Confiança no Brasil e foco marcam momento da Motorola

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Concorrência feroz, dólar agressivamente alto e economia incerta parecem não botar medo na Motorola. A companhia apostou suas fichas mais uma vez na sua estratégia de entregar aparelhos com custo-benefício que desafia a filosofia de mercado dos concorrentes Apple e Samsung.

A B!T conversou com Rick Osterloh, presidente e COO (Chief Operational Officer) da Motorola, e Sérgio Buniac, vice-presidente e gerente geral da companhia para América Latina.

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De imediato, Osterloh fez questão de assegurar que o momento econômico é uma preocupação, mas não um impeditivo:
“estamos seguindo os acontecimentos por aqui, mas tenho certeza que a longo prazo o Brasil vai voltar, a economia vai se fortalecer. E não importa o que aconteça com a economia, a Motorola considera o Brasil um mercado prioritário. Vamos continuar nossos investimentos em desenvolvimento e pesquisa, independente das circunstâncias.

Recentemente, a empresa firmou um grande compromisso no País, investindo R$ 40 milhões em um centro de pesquisas e desenvolvimento que opera com foco não só local, mas também nos mercados da América do Norte, Europa e Ásia.

Quanto a fragmentação do Moto X em dois produtos distintos, existe uma justificativa. De acordo com os executivos, o Moto X Play, mais barato, foi criado para manter a linha no mesmo patamar de preço que os modelos dos anos anteriores. E faz muito sentido.

Na ponta do lápis, o dólar no Brasil deu um salto absurdo e o cenário econômico não facilita as coisas. Como por aqui existem incentivos fiscais para aparelhos que custam até R$ 1.499, um Moto X feito sob medida para se encaixar nesse preço era necessário. O modelo cai como uma luva para o Brasil e outros mercados, mas não será vendido nos EUA, onde o Moto X Style (que lá será vendido como Pure), mais parrudo, será a única oferta. Ainda sem preço definido, irmão mais chique do Moto X Play deve chegar por volta dos R$ 2-2,5 mil, o que não é nada mau levando-se em conta os concorrentes.

A disponibilidade local do serviço MotoMaker, que permite a personalização extrema dos aparelhos, é um dos grandes diferenciais da Motorola e foi um do grandes anúncios. “É uma operação complexa, dá muito trabalho, mas conseguimos fazer acontecer. Já está funcionando. O consumidor brasileiro usa o celular como um acessório de moda, sempre à vista, na mesa, no bolso.. faz sentido dar essa capacidade de escolha para ele”, explicou Sérgio Buniac sobre o serviço.

E como fica o varejista e a operadora nessa história, com tantas opções para comprar direto da Motorola? “É parte do leque de opções do consumidor. Vamos desenvolver edições especiais, exclusivas para os varejistas, tudo é questão de escolha do consumidor. Tem espaço para todos”, esclarece Buniac.

A aquisição pela Lenovo já começa a dar frutos para a companhia, no ponto de vista operacional. “Está nos ajudando com os custos, começamos a unificar nossas compras entre os grupo de PCs e de celulares, ganhamos mais em escala e também temos acesso a novas tecnologias antes”, conta Osterloh. “E começamos a vender com um time de vendas combinado, o que nos ajudou muito em regiões onde não estávamos presentes. Começamos a fazer negócios em países do Leste Europeu, como a Polônia, tem sido ótima essa sinergia.”

Finalmente, e quanto à fragmentação do portfólio de produtos da empresa? O grande trunfo da Motorola foi reinventar-se com uma linha enxuta de aparelhos bons a preço justo. “É sempre um risco, mas estamos bem atentos. Vamos continuar com muito foco, e sem nenhum medo de encerrar o que não faz mais sentido para os consumidores”, assegura Osterloh. “É tudo pensado com cuidado. Se fazemos menos coisas, podemos fazê-las melhor e com mais atenção.”


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