Alibaba investe US$ 10 milhões no console Ouya

Negócios

A Alibaba, gigante chinesa de comércio online, terá investido US$ 10 milhões na Ouya, empresa que fabrica um console baseado no sistema Android. A informação foi avançada pelo Wall Street Journal, que relatou que o investimento teria sido feito no mês passado, mas que ainda não estará totalmente fechado, com questões como o licenciamento de conteúdo.

A Alibaba, gigante chinesa de comércio online, terá investido US$ 10 milhões na Ouya, empresa que fabrica um console baseado no sistema Android.

Ouya, console

A informação foi avançada pelo Wall Street Journal, que relatou que o investimento teria sido feito no mês passado, mas que ainda não estará totalmente fechado, com questões como o licenciamento de conteúdo.

A ideia é tirar partido de uma das últimas decisões do governo da China, que passou a permitir vendas de jogos eletrônicos no país. Entre estas possibilidades de venda estão as criações da Ouya, que já contava com cerca de mil títulos entre seu portfólio.

A Ouya, que surgiu com uma bem-sucedida campanha de crowdfunding na plataforma Kickstarter, tem vindo a vender seu console – que tem o mesmo nome da empresa – a cerca de US$ 99 nos EUA.

Na altura da campanha de financiamento, em 2012, a Ouya conseguiu US$ 8,6 milhões, valor muito acima do que era pedido: a meta inicial era de 950 mil dólares.

Problemas pelo caminho

Apesar do barulho inicial – o console foi recebido revolucionário, uma porta para desenvolvedores independentes – o Ouya não deixou seus apoiadores muito felizes. Quem acreditou no console e colocou dinheiro via Kickstarter, ao receber os primeiros aparelhos, reclamou que os controles sofriam de um atraso que deixava os games praticamente impossíveis de se jogar.

Na próxima leva de consoles, a empresa corrigiu o defeito, mas aí foram os desenvolvedores que reclamaram. No modelo de negócios do Ouya, todos os jogos obrigatoriamente devem ter demos grátis. O problema é que o grande público não se sentiu compelido a gastar dinheiro nas versões completas. O dano só não foi maior porque os jogos, em quase sua totalidade, também eram lançados para Android.

O que pode ter pesado para a Alibaba ter feito o investimento foi a aliança da Ouya com a Xiaomi, que assinou para colocar a tecnologia do console em Smart TVs e set-top boxes.

A recepção decepcionante nos EUA e a concorrência de outros consoles muito mais poderosos na mesma faixa de preço, como o Fire TV, da Amazon, parecia ter o destino do Ouya selado. Mas a abertura do mercado chinês para os consoles pode ser justamente a chance da companhia ganhar fôlego.

O mercado chinês é extremamente carente de jogos eletrônicos. Fora a pirataria de consoles antigos, e os jogos que recentemente chegaram com smartphones e tablets, não existia muita coisa por lá. Mesmo com um rígido controle de natalidade, a China tem muitas crianças. Com salário apertado (e lá as coisas são difíceis), um console de baixo custo, mesmo defasado tecnologicamente, tem tudo para decolar. Afinal, é só espetar na TV (que todo mundo tem), conectar um ou dois controles e a criançada já fica satisfeita. Some a isso acesso à web, redes sociais e algum serviço de vídeo e lá está um produto campeão.

Claro, o Ouya não passa nem perto de um PlayStation 3 ou Xbox 360, que dirá de um console de última geração. Mas o foco não é esse. Estamos falando em bilhões de consumidores com pouco dinheiro na mão.

Para a Alibaba, US$ 10 milhões não é nada. Como o mercado tem muito potencial, é uma aposta segura e uma forma de diversificar os negócios. É também bom lembrar que que cada console vendido na China pode trazer uma lojinha do Alibaba, mais uma oportunidade de vendas online.


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