Futuro da TIM não está atrelado à consolidação, diz presidente no Brasil

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Rodrigo Abreu, presidente da TIM Brasil, não conseguiu fugir do assédio dos jornalistas hoje (28/10) pela manhã, depois da sua palestra no Futurecom, que acontece em São Paulo. O interesse era para sua opinião em relação à consolidação que está sendo anunciada extraoficialmente entre a TIM e a Oi.

Segundo ele, não existe no momento nenhum processo de negociação em relação à fusão com a Oi e foi categórico afirmando que a TIM independe de qualquer tipo de fusão para prosseguir com a estratégia de crescimento orgânico. “Conquistamos a liderança em 4G. Estamos à frente nesse mercado e seguiremos com nossos planos de crescimento”, relata.

Abreu, no entanto, não é avesso a fusões e disse observar uma movimentação no mercado nesse sentido. Sendo assim, não é de se estranhar a companhia realizar análises sobre o tema.

“Há algum tempo, já avaliamos a possibilidade de uma possível consolidação, mas na ocasião a tele identificou que não era o momento adequado”, lembrou o executivo.

Mas consolidação não é uma operação tão simples assim, ressaltou Abreu. “Existem regras e um ambiente industrial que devem ser considerados. Além disso, se você está bem posicionado no mercado, não necessariamente a consolidação se configura como uma necessidade.”

Para se distanciar das especulações ainda mais, Abreu reforçou que a TIM se encontra em posição privilegiada em escala, capacidade financeira e inovação. “Estamos em condições de alavancar nossa condição financeira para projetos robustos.”

Por ser uma autorizatária e não uma concessionária, o presidente da TIM diz que o modelo de concessão não afeta diretamente a operadora, mas entende que não é um tema brando para o setor.

Antes dessas declarações, em sua palestra, Abreu falou sobre as transformações sofridas no cenário de telecomunicações no País que surpreenderam pela velocidade brutal como aconteceram.

Segundo ele, a transformação de voz para dados terá implicações importantes. “Pela primeira vez, do ponto de vista do mercado móvel, começamos a enfrentar sinais de maturidade. É impossível crescer para sempre em número de usuários, a receita apresenta incremento no longo prazo, mas passa por transição que tem a ver com o uso intenso de dados e também com o cenário macroeconômico”, argumenta e acrescenta que é o momento de intensificação dos requisitos de infraestrutura para a evolução de dados e do 4G.

Esperava-se que a receita de dados superasse a de voz em 2017, mas essa previsão foi antecipada em um ano, destacou Abreu. “Passou para meados de 2016.”

Mas existem duas notícias importantes nesse cenário. “Uma boa e outra ruim. A boa é que o consumo de dados cresce a taxa entre 40% e 50% e em 2016 a estimativa é de aumentar. A ruim é a queda constante da receita de voz.”

Comparando TIM e um concorrente na receita de voz a queda está na casa de 10% e segue acelerando. Por outro lado, segundo Abreu, nos últimos dois anos, o projeto de banda larga móvel da TIM melhorou a qualidade e a expectativa é de dobrar o número de sites e continuar a investir em estratégias de fibra óptica, small cells e wi-fi.

O plano de investimentos da empresa que no ano passado estava orçado em R$ 11 bilhões foi ampliado para R$ 14 bilhões em 2015/2016. “Mesmo diante do cenário macroeconômico atual”, diz e acrescenta que hoje a TIM é líder em cobertura 4G com 265 municípios cobertos. “Não estamos brincando. O 4G vai ser uma mudança significativa no nosso posicionamento”, conclui.


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