CGU planeja novo Portal da Transparência para 2016 com Teradata

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A Controladoria-Geral da União desenhou um novo framework de governança de dados com appliance da Teradata, um projeto orçado em R$ 840 mil, que irá alimentar o novo Portal da Transparência. Breno Nunes, que lidera a administração de dados e BI na CGU, diz que o objetivo é dar aos cidadãos mais opções de acesso a informações. O lançamento está previsto para setembro do próximo ano.

*em Los Angeles

Depois de 15 milhões de acessos em 2014 e 11 anos de existência, o Portal da Transparência será atualizado e relançado no próximo ano, capitalizando no novo framework de governança de dados desenhado pela Controladoria-Geral da União. A novidade foi anunciada por Breno Nunes, responsável da Administração de dados e BI na CGU, em conversa com a Bit Magazine após uma apresentação no evento Teradata Partners 2015, que acontece nesta semana na Califórnia (EUA).

“Temos um projeto para o lançamento do novo Portal da Transparência para 2016”, afirmou Breno Nunes, explicando que a versão atual já está no limite da capacidade. Lançado em novembro de 2005, o portal permite acessar informação variada sobre os recursos públicos federais transferidos pelo Governo Federal para estados, municípios, para o Distrito Federal e diretamente para o cidadão, além de dados sobre os gastos do Governo Federal em compras e contrato de obras e serviços.

O objetivo com o novo portal é permitir que o usuário faça uma pesquisa mais abrangente e com menos passos, acessando todo o tipo de informação com escolha customizada dos filtros. “O cidadão vai escolher qual o caminho que quer navegar. Hoje, tem de escolher isso, isso e isso para chegar à informação que quer.”

A data oficial de lançamento é setembro de 2016 e o orçamento já está garantido. “Esse modelo foi bom, bem utilizado, mas chegou no limite dele porque não está mais atendendo às necessidades”, diz.

A maior diferença será a utilização de um novo framework de governança de dados, que faz parte do case que a CGU apresentou no Teradata Partners 2015. Esse foi um projeto pensado em 2013 e implementado no ano passado, depois de uma licitação ganha pela Teradata. A appliance custou cerca de R$ 840 mil e permitiu criar “uma plataforma de dados unificada, que garante a integridade, rastreabilidade e confiabilidade dos dados recolhidos de várias fontes”, como resumiu Nunes na apresentação. O framework de governança de dados recebeu o nome de código Chucrutz e tem três camadas: fonte de dados, área intermediária e data warehouse.  

Esta abordagem permitirá à CGU fornecer aos seus agentes informações mais integradas e consistentes, no âmbito de um combate à corrupção que vem apresentando resultados expressivos. De acordo com os dados citados por Nunes, desde 2010 as iniciativas da CGU já levaram à demissão de 2898 funcionários públicos, 66% dos quais por atos relacionados com corrupção. O tema da apresentação no evento Teradata foi precisamente esse – “A governação de dados no Brasil para ações de transparência e anti-corrupção.”

As ferramentas usadas são sobretudo Data Discovery e controle de gestão, com múltiplas fontes –  desde a base de dados do Seguro Desemprego do Ministério do Trabalho e Emprego ao CPF e CNPJ, contratos do Sistema Integrado de Administração de Serviços Gerais (SIASG) e Administração de cartões de pagamento do Banco do Brasil. O programa de combate à corrupção inclui auditorias públicas, investigações e inspeções e programas de avaliação governamental.

Tudo isso será usado para alimentar o novo Portal da Transparência, que atualmente usa um modelo híbrido. “A arquitetura do portal chegou no limite, e nós queremos colocar mais informação e não vai aguentar”, realçou Nunes. “E tem outras coisas que gostamos muito aqui no evento que queremos implementar, vamos levar isso para casa.”

A apresentação despertou tremenda curiosidade entre vários membros da audiência, que parabenizaram a CGU pelos resultados obtidos e o desenho inteligente do framework. Os usuários comuns também sairão beneficiados com as melhorias no portal. “Quanto mais informação você dá, mais o povo quer”, indicou o responsável. “É importante para a imprensa, sociedade civil. Você acaba criando um compromisso, até consigo mesmo”, concluiu.