Rio Info: investidores estrangeiros buscam parceria no Brasil

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Para fugir dos altos custos na Europa, investidores estrangeiros procuram no Brasil empresas de startups. O câmbio valorizado e a marca criativa do brasileiro são aspectos que atraem os olhares ao país.

“O que importa para nós é a competitividade das empresas. Hoje, no Brasil há empreendimentos tão bons ou até melhores do que os que vemos na Europa em termos de qualidade e criatividade. Mas agora o Brasil está um passo à frente porque o câmbio favorece”, diz Sabastian Patrick Roguier, consultor francês que está no Brasil para selecionar potenciais parceiros. Patrick foi um dos mais de 50 representantes de empresas internacionais que foram ao Rio Info 2015, no Rio de Janeiro. Entre os países representados no evento estão Portugal, Inglaterra, Canadá, Estados Unidos, Argentina, Uruguai, Alemanha, Espanha, França, Colômbia, Áustria e Bélgica.

Roguier já negocia com duas startups, as quais prefere não identificar por questões de confidencialidade comercial. Uma delas desenvolve projetos na área de aeronáutica e defesa nacional. A outra é uma usina de tratamento de lixo para fornecimento de energia. “Estamos muito interessados nessa tecnologia capaz de transformar lixo em energia. É uma proposta ecológica que pode também ser solução para empresas sustentáveis”, comenta o consultor.

Ao longo desse ano e do próximo, Roguier percorrerá o país em busca de ideias inovadoras para colocar empreendedores e investidores frente a frente. “Estamos em busca de qualidade e sabemos que no Brasil há muitos projetos. Meu papel é fazer uma filtragem para selecionar as propostas mais viáveis”, diz.

Segundo o empresário, as fusões e aquisições são hoje mais interessantes para o estrangeiro do que abrir uma empresa no país. “Os tramites são burocráticos e difíceis para os estrangeiros, que não entendem a complexa legislação brasileira. Por isso, optamos pela compra de algo que já existe”.

Para, Ruben Delgado, presidente da Softex – entidade não governamental de promoção da indústria de software – ao contrário do que se possa imaginar, as fusões e aquisições não representam “autofagia” ou ameaça para as startups. “Todo empreendedor deve surfar nas ondas que surgem. As fusões e aquisições são uma onda que não pode assustar. O que se deve pensar é que os recursos que entram são oportunidade para que ele se torne também um comprador de outra empresa. O mercado hoje é dinâmico e ele deve vender e também comprar novas ideias”, observa Delgado.