Google apresenta software brasileiro utilizado por estudantes com deficiência de fala

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Um projeto da rede municipal de ensino da cidade de Recife (PE), permitirá que os alunos com deficiência na fala se comuniquem em sala de aula, por meio do Livox, sistema que foi atraiu a atenção do Google e foi apresentado em sua conferência anual, a Google I/O. O evento, realizado esta semana, exibiu a

Um projeto da rede municipal de ensino da cidade de Recife (PE), permitirá que os alunos com deficiência na fala se comuniquem em sala de aula, por meio do Livox, sistema que foi atraiu a atenção do Google e foi apresentado em sua conferência anual, a Google I/O.

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O evento, realizado esta semana, exibiu a história de um estudante do 5º ano do ensino fundamental de uma escola na Grande Recife, que não fala e tem severas limitações motoras e cognitivas. Há um ano, o jovem toca a tela de um tablet com a aplicação Livox instalada, para expressar emoções, necessidades e desejos de se alimentar e tomar banho, por exemplo.

O software contém um catálogo de 20 mil imagens que podem ser utilizadas em conjunto com textos e também permite o acesso a atividades culturais como filmes, desenhos e músicas. Por meio dessa tecnologia, o aluno que testou a tecnologia conseguiu aprender a ler e adquirir vocabulário, bem como estudar matemática, em uma rotina diária acompanhada na sala de aula por professores e colegas. Até 2016, o projeto pretende beneficiar cerca de cinco mil estudantes com o acesso ao Livox para educação e convívio social na capital pernambucana.

De acordo com a mãe do rapaz que testou o sistema primeiro, o software melhorou o convívio do filho com as pessoas, já que antes a comunicação se restringia aos parentes próximos, por meio de sinais criados dentro contexto familiar. A mulher indica que o filho consegue agora se expressar e dizer o que deseja para mais pessoas além dela. Dessa forma o círculo de amizade dele aumentou, já que é possível carregar o sistema em um dispositivo, independente para onde for.

O projeto que promove inclusão social e acesso à educação de pessoas despertou o interesse de executivos do Google. Uma equipe de executivos dos EUA foi à Recife para produzir um documentário sobre o sistema Livox, exibido na conferência anual da empresa. “A ideia é mostrar um bom exemplo de como as tecnologias do Google podem ser usadas para melhorar a vida das pessoas”, explica o CEO da empresa Agora Eu Consigo Tecnologias de Inclusão Social e criador do projeto Livox, Carlos Pereira. A empresa que ele dirige desenvolve soluções para a inclusão social de pessoas com deficiências e convivência restrita apenas ao contexto familiar.

Segundo Pereira, o Livox – sigla para Liberdade em Voz Alta – é baseado em algoritmos inteligentes, com destaque para o IntelliTouch, tecnologia que identifica e se ajusta a diferentes graus de deficiência motora, cognitiva e visual, capaz de corrigir o toque impreciso na tela do tablet da pessoa com deficiência ao selecionar uma imagem ou palavra do aplicativo. O teclado virtual da ferramenta fala automaticamente por comando de voz palavras ou frases que estão sendo digitadas, o que possibilita a comunicação do usuário com outras pessoas. O software permite a criação de pranchas com imagens personalizadas e o compartilhamento do conteúdo entre tablets com a ferramenta instalada.

A decisão de criar o Livox em 2011 atendeu a uma necessidade de superar as dificuldades de comunicação de Carlos Pereira com a sua filha, Clara Pereira, portadora de paralisia cerebral decorrente de um parto e a primeira criança brasileira a fazer tratamento com células-troncos, em 2009, na China. Antes, a comunicação com a garota era feita por meio de um catálogo de “falas”, ditas em voz alta de acordo com sua seleção. No caminho até uma solução viável, o analista de sistemas pediu auxílio a desenvolvedores internacionais para criar uma solução em português que providenciasse autonomia à Clara, mas não conseguiu, e implantou uma clínica de fisioterapia no Recife, da qual é diretor, para beneficiar o a evolução da condição de sua filha e da população local, com o apoio de investidores estrangeiros.

A plataforma foi eleita como a melhor aplicação de inclusão social do mundo pela Organização das Nações Unidas (ONU) e a inovação tecnológica de maior impacto em 2014 pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Atualmente, o sistema se comunica em 25 idiomas e atende 10 mil usuários pelo mundo, entre famílias e instituições de assistência, como a brasileira Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE). A ferramenta é estudada pelo centro de pesquisas para as áreas de de cabeça e pescoço e UTI do Hospital das Clínicas, o maior da América Latina, localizado em São Paulo.


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