Rio Info 2015: empresas brasileiras customizam seus domínios na Internet

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As primeiras empresas brasileiras assinam dia 17, no Rio Info 2015, contratos para a utilização de domínios online próprios, deixando para trás o “.com.br” e o “.org”.

*com Filipe Pimentel

A Natura, a Vivo, a Bradesco, a Itaú, a Rede Globo, a Ipiranga e o Uol serão as primeiras empresas do Brasil a embarcarem naquela que será uma grande tendência do mundo online. Ao invés de seus endereços terminaram com os domínios habituais, essas empresas vão podem personalizar sua presença na web, com domínios como “.natura”, “.vivo”, “.bradesco” e por aí adiante.

Esses contratos são assinados amanhã, durante o último dia do Rio Info 2015, com a ICANN (Internet Corporation for Assigned Names and Numbers), uma corporação internacional que regula a concessão de domínios e de números de IP, para além de identificar indicadores públicos da Internet.

Dessa forma, as empresas passam a ter posse total sobre o domínio atribuído. Para que a concessão seja devidamente aprovada, as companhias têm de prestar provas em como têm legitimidade para reivindicar o domínio pretendido, se evitando, assim, casos de fraude.

O responsável da ICANN no Brasil, Daniel Fink, acredita que muitas das empresas reclamam esses domínios personalizados para fortalecer o posicionamento de sua marca na Internet e para salvaguardar a identidade.

Fink, no Rio Info 2015, disse que a ICANN vai criar mais de 1,3 mil novos domínios, ao longo dos próximos anos, em todo o mundo. Alguns desses domínios não mostrarão o nome da marca ou da empresa, mas sim características que a definem, como “.pizza” ou “.expert”. Ele disse que, desde que esse programa teve início em junho de 2011, já foram aprovadas mais de 600 concessões e que um dos maiores desafios é comunicar ao usuário esse novo modelo.

Ao longo dos próximos meses, a gerência da IANA, autoridade que cria os novos domínios e números de IP, passa das mãos dos Estados Unidos para a comunidade internacional, o que, de acordo com Daniel Fink, “é a última etapa para as mudanças acontecerem na raiz da internet”, acrescentando que “Os EUA nunca abusou do poder com a guarda da internet global, mas sempre trazia algum desconforto para os outros países ter todo esse poder em um único país. Antes, toda a mudança feita no servidor da internet global precisava ser provada pelo governo dos EUA”. Isso, agora, está prestes a mudar.

Não desconsiderando os benefícios que esses novos domínios trazem para as empresas enquanto atores no palco internacional, uma questão poderá surgir: a da identidade. A maior parte dos domínios da Internet identificam a origem geográfica de um website, permitem saber de que país ele veio. O “.com.br”, o “.pt” ou o “.co.uk”, por exemplo, colocam os países na cena mundial, através de suas páginas web. Ora, com os novos domínios, essa proveniência se desvanece, passando os websites a ser parte de uma massa global, ao invés de representarem um ou outro país. Mas, facto é, que a mudança de domínio é voluntária, e que os websites que prefiram manter seus atuais endereços assim o podem fazer.


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