Brasil fica de fora de acordo global de isenção de tarifas de tecnologia

Negócios

Um acordo entre oitenta países foi assinado na OMC (Organização Mundial do Comércio) para beneficiar a comercialização mundial de 250 produtos de alta tecnologia. Pelo acordo, cerca de US$ 1trilhão em taxas serão isentos, para estimular o comércio entre as principais potências econômicas do planeta.

Desde 1996 que um entendimento mundial do tipo não era celebrado na OMC. Originalmente, apenas 29 países tinham um acordo de isenção tarifária para comercialização de alta tecnologia. Agora, com o novo acordo, cerca de 97% dos países envolvidos na produção e comercialização de tecnologia de ponta serão beneficiados.

O acordo ganhou força no sábado, quando os EUA fizeram algumas concessões à China, que viabilizaram outros acordos do governo de Pequim junto à Coreia do Sul e União Europeia. Dos BRICS, apenas a África do Sul, além do Brasil, está fora do acordo.

A ausência do Brasil no acordo se dá pela política protecionista do governo à indústria do País. Como declarou à Folha o presidente da Abinee (Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica), Humberto Barbato, “caso fisesse parte do acordo de isenção fiscal, não existiria mais indústria eletroeletrônica no país”, citando os baixos preços dos itens chineses, os altos custos de produção no Brasil e o câmbio valorizado dos últimos anos.

Por outro lado, mesmo com o impacto cambial e o peso que a carga tributária tem na competitividade da indústria de ponta brasileira, é inegável que estar fora desse acordo coloca o Brasil à margem do resto dos líderes do planeta.

*editado para esclarecer a posição dos BRICS no acordo


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