Corte orçamentário do Governo atinge TI do Banco Central

OperadorasProjetosRedesSetor Público

A autoridade bancária restringiu o acesso e a conexão de funcionários à internet para reduzir os gastos, em meio aos cortes promovidos no orçamento da União. Em um aviso interno enviado por e-mail aos servidores e que foi acessado pela agência de notícias Reuters, o chefe do Departamento de Tecnologia da Informação (Deinf) do Banco

A autoridade bancária restringiu o acesso e a conexão de funcionários à internet para reduzir os gastos, em meio aos cortes promovidos no orçamento da União.

Banco Central de Brasília

Em um aviso interno enviado por e-mail aos servidores e que foi acessado pela agência de notícias Reuters, o chefe do Departamento de Tecnologia da Informação (Deinf) do Banco Central (BC), Marcelo José Yared, comunicou a alteração do acesso a sites externos, em especial aos que geram consumo excessivo de dados. A medida passou a valer no começo desta semana.

Segundo o documento eletrônico que circulou na rede interna da instituição, as mudanças ocorreram “em razão das restrições orçamentárias adotadas pelo banco e com foco na redução dos custos de TI”. Com as alterações, os funcionários não podem mais acessar livremente sites e portais de notícias, mas apenas aqueles cujo conteúdo integral é “de interesse do serviço e do erário público”.

O acesso aos demais endereços, inclusive seções de economia dentro de portais de notícias, por exemplo, ficou sujeito a uma cota de tempo de até 60 minutos por dia, por servidor. O presidente do sindicato dos funcionários do Banco Central (Sinal), Daro Piffer, criticou a investida por meio de nota, estimando uma economia financeira pouco expressiva diante das responsabilidades que o BC têm na regulação do sistema financeiro nacional. “Enquanto o mercado está aparelhado de sistemas e conta com serviços de informação instantânea, o BC trabalha no escuro e paga por esse prejuízo”, afirmou Piffer.

“As movimentações atípicas no sistema financeiro, boatos, decisões de política de governo, ataque especulativo à moeda, todos esses riscos são rastreados e identificados com base no conteúdo que trafega na internet, inclusive nos portais de notícia que entraram no novo modelo de navegação imposto aos servidores”, completou o sindicalista.

Até agora o Banco Central não comentou o assunto. No início deste mês, a autoridade monetária também vedou a realização de viagens com propósito de treinamento, desenvolvimento e aperfeiçoamento de pessoal, além de participação em reuniões custeadas pelo pela entidade. A regra não se aplica à presidência e diretoria da autarquia, apenas aos níveis gerencial e operacional.

As restrições ocorrem em um momento no qual o governo federal busca diminuir os gastos da máquina pública para conseguir cumprir a meta de superávit primário de R$ 66,3 bilhões programada para este ano, ou 1,1% por cento do Produto Interno Bruto (PIB). Nos quatro primeiros meses de 2015, o resultado primário do governo central (Tesouro, Banco Central e Previdência Social) ficou positivo em R$ 14,593 bilhões, o pior resultado para o período desde 2001.

Os cortes previstos pela administração da presidente Dilma Rousseff, prevê uma economia de até R$ 69 bilhões até 31 de dezembro de 2015. O corte é considerado pelo próprio governo como o maior já realizado na história do país e penaliza áreas sensíveis como saúde e educação, com R$ 12 bilhões e R$ 9,5 bilhões, a menos no caixa de ambas, respectivamente.


Clique para ler a bio do autor  Clique para fechar a bio do autor