Apple desaponta investidores e ações caem quase 7 por cento

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Imagine-se um cenário em que uma das maiores empresas do mundo anuncia um recorde nas vendas, só que vê os investidores fugindo. Parece impensável, mas foi o que aconteceu com a Apple depois de ter revelado os resultados do terceiro trimestre, do seu ano fiscal, esta terça-feira.

A gigante tecnológica vendeu 47,5 milhões de unidades do iPhone no último trimestre, mais 35% do que em igual período de 2014. Além disso, registrou um aumento dos lucros em 38%, chegando a US$ 10,7 bilhões. Mas aquilo que podia parecer um resultado positivo afugentou os investidores.

Na negociação pós-mercado, as ações estavam em queda de 7%, tendência que se confirmou na abertura da bolsa de Nova Iorque desta quarta-feira, com as ações da empresa a descerem 6,7%, para US$ 121,99 por papel.

A verdade é que os analistas esperavam mais da Apple. Por exemplo, Rod Hall, analista de tecnologia na JP Morgan, previa vendas de iPhones a rondar os 49 milhões de unidades, segundo o jornal The Telegraph. Havia analistas a esperar cenários ainda mais positivos, apontando para os 52 milhões de iPhones vendidos.

A explicar a quebra no valor das ações estão também as estimativas pouco animadoras para o próximo trimestre da Apple. A empresa de Cupertino prevê receitas totais a variar entre os US$ 49 e 51 bilhões, abaixo dos US$ 51,12 bilhões, como reportou a Reuters.

Nem mesmo a informação de que as vendas no mercado chinês duplicaram, atingindo um valor de US$ 13,23 bilhões foi suficiente para reverter a decepção causada pelas vendas totais de iPhones.

E o Apple Watch?

Quem está curioso em relação aos números para as vendas do Apple Watch vai ter de esperar. A Apple não avançou com detalhes específicos sobre o desempenho do novo dispositivo, mas Lucas Maestri, CFO da empresa, disse em declarações à Reuters que “ as vendas do Apple Watch superaram as nossas expectativas”.

Segundo o The Telegraph, há relatos de que as vendas do Apple Watch diminuíram 90 por cento depois do sucesso durante as semanas que se seguiram ao lançamento, em abril. Atualmente, a marca da maçã está a vender menos de 20 mil unidades por dia, enquanto na primeira semana este número rondava os 200 mil.

A Teresa Sousa é jornalista da B!T Portugal


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