Ninguém sabe o potencial da Internet das Coisas

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O tempo em que eram apenas as pessoas a estarem conectadas à internet chegou ao fim. Hoje, as coisas, todas as coisas, têm potencial de estar interligadas. Muitas já estão, outras vão estar. Conectadas num mundo que comunica entre si. Um mundo obrigatoriamente mais eficiente. Um mundo definitivamente com menos privacidade. Na Futurecom, em São

O tempo em que eram apenas as pessoas a estarem conectadas à internet chegou ao fim. Hoje, as coisas, todas as coisas, têm potencial de estar interligadas. Muitas já estão, outras vão estar. Conectadas num mundo que comunica entre si. Um mundo obrigatoriamente mais eficiente. Um mundo definitivamente com menos privacidade. Na Futurecom, em São Paulo, Anatel, Ministério das Comunicações, Qualcomm, TIM Brasil, Telefônica Vivo, Huawei, Ericsson, Alcatel-Lucent e HITSS debateram todas estas questões. E chegaram à conclusão que ninguém sabe o potencial da Internet das Coisas.

Rafael Steinhauser, da Qualcomm, trouxe para palco um robot inteligente
Rafael Steinhauser, da Qualcomm, trouxe para palco um robot inteligente

A Internet das Coisas vai, uma vez mais, mudar a sociedade. E as indústrias. Em 2020, prevê-se que cerca de 26 biliões de dispositivos estejam conectados à internet e ganhem capacidades de comunicação. E, como salientou Antonio Augusto Firmato Glória, da Alcatel-Lucent, ninguém realmente sabe quais as novas aplicações que estão a ser criadas. “O potencial é imenso”, referiu o responsável num painel dedicado a esta temática que ocorreu hoje na Futurecom. “Não fazemos realmente ideia do que está a ser criado nas universidades, nas garagens, simplesmente não temos ideia. O melhor definitivamente ainda está por vir”, garantiu.

E apesar de já haver diversas iniciativas a potenciarem e materializarem este conceito, Roberto Piazza, da Telefônica Vivo, admite que só agora estamos a entrar numa fase de crescimento. Um dos setores que mais tem contribuído para este crescimento tem sido, no entender deste responsável, os operadores de cartões de crédito que têm desenvolvido interessantes iniciativas de M2M (machine-to-machine, ou máquina para máquina). Ou a indústria automóvel e o setor de gestão de frotas e até a cadeia de distribuição.

João Yazlle, da Ericsson, esclareceu no debate que já desde 2010 que a empresa sueca fala no conceito de Internet das Coisas. E deu como exemplo mais recente o de São José dos Campos e o seu projeto de segurança que culminou na redução da criminalidade de 12 para 9 crimes por cada 100 mil habitantes. “Há muita coisa feita lá fora. Mas o Brasil já tem excelentes exemplos”, reiterou.

Mas o que realmente falta para que o conceito de Internet das Coisas decole? No entender de Leonardo Capdeville, da TIM Brasil, um dos fatores que poderá impulsionar esta questão é a infraestrutura partilhada. “Já está a acontecer, mas tem de ser muito mais. Para isso é necessária regulamentação e não uma lei para cada cidade, que é o que atualmente está a acontecer. Uma legislação flexível”.

Rodrigo Zerbone Loureiro, da Anatel, acrescenta que este mercado tem um potencial enorme, que não pode ser visto apenas como oportunidade de negócio nas também como um potenciador de produtividade em meios, por exemplo, como o agrícola. “Quando a Anatel faz a expansão através dos leilões não está pensando nas chamadas que o fazendeiro vai fazer para falar com os seus clientes.

Mas tem de haver conetividade para a Internet das Coisas. Há que crescer tanto na expansão da cobertura como na capacidade de tráfego”. A Anatel tem feito a ampliação dos leilões para 4G “que vem demonstrar a preocupação da entidade em dar soluções para ajudar as indústrias a crescerem. A Anatel tem uma visão que é um mercado com um potencial muito grande. Já sabemos que umas coisas vão dar certo, outras não. A Anatel deve interferir o menos possível, apenas tem de dar instrumentos para que o conceito possa crescer”.

Obviamente que a montante de tudo isto temos as questões relacionadas com a privacidade. Questões fundamentais para o crescimento do próprio mercado. “Se hoje já debatemos isto, imaginemos agora quando tivermos todos conectados a tudo. Quando estivermos ligados a equipamentos com dados que podem sem acessados, violados e comercializados”, alerta Rodrigo Zerbone Loureiro.

Estamos perante um verdadeiro e sem precedentes Big Brother? Mário Rachid, da HITSS, compara esta nova fase com a introdução, em 1995, da própria internet. “O principal impacto é mesmo o social, o impacto que tem na privacidade ou, neste caso, na falta dela”.

O cenário impõe respeito. Até 2020 estima-se que cada pessoa esteja ligada a sete interfaces. “Imaginem esses sete equipamentos a estarem ligados e terem acesso e registarem o que comemos, como está a nossa saúde… isto precisa ser aceite pelas pessoas e pelas empresas que vão ter acesso a esses dados de uma forma muito clara. Reparem que ainda estamos no início…”

John Xiong Yihui, da Huawei, não podia ter sido mais claro na sua apresentação: a Internet das Coisas é mais uma revolução, não só tecnológica como na sociedade. “A escova de dentes vai-nos dizer que problemas temos na boca. E se se passa alguma coisa com a nossa alimentação. A roupa vai-se adaptar à temperatura do ambiente e fornecer-nos a quantidade exata de calor que precisamos. Vamos poder ouvir e ver a quilómetros de distância. E os carros vão andar sozinhos para que o condutor possa descansar. No futuro, vamos ser X-MEN!”, ilustrou John Xiong Yihui. “É esta a beleza tecnologia. A sociedade quer eficiência e com as máquinas a comunicarem entre si vai haver, com toda a certeza, mais eficiência”.

Obviamente que, aqui, em todos estes cenários, o Big Data toma um papel principal. Aliás, para John Xiong Yihui, o Big Data vai acumular o poder da Internet das Coisas. “Não vamos ter privacidade”, elucidou o executivo. “Há que saber usar a informação, há que haver uma regulamentação muito forte para garantir que essa informação, que agora é muito mais facilmente acessada, não é usada de forma errada”.

Obviamente que em todo este mundo no qual tudo está ligado a tudo e a todos, a infraestrutura que está a sustentar estas comunicações têm de ser imensas. Sobretudo a área de mobile, pelo que o 5G está a ser altamente debatido. “Somos o quarto maior mercado de telecomunicações do mundo, podemos e devemos ter um papel fundamental na Internet das Coisas”, disse Leonardo Capdeville, da TIM Brasil.

Aliás, Rafael Steinhauser, da Qualcomm, que trouxe para palco um robot inteligente e com capacidade para aprender, disse mesmo que se o 4G seria a quantidade, o 5G será a qualidade e fiabilidade para que as indústrias comecem a abraçar e a desenvolver este conceito.


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