“Inovação não é luxo, precisa ser encarada como estratégia”

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Espécie de guru dos conceitos de inovação, o norte-americano John Kao afirmou durante entrevista, no 6º Congresso de Inovação da Indústria indicou que as companhias precisam deixar de achar que inovar é algo supérfluo, “uma espécie de luxo para o negócio. O especialista, que presta serviços de consultoria de estratégias em inovação à diversas companhias,

Espécie de guru dos conceitos de inovação, o norte-americano John Kao afirmou durante entrevista, no 6º Congresso de Inovação da Indústria indicou que as companhias precisam deixar de achar que inovar é algo supérfluo, “uma espécie de luxo para o negócio.

John Kao - CEO da EdgeMakers

O especialista, que presta serviços de consultoria de estratégias em inovação à diversas companhias, indica que é preciso definir inovação dentro da cultura da companhia, para, de fato, inovar. “O dicionário define inovação como ‘criatividade aplicada a algum motivo para gerar valor’ e é uma boa definição. Mas a minha própria definição é que inovação é um conjunto de habilidades que permitem a realização de um futuro desejado. O que isso realmente quer dizer é que a inovação não é seguir um livro ou uma fórmula.

Kao conta que esse é um jeito de fazer as coisas que requer muita prática e experiência, assim como, por exemplo, tocar piano, já que se trata de algo que se faça imediatamente. “Tem que haver um motivo. Pensar no futuro desejado, no que você quer ser, torna uma estrela guia ou a motivação para o trabalho inovador. E continuamente. Muita gente pensa: “vou fazer uma estratégia de inovação e depois acabou”, quando, na verdade, inovação é algo que você precisa fazer o tempo todo. A ideia popular de que inovação é um rompante de inspiração não está correta. Inspiração é uma parte do processo, mas uma pequena parte. Inovação não é invenção. Pode ser sobre criar algo novo, mas apenas quando essa coisa nova é posta em prática”, afirma.

Para o especialista, o papel da inovação em tempos de crise econômica ajudou o Vale do Silício, nos Estados Unidos, a se tornar extremamente inovador e por isso novas coisas aconteceram. “Pense em mídias sociais, computador pessoal. Todos começaram em períodos de recessão. Assim, pode-se dizer que períodos de crise são particularmente especiais para a inovação. Primeiro, há capacidade extra, menos gente trabalhando, mais desempregos, recursos na sociedade que podem não estar sendo utilizados por causa do revés econômico”.

Dessa forma, cria-se mais flexibilidade para fazer coisas novas. Isso ocorre porque, segundo ele, quando as coisas estão bem, as pessoas querem fazer aquilo que sabem fazer. Muitas vezes, em tempos difíceis, as pessoas pensam que é preciso apertar (as contas), gastar menos em coisas extras, quando, na verdade, esse é exatamente o momento em que é se deveria gastar mais em inovação.

“Em Cingapura, durante a última crise econômica, o primeiro-ministro disse: ‘o país está em recessão e por isso devemos investir ainda mais em inovação’. Esse é um exemplo de liderança que realmente entende o conceito. Atualmente, há cerca de 50 países que têm estratégias e planos nacionais de inovação. Recentemente, estive na China. Os chineses estão gastando meio trilhão na sua estratégia nacional de inovação. Não é apenas um discurso, é real”, lembra.

Ele finaliza, indicando que os países, “assim como as empresas, são diferentes e estão tentando descobrir seu caminho, mas o importante dessa era da história é que a inovação não é mais considerada um luxo ou algo abstrato”. Sua consultoria e a relação para o Brasil, o guru ressalta que ainda lidera uma companhia muito jovem, mas está progredindo implementação do projeto, em regiões como os países da América Latina.

“Somos muito ativos na Colômbia e nos Estados Unidos e estamos em discussões profundas com outros países. No Brasil, sentimos que, porque o país declarou que inovação é muito importante como uma agenda estratégica, queremos trazer o Edge Makers para o país. Queremos organizar projetos pilotos em sistemas educacionais. Estamos, por exemplo, conversando com a CNI. Temos maneiras de distribuir o projeto em escolas e em espaços corporativos. Estamos começando a implementação agora, mas, se tudo der certo, nos próximos meses ouviremos muito mais sobre o Edge Makers”, conclui.


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