Infor quer liderança de software na cloud

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Big Data, Cloud e Mobilidade. Estes são os três grandes temas da atualidade. E não tem empresa, não tem player que lhes consiga, definitivamente, fugir. A Infor, uma empresa de software estadunidense, tem obviamente, em sua estratégia, esses três “palavrões”. E resolveu juntar-lhes mais um: Infor Xi, uma nova plataforma tecnológica empresarial para aplicações de próxima geração. Lá

Big Data, Cloud e Mobilidade. Estes são os três grandes temas da atualidade. E não tem empresa, não tem player que lhes consiga, definitivamente, fugir. A Infor, uma empresa de software estadunidense, tem obviamente, em sua estratégia, esses três “palavrões”. E resolveu juntar-lhes mais um: Infor Xi, uma nova plataforma tecnológica empresarial para aplicações de próxima geração. Lá nas nuvens.

Em Paris, Duncan Angove e Stephan Scholl, presidentes da Infor, revelaram a sua estratégia baseada em cloud
Em Paris, Duncan Angove e Stephan Scholl, presidentes da Infor, revelaram a sua estratégia baseada em cloud

Em Paris, um dos locais onde anualmente a empresa se reúne com parceiros, clientes e imprensa para apresentar sua estratégia, Duncan Angove e Stephan Scholl, ambos presidentes da Infor, falaram com a B!T e confirmaram o “inevitável”: há que estar nas nuvens. “Esta nova plataforma vai nos permitir evoluir para uma oferta de arquitetura na cloud, sendo que a cloud, realmente, tem uma forte presença em nossa mensagem, em nossa estratégia. Deixe-me dizer-lhe que a Infor Xi exigiu um investimento muito significativo na nuvem, em parceria com a Amazon”, disse Duncan Angove.

Por outro lado, e segundo este presidente, estar na nuvem permite que o Big Data seja mais assertivo, mais eficiente. “Para mim, o Xi é mais do que cloud, Big Data, analítica e mobilidade”.

E apesar de não serem de naturalidade estadunidense – Duncan Agove é inglês e Stephan Scholl é suíço –, o discurso efusivo de ambos faz realmente lembrar o estilo de comunicação das empresas de terras do Tio Sam. “Vou-lhe dizer porque estou tão entusiasmado com tudo isto. Trabalhamos arduamente quatro anos para conseguir estar na nuvem. Hoje, o segmento médio do mercado – onde estão os grandes fabricantes, os distribuidores globais – ainda não adotou a nuvem. E não adotou porque precisamente não havia nenhum fornecedor de software que tivesse funcionalidades verticais core na nuvem. É uma oportunidade de mercado imensa. Porque somos únicos nessa oferta.”

Micro-verticalizar continua a ser palavra de ordem

Mas qual verticalizar, qual quê? Desde que, há quatro anos, está sob o controlo de Charles Phillips – CEO que entrevistamos o ano passado, precisamente neste evento – a Infor quer micro-verticalizar. Ou seja, apostar na especialização para tentar marcar a diferença num cada vez mais aguerrido mercado. Nos Estados Unidos, são “reconhecidos” 21 setores que derivam em 2151 indústrias, cada uma com suas especificidades. É precisamente neste número que a Infor quer atuar. Não em todos os setores, obviamente, mas dentro desses 21, quer micro-verticalizar algumas das indústrias. O setor das comidas e bebidas é um exemplo clássico. Dentro desse setor podemos estar falando numa padaria ou numa cervejaria, por exemplo… Ou seja, apesar de agrupados no mesmo setor, não são áreas com necessidades propriamente idênticas. Supostamente, esta micro-especialização vai permitir à Infor se diferenciar da concorrência já que assim vai conseguir reduzir o time-to-market, apresentar soluções economicamente mais favoráveis, para além de perfeitamente adaptadas ao negócio do cliente. É neste discurso que a Infor se baseia há já quatro anos. E assume que esta “micro-verticalização” faz com que tenha 19 das principais 20 empresas aerospaciais, as 10 principais empresas de high tech, as 10 principais empresas farmacêuticas, os 20 principais fornecedores automóveis, 17 dos principais 20 distribuidores industriais, 16 dos principais 20 revendedores globais e quatro dos principais cinco cervejeiros.

Aliás, há dois anos, também em Paris, Ducan Angove não tinha qualquer receio em afirmar que a Infor quer ser uma alternativa clara à SAP e à Oracle. Esta edição, resolvemos perguntar se em dois anos esse desejo foi cumprido. “Sinceramente, acho que sim”, disse imediatamente. “Somos uma empresa privada e temos uma estratégia muito diferente dos restantes. Penso que é exatamente isso que nos permite ir para a nuvem de uma forma mais rápida, precisamente porque somos privados, conseguimos investir mais e, sobretudo, fazer mais apostas, arriscar mais. Por exemplo, o investimento que fizemos no Infor Labs seria muito complicado se não fossemos uma empresa privada”. O Infor Dynamic Science Labs é uma nova organização interna desta corporação, basicamente focada na promoção da aprendizagem nas máquinas e análise Big Data nas aplicações Infor.

Stephan Scholl corrobora a opinião do seu colega de presidência relativamente a serem uma alternativa à germânica SAP e à conterrânea Oracle e ainda acrescenta: “Estamos vencendo propostas, tomando seus lugares em clientes e estamos crescendo de uma forma mais rápida. Diria que estamos ainda mais à frente do que pensávamos estar. Acredito mesmo que fizemos em quatro anos o que normalmente seria feito no dobro do tempo”.

Europa gosta da Infor

A economia europeia está tudo menos resplandecente. No entanto, os dois executivos garantem que, no que diz respeito à Infor, o comportamento das empresas europeias tem sido de alguma forma notável. Isto porque foi precisamente a Europa a região na qual a empresa mais cresceu no último trimestre”, divulgou Duncan Angove, explicando não poder divulgar mais pormenores sobre esta informação. “Somos uma empresa eatadunidense mas muito mais centrada na Europa do que provavelmente esperariam”. No primeiro trimestre, por exemplo, a Europa faturou mais do que os Estados Unidos, tornando-se, pelo menos no primeiro trimestre, no maior mercado para a companhia. Aliás, metade da engenharia da Infor está sediada na Europa. “Não está em São Francisco, ou na Índia. Temos um escritório de desenvolvimento aqui em Paris. Temos escritórios em Estocolmo e em Londres”.

Uma explicação para a forte presença na Europa tem a ver com a política de aquisições que a companhia tem vindo a fazer. Duncan Angove garante que mais do que tudo, a empresa compra inovação – e não engenharia financeira – pelo que mantém as pessoas na estrutura adquirida. A compra da Lawson é disso um claro exemplo. Com sede em Estocolmo, os funcionários permanecem naquela geografia. “Aliás, quando contratamos novos desenvolvedores, vão para lá”.

Onde está o negócio?

Uma das áreas que a empresa parece estar a apostar é a gestão de capital humano (HCM) até porque, neste momento, é a linha de negócio que mais receita gera, quer na nuvem quer on-site. Mas a evolução do portfólio, de todo o portfólio, será naturalmente para a nuvem. A tão afamada nuvem onde estão todas as oportunidades. “Nós estamos a dizer aos nossos clientes para, a um preço fixo, se mudarem para a cloud. O que queremos é que os 75 mil clientes da nossa base instalada se mova, nos próximos cinco anos, para a nuvem. Agora imagine que apenas metade deles vão. Seremos a mais importante empresa de cloud! É esta a nossa oportunidade. Não queremos conquistar o mundo. Temos a nossa base instalada que queremos que usufrua de nossos novos produtos. E teremos um tremendo sucesso”.

Com todo este perfil não deixa de ser curioso que a marca Infor não tenha mais notoriedade. E os executivos sabem. Aliás, há analistas que se referem à Infor como “esta é a maior empresa de software do mundo… da qual nunca ouvimos falar”.

O ano passado, quando confrontamos o CEO Charles Phillips com esta afirmação ele sorriu e concordou. E explicou-nos que tudo tem seu timing. “Primeiro houve necessidade de criar um produto altamente estável e devidamente implantado no mercado para, agora sim, começar a trabalhar a marca em sua real dimensão”.

Este ano, na conversa que mantivemos com estes dois executivos, acabaram por nos confirmar que a marca ainda não tem o reconhecimento que devia. “Este continua a ser um dos nossos desafios. Mas foi uma opção correta. Primeiro tínhamos de ter o produto. Só depois podíamos pensar no resto. Mas é verdade que este ano vamos apostar mais em publicidade nos aeroportos, na imprensa. Mas nunca gastaremos tanto dinheiro quanto a nossa concorrência. Preferimos que os nossos dólares vão parar ao desenvolvimento do produto”.


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