Rio Info 2015: excesso de sistemas de regulação afeta gestão do sistema de saúde

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O antigo secretário de saúde da Prefeitura Municipal de Nilópolis diz que a gestão do sistema de saúde brasileiro é prejudicada pela excessiva pluralidade de sistemas informáticos.

*com Filipe Pimentel

Atualmente desempenhando funções de consultor de gestão em saúde pública, Franklin Monteiro falou na sessão “O Papel da TI na Regulação de Serviços de Saúde”, do Rio Info 2015. Ele disse que existem demasiados sistemas de regulação, utilizados para fazer a marcação de consultas, exames ou cirurgias de pacientes em lista de espera. O consultor afirmou que o excesso desses sistemas se destaca nos hospitais federais e que faz com que os pacientes não beneficiem dos serviços a que têm direito.

Franklin Monteiro foi secretário de saúde de Nilópolis de dezembro de 2011 a outubro de 2012. Durante o seminário, ele afirmou que dois sistemas de regulação operam em simultâneo no Rio de Janeiro: o Sisreg, criado pelo Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde (DataSUS) e que está disponível para os municípios brasileiros há cerca de 16 anos, e o Sistema Estadual de Regulação, desenvolvido pelo governo em 2009. Para além desses, o Rio de Janeiro conta também com a Central de Marcação de Exames e com o Reuni-RJ.

“O ideal é que se criasse um comitê para o desenvolvimento de ferramentas de integração das soluções federal, estadual e municipal”, disse Monteiro. “O Sisreg é usado pela capital e por alguns municípios do interior. Mas, caso os municípios queiram interagir entre si, têm que usar o Sistema Estadual de Regulação”.

Ora, isso demonstra que existe uma multiplicidade de sistemas de regulação que servem um mesmo propósito e operam simultaneamente como serviços independentes.

O consultor acredita que, com a devida gestão, as TI poderiam incrementar a eficiência do SUS, que, segundo ele, funciona, mas precisa de gestores capazes. “Entre os benefícios da informatização está o de evitar deslocamentos, confirmação de marcação de exames e consultas, recebimento de resultados e monitoramento remoto de exames”, afirmou Monteiro.

De acordo com o coordenador-geral de projetos do DataSUS, Moacir Perche, está sendo desenvolvido uma nova plataforma que deverá unificar todos os diversos sistemas de regulação, de forma que permitir que os pacientes possam beneficiar de um serviço mais ágil e eficiente, não precisando de esperar períodos de tempo intermináveis para serem atendidos.


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