Entrevista da Semana: Asus adapta-se a um “novo” mercado brasileiro

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Marcel Campos, head de marketing da Asus Brasil, conversou com a B!T Magazine em Berlim, por altura da IFA, e explicou como a Asus está-se adaptando a um novo mercado brasileiro que tem vindo a perder poder de compra.

O mercado brasileiro das Tecnologias de Informação (TI) está a sofrer imensas transformações, nomeadamente com o índice de confiança do consumidor a baixar. Marcel Campos, head de marketing da Asus Brasil, explicou à B!T que estas alterações não apanharam a empresa de surpresa. “Já nos adequamos, já esperávamos que isso poderia acontecer”, disse em Berlim, por altura da IFA 2015.

Para fazer face a este momento, a Asus adotou um movimento que o diretor de marketing apelidou de “sensato”. A empresa readequou nomeadamente toda a parte de notebooks, cujo mercado tem vindo a cair bastante, e reajustou igualmente a área de placa-mãe. A aposta surge agora nos smartphones, que apesar de uma forma geral não estar a crescer, ainda é o mais auspicioso.

A Asus lançou recentemente o Zenfone 2, Zenfone 2 deluxe, Zenfone 2 laser e Zenfone 2 selfie e a verdade é que esta empresa tem vindo a conquistar uma interessante reputação no segmento dos dispositivos móveis.

E se no “passado” foi a placa-mãe que dava mais negócio à Asus Brasil, depois passou a ser a placa de vídeo e, quase em simultâneo, os EeePc, fabricados localmente. Mais tarde, entraram em campo os notebooks, que garantiram um rápido e consolidado crescimento do negócio brasileiro. “Na hora que o notebook começou a cair a Asus estava pronta a transicionar para os smartphones. Foi um pouco de sorte, até, em ter o produto certo na altura certa. Poderíamos ter perdido essa janela, mas fomos muito felizes.” Tanto assim que, hoje, a empresa, no mercado do Brasil, vende mais unidades de smartphones que notebooks.

No que diz respeito aos restantes países da América Latina, o Brasil terá sempre como barreira o facto de ser o único que fala português. “Não é uma barreira para o produto, obviamente, mas é para o comportamento. Na hora em que vou fazer um plano de marketing ou até mesmo uma ação, é mais fácil eu concentrar em celebridades locais, em influenciadores locais porque eles estão restritos pela barreira da língua. No Brasil as coisas ficam bem locais”. Um local generosamente grande já que o Brasil tem qualquer coisa como 200 milhões de habitantes.

A Berlim, a Asus trouxe dois produtos que segundo o diretor de marketing fazem “muito sentido” no mercado do Brasil. O primeiro, o Zenfone Zoom, voltado para fotos de alta-qualidade. “Não acredito que vamos fabricar no Brasil, pois é um produto bem premium, mas é um produto que tem de ir para lá pois encaixa no mercado que a Nokia deixou solto.”

Numa outra vertente, os wearables serão também bem recebidos no Brasil, mais concretamente o Zenwatch 2, um produto que já tinha sido mostrado na Computex mas que só agora foi lançado para o mercado. E apesar de ainda não haver “medidas” sobre a venda do denominados wearables, Marcel Campos diz conseguir ver um interessante movimento do varejo na intenção de venda. “Penso que é o primeiro feedback real. Eles estão na ponta e sentem o consumidor mais do que nós. O mercado quer produto”.

Marcel Campos diz que a introdução destes dois equipamentos no Brasil deverá acontecer entre o final deste ano e o início de 2016.

De resto, o desafio vai continuar a ser como disponibilizar um mix grande de produtos para um mercado único. “Sempre foi assim, este paradigma. E as empresas têm muito medo de errar nesse mix”. Esta realidade é ainda mais relevante num país como o Brasil onde a variação cambial é forte. “Saí do Brasil e o dólar estava a 3,58 e quando cheguei à Europa o dólar estava a 3,75”. Atualmente, 99% dos produtos Asus são fabricados localmente no Brasil.

* Susana Marvão é jornalista da B!T em Portugal


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