Corrida por inovação eleva a níveis recordes as aquisições no setor de TI

EmpresasGestãoNegóciosResultados

Depois da crise financeira, os líderes empresariais ainda passaram anos com receio de negociar fusões e aquisições. Agora, eles se sentem compelidos a agir.

Empresas estão se fundindo num ritmo que não é visto em quase uma década, segundo analistas. Um total de US$ 2,5 trilhões em fusões e aquisições já foi anunciado desde o início do ano até agora, de acordo com um levantamento realizado pela companhia de dados, Dealogic.

Isso pode fazer de 2015 o ano de maior volume desse tipo de negócios já registrado na história da indústria de tecnologia, ultrapassando 2007, quando empresas fizeram acordos que alcançaram os US$ 4,3 trilhões.

A tendência é alimentada, em parte, pelo temor dos executivos de ficar para atrás de concorrentes que se tornam mais eficientes por meio desses acordos de fusão. Em muitos casos, as empresas receiam que, se não ganharem corpo com aquisições, elas mesmas podem acabar virando alvos de compradores.

Em setores que vão desde mídia até cuidados com a saúde, gerentes, diretores e presidentes de empresas estão correndo para fechar aquisições, geralmente em um movimento de antecipação às iniciativas dos rivais ou em resposta a elas. O realinhamento resultante nas empresas afeta executivos, funcionários, clientes e fornecedores.

Essa onda de atividade teve início no começo do ano passado, impulsionada por empréstimos baratos, abundância de caixa e ações em alta. A relativa estabilidade da economia também deu mais confiança aos executivos e, quando os rivais começaram a fazer negócios, a corrida teve início. Agora, muitos conselhos de administração estão discutindo aquisições.

“Há uma competição crescente e pressão estratégica para agir”, disse um dos diretores de fusões e aquisições globais do Goldman Sachs, Gregg Lemkau, ao pelo Wall Street Journal. O banco norte-americano vem sendo o principal consultor para aquisições neste ano, com mais de US$ 700 bilhões em negócios assessorados.

Lemkau diz que, considerando outros grandes negócios em andamento, 2015 pode acabar sendo o ano de maior volume de fusões e aquisições da história. Certos setores se tornaram um terreno fértil para grandes negócios. A indústria de semicondutores, por exemplo, foi alvo de três acordos substanciais num período de apenas três meses.

Em março, a holandesa NXP fechou a compra da Freescale, ambas de semicondutores, por US$ 11,8 bilhões. Depois, a Avago Technologies, de Cingapura, adquiriu a americana Broadcom, players do mesmo mercado de componentes, por US$ 37 bilhões, na maior aquisição de uma empresa de tecnologia norte-americana.

E a Intel, por sua vez, comprou a também americana Altera, em um acordo avaliado em US$ 16,7 bilhões. Pessoas envolvidas em todas essas aquisições dizem que fabricantes de chips estão tentando ganhar escala para resistir melhor aos custos crescentes do setor de semicondutores — e evitar ser superadas por rivais fortalecidas por suas próprias aquisições.

Mas nem tudo são flores no segmento. Quando as aquisições não têm o resultado esperado, os acionistas podem acabar sendo punidos por isso. A lição ficou clara na malfadada compra da Autonomy pela HP, em 2011, e na fusão entre a America Online e a Time Warner, em 2000.

Nos dois casos compradores e vendedores ficaram insatisfeitos, acionistas se sentiram lesados após a conclusão das negociações e até os funcionários foram atingidos, já que os cortes de pessoal são uma marca registrada das sinergias e consequentes economias, típicas das fusões e aquisições.


Clique para ler a bio do autor  Clique para fechar a bio do autor