Telecomunicações: um mundo de receitas em transição

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A indústria das telecomunicações é, muito provavelmente, uma das mais dinâmicas em termos de alteração de fonte de receitas que parecem estar em constante mutação. Basta vermos, hoje, o peso que os dados móveis começam a ter cada vez mais nas receitas das empresas telco. Rodrigo Abreu, presidente da TIM, explicou na Futurecom 2014 que

A indústria das telecomunicações é, muito provavelmente, uma das mais dinâmicas em termos de alteração de fonte de receitas que parecem estar em constante mutação. Basta vermos, hoje, o peso que os dados móveis começam a ter cada vez mais nas receitas das empresas telco. Rodrigo Abreu, presidente da TIM, explicou na Futurecom 2014 que muitas vezes as mudanças de tecnologia advêm também das mudanças de comportamento dos próprios consumidores.

Presidente TIM
Rodrigo Abreu, presidente TIM

O exemplo não podia ter vindo mais “de dentro”. Rodrigo Abreu, que desde março de 2013 assume a cadeira da presidência da TIM Brasil, resolveu ver como é que a filha, que estuda em Nova Iorque, faz a gestão do seu plafond móvel. E a 18 dias do final do mês, ela já tinha consumido 1,47 dos 2GB que o seu tarifário lhe permite. Estava em “apuros”, portanto. Contudo, apenas tinha enviado 32 das suas ilimitadas sms. E feito… zero minutos de conversação! “Na prática, ela não me liga. Sou eu que tenho de ligar”, gracejou o presidente.

Mas isto só revela o comportamento da nova geração de consumidores e que nos dará uma visão do que será o futuro. “Estes são os novos usuários. Que estarão à frente das empresas”, explanou Rodrigo Abreu. “Atualmente, a voz já não é mais do que uma oferta dentro de um pacote de serviços”, garantiu. Os números são, de resto, impressionantes. Em janeiro de 2014, o consumo de dados por usuário estava nos 350 mb. Em agosto, estava em 900. Quase triplicou em meio ano…

Mas então qual o obrigatoriamente novo papel das operadoras de Telecom? Imaginemos uma pirâmide. Uma pirâmide na qual a base é, obviamente, composta pela infraestrutura, depois um novo layer de serviços de conetividade, outro de serviços de comunicação, um novo patamar com serviços adjacentes, mais um ainda com plataformas e no topo da pirâmide as apps e os conteúdos. Um espaço onde obviamente as OTT (over-the-top) estão fortemente posicionadas.

Rodrigo Abreu defende que “as operadoras não têm de ser as donas do topo da pirâmide”. Até porque, e isto parece ser consensual à indústria, a infraestrutura não pode ser descuidada. “E isto tem acontecido nos últimos anos. Temos descuidado essa infraestrutura. E é aqui onde está a principal questão: sem infraestrutura nada acontece”.

O executivo diz ser importante que as telco estejam presentes em todas as camadas da pirâmide mas volta a enfatizar a necessidade de garantir que a base dessa mesma pirâmide esteja a ter investimento.

Na sua palestra, Rodrigo Abreu “atacou” ainda o tema da regulação, fundamentando que os framworks regulatórios são críticos. “Cuidado com os serviços que você não paga porque aí você não é o cliente. É o produto”.


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