanguíneos da mão, que são únicos. Outra vantagem é que o sistema não pode ser facilmente enganado, pois apenas tecido vivo é detectado.

É importante frisar que a tecnologia de leitura biométrica oferece mais segurança à identificação do votante, pois exclui a possibilidade de uma pessoa votar no lugar de outra. Porém, é preciso que o sistema seja ágil, seguro e utilize uma tecnologia compatível com os dias de hoje.


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