A voz morreu, dizem operadoras de telecom

Mobilidade

A voz morreu, garantem as operadoras de telecomunicações. Há agora que procurar novos modelos de negócio baseados na oferta de serviços e conteúdos. Isso sem nunca esquecer a necessidade de investimento na infraestrutura, de resto o que diferencia as tradicionais operadoras dos OTT (over the top), como o Google ou a Microsoft. Este tema foi

A voz morreu, garantem as operadoras de telecomunicações. Há agora que procurar novos modelos de negócio baseados na oferta de serviços e conteúdos. Isso sem nunca esquecer a necessidade de investimento na infraestrutura, de resto o que diferencia as tradicionais operadoras dos OTT (over the top), como o Google ou a Microsoft. Este tema foi quente no debate promovido na Futurecom que juntou a Telecom Italia, a Telefonica, a Qualcomm e a Alcatel-Lucent.

2014-10-14 19.54

Os serviços OTT tornaram-se uma preocupação para as operadoras de telecomunicações quando começaram a competir diretamente com serviços tradicionalmente oferecidos pelas telcos, como por exemplo voz, mensagens e TV paga. Usemos o Skype como referência. Agora pertence à Microsoft, foi fundado em 2003 e possui mais de 250 milhões de usuários ativos por mês, que falam por 100 minutos em média, evitando o uso da telefonia tradicional. E lá está, da mesma forma que o Skype se tornou um competidor das telcos no setor de voz, vários novos prestadores de serviços OTT entraram como substitutos para serviços de telecomunicações tradicionais. O WhatsAapp é, claramente, outro caso.

Marco Patuano, da Telecom Italia, diz no entanto que “apenas” estamos falando de modelos de negócio distintos. “O modelo de negócios deles é baseado na adoção. Se tiver 10 mil clientes, está morto. Mas se tiver 20 milhões de consumidores você não vai saber o que com eles. Você não sabe, mas há quem saiba. Há quem pague para os ter.” Foi o caso do WhatsApp, vendido por 16 bilhões ao Facebook. “Com esta venda eles ganharam dinheiro suficiente para colocar fibra em todo o Brasil, mas não o fizeram. Porque têm outro modelo de negócio”.

Na realidade, Patuano explica que as operadoras não podem “vender conetividade sem serviços como o Facebook ou youtube. Eu quero que eles tenham sucesso!”, explicou à plateia.

A questão, o problema, é precisamente quando estas empresas começam a oferecer, de forma gratuita, serviços que antes eram vendidos pelas operadoras. “Temos que evitar que o valor percebido seja zero. Temos de competir com qualidade.”

Carlos Lopez Blanco, da Telefonica, defende que as operadoras de telecomunicações vão estar aqui por muitos anos. “Vida longa para as operadoras. Obviamente com produtos de conteúdos, canais, com serviços. O facto do nosso core business ser as operações de redes mudou. Nós temos de fazer parte da plataforma de serviços. Hoje, os conteúdos vídeo são fundamentais, quem sabe mais tarde serão outros”.

Marco Patuano volta a enfatizar que a voz morreu e que não vai ser mais do que um mero aplicativo. E referiu um aspeto curioso: “As operadores de OTT não gostam de um facto muito simples: receber ordens. Nós, as telecom, estamos acostumados a receber ordens e consideramos as regras como parte do jogo. Algumas OTT simplesmente não aceitam essas regras”.

Quando pediram para que Patuano se explicasse um pouco melhor, ele deu exemplo bastante simples: portabilidadade de perfil. “Se eu quiser passar da Vivo para a TIM e pedir a portabilidade total, a operadora tem ceder os dados. Porque é que eu se eu quiser mudar do Gmail para o Yahoo não hei-de levar todo o histórico comigo? É assim tão diferente? Se calhar hoje em dia não é…”

Carlos Lopez Blanco acrescentou ainda que quando o WhatsApp esteve em baixa quase 24 horas o impacto não pode ser comparado ao se tivesse sido a Telecom Itália ou a Telefonica. “Um dia inteiro??? Não pedimos mais regulamentação para o WhatsApp, mas pedimos que as regras sejam iguais para todos. Não me podem vir dizer que não são obrigados a ter linha de apoio porque o serviço é fornecido de forma gratuita. Pode é não ser pago em dinheiro, mas em dados ou privacidade”.

Marco Patuano foca a necessidade das operadores darem a melhor experiência ao cliente possível como forma de mais-valia face aos restantes players. “Temos de convencer o cliente a vir até mim e ter a melhor experiência. Há que tratar o cliente de maneira diferente”.

Patuano continua a defender que as operadoras tradicionais devem sempre continuar a apostar na engenharia e a investir na infraestrutura, tendo agora, também, de lidar com os tais serviços que lhes permitem manter-se no mercado. “Há que gerir diferentes tribos”.


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