Micromax planeja investimentos para bater rivais

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A fabricante de smartphones indiana Micromax quer angariar mais capital para conseguir se distinguir das empresas rivais. Atualmente, a Micromax é líder em seu país, considerado o segundo mercado mais importante do mundo. A empresa considera as hipóteses de investimento estrangeiro, para desenvolver software para complementar os celulares, que já estão disponíveis em 21 línguas

A fabricante de smartphones indiana Micromax quer angariar mais capital para conseguir se distinguir das empresas rivais. Atualmente, a Micromax é líder em seu país, considerado o segundo mercado mais importante do mundo.

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A empresa considera as hipóteses de investimento estrangeiro, para desenvolver software para complementar os celulares, que já estão disponíveis em 21 línguas locais indianas, tal como diz o CEO da empresa, Vineet Taneja, à Bloomberg.

A Micromax espera conseguir um total de US$ 2 bilhões, no final do ano fiscal, que para a empresa termina este mês. O valor representa um aumento de US$ 1,2 bilhões em comparação com o ano passado.

A empresa oferece dispositivos com preços acessíveis, o que já fez com que se tenha destacado no mercado indiano de smartphones. Agora, uma das principais metas é conseguir ultrapassar rivais, como a Xiaomi, através do desenvolvimento de aplicativos que satisfazem as demandas de serviços dos consumidores locais.

No entanto, a Micromax não diz de quanto investimento estrangeiro precisará. Em 2011, a Micromax já tinha feito uma venda de ações de US$ 75 milhões, que fez com que a companhia atingisse uma valorização de cerca de US$ 1 bilhão. Na época, a Micromax reportou menos de um quarto das previsões de vendas atuais.

Mas não é só a Xiaomi que rivaliza com a Micromax. Também a Samsung é uma concorrente da empresa no mercado indiano, fazendo com que até os analistas de mercado fiquem com dúvidas sobre quem é o líder atual. Ainda assim, no último trimestre, as estimativas apontavam para a Micromax com 22% de mercado e a Samsung muito próxima, com 20%. A meta da Micromax passa por conseguir assegurar 30% do mercado de smartphones indiano até ao fim do próximo ano fiscal.

A Índia tem um potencial de mercado monstruoso. Com 1,2 bilhões de habitantes, o país rivaliza com a China em número de habitantes (1,4 bilhões) mas com uma diferença crucial: a penetração dos smartphones ainda é pequena. Estima-se que o número de assinantes móveis beire um bilhão de pessoas, mas apenas 120 milhões possui smartphone.

Assim como na China, em que as marcas locais atropelaram a concorrência mundial, na Índia a cultura particular do país tem impulsionado a Micromax. Uma gigante como a Samsung tem força de mercado, mas perde no braço de ferro contra um player local, que fala as línguas locais e entende como o indiano pensa.

Investindo em aplicativos próprios, que façam sentido para o indiano, a Micromax pavimenta o caminho para crescer e tomar conta de um mercado difícil para estrangeiros.

A Micromax também segue os passos da Xiaomi, que começou com os celulares e hoje vende uma infinidade de produtos de alta tecnologia. Além dos smartphones, a companhia oferece TVs, modems 3G/4G e tablets.

A companhia tem muita chance em mercados emergentes, onde o custo-benefício é crucial.  Bangladesh, Sri Lanka, Nepal e Russia já contam com operações da Micromax. Mas o grande segredo em mercados com margens muito pequenas é criar demanda por serviços de baixo custo, que monetizem a operação e criem demanda pelo uso dos aparelhos. E é aí que os investimentos da Micromax vão.

Finalmente, os smartphones tem um papel crucial na disseminação da cultura digital na Índia e na propagação do conhecimento formal. Muita gente só veio a ter contato frequente com a internet graças aos smartphones, pois os computadores tem preço proibitivo para a maioria da população, em especial em regiões mais carentes. Se jogar bem, a Micromax pode, ao mesmo tempo que ganha muito dinheiro, ajudar a promover uma revolução cultural na juventude indiana e trazer real benefício para o país, que vai além da geração de riqueza.


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