Brasil lidera mercado da Teradata na América Latina

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Quase metade das contas ganhas pela empresa de analytics são clientes de governo. Em entrevista, o diretor geral Sérgio Farina revela que em breve será fechado mais um contrato no segmento, onde a empresa já tem vários cases de sucesso. Com 80 funcionários, a Teradata Brasil se prepara também para abrir vagas e aumentar a estrutura em 2016.

De todos os avanços que a Teradata vem fazendo no mercado brasileiro, a conquista de clientes no setor governamental é o mais expressivo. Quase metade das contas ganhas pela empresa de analytics se situam nesse segmento e, em breve, mais um contrato será anunciado.

“O Governo passa por um movimento muito grande sob o ponto de vista digital. A gente não se recorda, mas até 15 anos atrás os processos do Governo ainda eram em papel”, lembra Sérgio Farina, diretor geral da Teradata Brasil, em entrevista à Bit durante o evento Teradata Partners 2015 que aconteceu na Califórnia (EUA). O responsável diz que está fechando “mais uma grande conta de governo” e revela que a empresa tem 40 clientes no Brasil – o que o torna, efetivamente, no melhor mercado da América Latina, onde a Teradata tem um total de 103 clientes.

José Garcés, gerente regional da empresa na região, diz que não é apenas uma questão de tamanho. “O Brasil é o país mais adiantado na implementação de novas tecnologias”, afirmou Garcés, sublinhando que é também o país onde têm maior penetração no setor público.

Se é certo que o crescimento recorde da Teradata Brasil no ano passado não irá se repetir este ano, ainda assim haverá uma pequena subida da receita, na ordem de um dígito. “Se olharmos na métrica da moeda corrente, em reais, não fugiu muito do esperado. Quando fazemos o ajuste na variação cambial existe uma deterioração muito grande”, lamenta Farina.

O tema da valorização do dólar foi abordado por todos os executivos que falaram com a Bit, mas o diretor geral tem uma perspectiva interessante: admite que tem afetado a normal condução dos negócios, mas não se trata somente da variação cambial.

“Eu acho que é menos crise financeira e mais crise de incerteza. Os projetos não estão sendo cancelados mas alguns deles estão sendo postergados. Isso impacta as tomadas de decisões.” José Garcés, que vem sentindo o mesmo um pouco por toda a América Latina, confirma: “O nosso pior concorrente é sempre o status quo. Quando a empresa se congela e decide não fazer nada. Não tememos a concorrência nem às dificuldades económicas, mas que as pessoas perante um problema se congelem.”

Não obstante o abrandamento, Farina se congratula pelo fato de a Teradata manter o ritmo de crescimento de novas contas. “Começamos a entrar no mid market e quebramos o paradigma de que o mundo analítico é só para as grandes empresas”, destaca. Se antes se faziam poucos negócios de grandes volumes, hoje se fazem mais negócios com um ticket menor.

“A Teradata é uma ótima solução para os problemas complexos. Quanto mais complexo é o problema mais é a nossa cara para tentar resolvê-lo. Isso está muito presente nas empresas menores.” Grandes contas de teles e bancos têm o mercado analítico no sangue e lidam com um grande volume de dados, mas a empresa quer desenvolver também o segmento de varejo, que está menos avançado no Brasil – apesar de boas referências em grandes clientes, como o grupo Pão-de-Açúcar.

Grandes apostas em 2016
“O mercado brasileiro tem muito por onde avançar e um dos pontos relevantes é o mundo de cloud”, ressalta Farina. Muitas das empresas que a Teradata está prospectando já possuem uma demanda muito grande na área tecnológica, mas a área de negócio não está sendo atendida. Então uma forma de atendê-la será entregar uma solução pronta, na qual o usuário não tenha de se preocupar onde ou como isso será implementado. “Cloud é algo que no Brasil acredito que vai avançar muito.”  O Teradata Aster faz parte desse portfólio.

Outra aposta para o próximo ano é o reforço de parcerias, com crescimento em relação aos atuais 15 canais. “Estamos aumentando bastante o ecossistema de Teradata, para que os parceiros possam ter capacidade.” O canal, até hoje, só existia no segmento de governo e foi agora expandido para a indústria privada. Hoje com 80 funcionários, a empresa pretende também abrir vagas para preparar o próximo ano.

Além do novo contrato com uma entidade pública, que será no setor financeiro, a Teradata pretende consolidar o que vem sendo feito com o governo – por exemplo, irá continuar apoiando as iniciativas anti-fraude da Controladoria-Geral da União. “Eu brinco muitas vezes que a Teradata está presente no que tem sido o mais sensível no governo atual: Seguro Saúde, Bolsa Família, FGTS, combate à corrupção”, sintetiza Farina.

Um bom exemplo é a Secretaria da Fazenda do Paraná, que faz cruzamento de informações do ponto de vista de fraude fiscal. O Ministério do Trabalho também está buscando maximizar o uso do dinheiro para evitar problemas básicos que existem no país com relação ao Seguro Desemprego. É uma vitória, diz Farina. “A Teradata se apontou para o mercado não como uma oferta de appliance, mas com oferta de uma solução otimizando algo”, conclui o executivo.