Chinesa Xiaomi chega agressiva ao Brasil

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A gigante Xiaomi, que em cinco anos chegou ao topo do mercado chinês de smartphones e só recentemente foi desbancada pela Apple, finalmente anunciou o início com força total de suas operações em território nacional.

O que faz da Xiaomi diferente, e não mais uma das inúmeras fabricantes “xing ling” que tentam a sorte todos os anos é uma filosofia de trabalho que dá nó na cabeça de muita gente grande no ocidente.

Apresentada pelo brasileiro Hugo Barra, vice-presidente internacional da Xiaomi, que comanda a expansão mundial da empresa, a empresa vem com um produto intermediário e preço bem agressivo, cerca de R$ 500. Assim como na Ásia, a empresa quebra alguns paradigmas: opera quase que exclusivamente por por e-commerce, trabalha com margens baixas e volume alto e praticamente toda a sua comunicação é feita por redes sociais.

A chinesa terá como parceira de manufatura no Brasil a Foxcomm, que já trabalha nos primeiros aparelhos. Um primeiro lote, cuja quantidade não foi revelada pela Xiaomi, foi trazido para suprir a primeira leva do lançamento. Fontes próximas do assunto, que pediram para não serem identificadas, falaram À B!T que serão 8 mil unidades iniciais, um número minúsculo dado o tamanho do mercado brasileiro.

A Xiaomi também não se arrisca na hora de vender: colocou a operação da loja virtual nas mãos da B2W, dona da Americanas.com e Submarino.com. De saída, se livrou da dor de cabeça operacional e logística que poderia ter começando do zero. Bom movimento, afinal, para que reinventar a roda se já tem gente que sabe rodá-la em alta velocidade?

O alvo inicial da Xiaomi é o segmento médio do mercado, em que Motorola e Asus estavam nadando de braçada. Se um Moto G, a R$ 700 já fez barulho, e um Zenfone estremeceu a percepção de valor com 5 polegadas e câmera acima da média, certamente um Redmi 2 (o modelo da chinesa) custando R$ 500 vai deixar as coisas feias para os lados das coreanas.

Uma presença que chamou a atenção no lançamento da operação da Xiaomi foi de Rafael Steinhauser, Presidente da Qualcomm para a América Latina. Certamente não foi mera cortesia profissional. Em toda a comunicação visual da Xiaomi estava a marca da Qualcomm e do processador Snapdragon, que equipa o Redmi 2 e mais de 20 aparelhos comercializados globalmente pela chinesa.

À B!T, Steinhauser declarou que a chegada da Xiaomi é importante pois “o smartphone é instrumento vital ara acesso à banda larga no Brasil”. Para o executivo, aparelhos de qualidade nesse preço aproximam a população da tecnologia e permitem uma experiência de qualidade. Steinhauser também enfatizou a importância do Redmi 2 ser o primeiro aparelho de sua categoria com total compatibilidade com 4G: “os celulares precisam de todas as bandas. Porque na quarta banda de LTE, é fundamental que o telefone possa aproveitar todas as redes.”

Hugo Barra terminou a apresentação à imprensa pontuando sobre o delicado momento econômico que o Brasil atravessa. “Smartphone é uma necessidade básica hoje. Trazer para o país a filosofia de tecnologia para todos é o máximo que podemos fazer. Nesse momento, isso é muito relevante. Acho que vai dar muito certo.”


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