Asus Transformer T100 desafia relação custo-benefício [análise]

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Uma das coisas mais fascinantes da tecnologia é que, a qualquer momento, concepções anteriores podem ser totalmente demolidas. O que era impossível passa a ser possível, as verdades são provadas equivocadas… enfim, o jogo nunca é o mesmo. A sensação depois de fazer um longo teste com o 2 em 1 Transformer T100 da Asus

Uma das coisas mais fascinantes da tecnologia é que, a qualquer momento, concepções anteriores podem ser totalmente demolidas. O que era impossível passa a ser possível, as verdades são provadas equivocadas… enfim, o jogo nunca é o mesmo.

asus transformer t100

A sensação depois de fazer um longo teste com o 2 em 1 Transformer T100 da Asus foi justamente de mudança de jogo. Primeiro porque foi a primeira vez que fiquei realmente confortável em abandonar um notebook convencional para trabalhar. Segundo porque o fiz com um tablet que roda Windows 8.1(!), Atom(!!) e só 2 GB de RAM(!!!).

Explico as exclamações. Eu sou daqueles puristas que juraram jamais instalar o Windows 8 em nenhuma máquina. Vivo feliz da vida com o Windows 7 e não preciso de nenhuma outra versão do sistema da Microsoft. Tentei usá-lo, mesmo com telas sensíveis ao toque, e achei horrível.

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Com o Atom, eu tive momentos traumáticos no passado. Logo no começo dos netbooks, eu usei um bichinho com Atom e foi tenebroso. Um mar de lentidão. Tudo bem que ele tinha só 1 GB de RAM, mas ainda assim, sofria para fazer o básico do básico. Um aparte em defesa do Atom: minhas últimas experiências com chips da linha, pelo menos em smartphones foram ótimas. Primeiro foi com um Motorola Razr i, e no momento, com um Asus Zenfone 5. Mas, com um notebook, só tinha o trauma do passado.

Aí, os 2 GB de RAM. Eu fiquei mal acostumado. Minha máquina de trabalho principal é um notebook AMD A10 com 12 GB de RAM, que tem tanta memória que eu nunca sinto falta. Essa obsessão veio da minha máquina anterior, um note Core i5 de segunda geração que sofria com 6 GB. Imagine meu receio de usar só 2 GB…

Pois bem, respirei fundo, deixei meus preconceitos de lado e abri a caixa do Transformer T100 que o pessoal da Asus havia me mandado. O Transformer tem esse nome porque ele é um tablet que, conectado a um teclado, opera como um netbook. Não tem nada a ver com aqueles tablets que usam tecladinhos bluetooth. O teclado tem uma espécie de pinça metálica que abraça firmemente o tablet e forma uma peça única, sem fragilidade.

asus t100 1

Aliás, a própria noção de tablet é debatível, dependendo do referencial. Sim, o T100 é um tablet pois trata-se de um dispositivo com tela sensível ao toque onde todos os componentes estão na área da tela. Porém, ele não tem absolutamente nada a ver com os tablets com iOS e Android. Explico:

Por mais bacana que seja o iPad, ele não é muito bom para se trabalhar. Ele depende de apps nativos, na ausência desses, quase sempre de um computador para transferir e gerenciar arquivos. Se o usuário quiser fazer qualquer configuração mais profunda que a do menu do iOS, só modificando o sistema. É um tablet legal, mas muito limitado para o uso profissional.

O Android tem um monte de opções de tablets, uns poderosos, outros horrendos. O sistema é bem mais flexível que o iOS, mas ainda depende de um computador para alterações e configurações mais radicais.

O Transformer T100 não tem fricotes. É Windows puro, sem nenhum parentesco com aquele acidente de trem que é o RT (a versão super limitada que a Microsoft lançou para processadores ARM), é o bom e velho companheiro de guerra, com direito a janela de comando e todos os atalhos de teclado que são familiares.

Ter o poder de Windows em um tablet muda completamente a experiência de uso. Não me senti limitado em momento algum. Mesmo quando precisei realizar tarefas menos amigáveis, como entrar no prompt e liberar o IP da máquina via linha de comando, tudo aconteceu exatamente como devia em um notebook normal. Achar as opções de rede e estabelecer um vínculo de conexão bluetooth com meu smartphone foi feito com 3 cliques usando o menu clássico.

A única dificuldade que senti foi com a ausência do menu Iniciar completo e do clique direito do mouse. Na maioria das vezes, segurar o dedo na tela faz aparecer o menu contextual do botão direito, mas nas aplicações mais antigas (Windows 7 e além) nem sempre isso acontecia. Resolvi a questão com um app maroto: o TouchMousePointer. Ele fica na barra inferior da área de trabalho clássica e, com um toque, faz aparecer um trackpad virtual. Mais um toque e ele some. Lindo. O meu problema do menu Iniciar eu resolvi com o Classic Shell, que baixei no Ninite.

Agora, falando de hardware. Ele tem um Intel Atom Z3775 quad core Bay Trail rodando a 1,46 GHz, 2 GB de memória RAM, 32 GB de armazenamento SSD (com 20 GB disponíveis), HD de 500 GB embutido no teclado, Bluetooth 4.0, Wi-Fi N e processador gráfico Intel HD Graphics Gen7. Ele também tem suporte para cartão microSD de até 64 GB. Na parte tablet, o T100 tem uma saída HDMI micro (a mesma que os smartphones tinham há alguns anos), uma USB micro (que serve para carregar o aparelho) e de fone de ouvido.

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O processador é incrivelmente ligeiro. Além de dar conta de todo o trabalho básico (textos, web, programas de escritório, ambiente corporativo), ele encarou sem medo vídeos em alta definição sem titubear. Espetei um cabo HDMI micro nele, coloquei em uma TV de alta definição e consegui, sem o menor esforço, assistir a filmes, com som, a 1.080p sem problema. Apresentações de Power Point, mesmo aquelas cheias de efeitos a 60 quadros por segundo, ele tirou de letra. A Intel mandou muito bem.

Eu esqueci dos 2 GB de RAM até perder a cautela em usar o tablet. Nas duas primeiras semanas, fui com cuidado, deixando no máximo 5 abas do Chrome abertas e só o Paint.net (um programa de edição de imagens) rodando. Depois perdi o pudor e saí usando o coitado como estava acostumado a usar meu A10. Com 15 abas, Paint.net (com uma foto enorme), Word, Power Point, Skype, rodando MP3 e Twitter, ele protestou, reclamando de falta de memória. Eu forcei muito o limite dele. Mas não travou. Fechei 8 abas e ele continuou, guerreiro. O limite do Chrome foram 22 abas, para ele reclamar do abuso. Mas, até aí, quem em sã consciência usa a máquina desse jeito para trabalhar?

A tela, de 10,1 polegadas, tem as bordas grandes demais, mas com bom ângulo de visualização. A única mancada: é um imã de impressões digitais. A Asus poderia ter usado algum revestimento oleofóbico, como em seus smartphones, para evitar o festival de marcas de dedos.

A parte de trás da tela é de plástico sólido, e sofre do mesmo mal da parte da frente, a atração fatal por marca de dedos. Eu precisei me acostumar a andar com um paninho de microfibra, tamanho é o problema.

O peso da parte tablet não chega a ser grande (0,55 kg), mas é bem mais que o iPad. Porém, vamos lembrar, esse é um computador que roda Windows, então isso não incomoda.

A parte do teclado, que serve de suporte para o tablet, tem uma entrada USB 3.0 e dentro traz um HD de 500 GB (465 GB utilizáveis). Essa é uma sacada de gênio da Asus. Como é muito mais lento – e barato – que a memória flash, o HD pode ser usado como arquivo morto. Assim, a memória da parte tablet não fica entulhada de coisas e o desempenho não se deteriora.

O teclado em si é pequeno, mas surpreendentemente confortável. Demorei uns dias para pegar o jeito, mas depois foi tranquilo.

A porta USB, de alta velocidade, também serve para carregar o smartphone. Veja, a bateria fica na parte tablet, não no teclado. O teclado poderia ter uma bateria extra? Claro, mas nunca que o T100 custaria o que custa. Fora que, com a autonomia que tem, para que outra bateria?

A Asus diz que o T100 pode chegar a mais de 11 horas de autonomia. Eu consegui mais de 9 horas, com uso intenso, brilho em 40% e Bluetooth ligado. O veredicto? Impressionante. Dá para trabalhar o dia todo sem precisar procurar uma tomada. Só por isso, o T100 já valeria uma olhada com carinho dos gestores de TI, mas tem mais o que considerar.

Imagine um escritório sem paredes, só com baias, com, digamos, 50 máquinas. Você já parou para pensar no barulho que as ventoinhas dos computadores, mesmo notebooks, fazem? E no calor que todas essas máquinas dispersam no ambiente? O T100 não faz absolutamente nenhum som, pois não tem ventoinha. Claro, o HD do teclado faz o som baixinho de disco rígido, mas não aquele ruído de secador de cabelo miniatura, que multiplicado por algumas dezenas, faz do ambiente de trabalho uma cacofonia.

A dispersão de calor do T100 é mínima. Sim, ele esquenta quando está trabalhando pesado, mas não passou de 40 graus, e isso só em 5% do tempo. Em uso normal, ele não passou da temperatura ambiente.

Na ponta do lápis, um departamento que atualmente usa notebooks, ou uma equipe que seja, que adote o T100 pode significar uma redução significativa no consumo de energia, tanto da máquina quanto na refrigeração do ambiente. Em vez de colocar um notebook de R$ 3 mil na mão de um único funcionário que precisa se deslocar, é possível alocar quase dois Transformers, com virtualmente nenhum prejuízo de produtividade. Na verdade, sua versatilidade no modo tablet é até um bônus. E o melhor é que ele não parece um computador baratinho, daqueles de bacião de hipermercado. Ele tem pedigree profissional e se comporta como tal.

O Transformer T100 utiliza um pequeno carregador proprietário, com plug USB micro. A princípio, me animei pensando que qualquer carregador, de smartphone ou iPad, o carregaria, mas descobri que o bichinho é exigente: se não for com seu carregador, de 3 amperes, ele vai levar um dia inteiro para carregar. Com o carregador original, não leva mais que duas horas e meia. Chato? Muito, mas vamos lembrar: o iPad, quando surgiu, não carregava de jeito nenhum fora do carregador original. O mesmo com os tablets da Samsung. Pesquisando, descobri que o Transformer T100 usa a última palavra em barramento de energia via USB, que quase nenhum carregador do mercado suporta. Pelo menos por enquanto. Quando essa eletrônica vier incorporada, ele carregará sem problemas, mesmo em amperagens menores.

Após algumas semanas, a Asus precisou pegar de volta o T100. Como bateria do meu A10 começou a falhar (não durava nem 30 minutos) e, vendo que uma nova custava R$ 500, ponderei pelo T100.

O preço sugerido pela Asus é de R$ 1.699, mas é possível encontrar boas promoções online. Eu consegui achar um por pouco mais de R$ 1.100 em várias vezes sem juros. Me joguei e desde a primeira semana de janeiro uso meu pequeno transformável.

A única coisa diferente que fiz com ele foi tentar rodar alguns jogos, com resultados impressionantes. O último jogo que rodei nele foi Double Dragon Neon, na TV da sala, a 1.080p, com dois jogadores simultâneos, usando dois controles. Agora me divirto rodando minha biblioteca do Steam para ver quando ele vai pedir água. Pois é, eu sei que isso não é nada corporativo, mas se até para jogar dá, é sinal que o computadorzinho é mesmo valente para trabalhar.

Espetei um microSD de 64 GB e ele ficou ainda mais esperto. O gerenciamento de memória do T100, seja pelo hardware ou pelo software, é muito bom.

O Transformer T100 é um tablet versátil, que tem bastante do legado dos netbooks (que foram invenção da própria Asus) e funciona muito bem como notebook. A tela é relativamente pequena, mas em compensação a enorme autonomia de bateria, aliada ao desempenho honesto, fazem dele um aparelho interessante para ser usado em escritórios, em atividades mais simples, e especialmente por equipes de campo. E como roda Windows, é uma tranquilidade para os departamentos de TI, que não precisam alocar mais recursos nem pessoal especializado para lidar com iOS nem Android.

Não é o computador dos sonhos do diretor da empresa, mas nem é para ser. A Asus mesmo tem outras máquinas, que apresentou há algumas semanas, com o mesmo conceito do T100, mas de categoria muito mais elevada.

Pelo que custa, o Transformer T100 entrega mais que o esperado. E no final, tanto para o gestor de TI como para o consumidor, é isso que faz a diferença. Recomendado.


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