Já passou da hora de a concessão ser revisada, diz presidente da Oi

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Bayard Gontijo acredita que a atualização do modelo vai proporcionar mais liberdade para a tomada de decisão e emprego mais assertivo e rentável de recursos, direcionando-os para o desenvolvimento do negócio.

Ele entende que a revisão da concessão das teles não é somente uma necessidade atual em razão do cenário, mas sim premente tanto em um modelo de fusão ou não. “Já passou da hora de a concessão das teles ser revisada.”

A declaração foi realizada durante sua palestra no Futurecom 2015, que acontece de 26 a 29 de novembro, em São Paulo. Na avaliação do executivo, a concessão já atingiu maturidade e cumpriu seu papel, mas perdeu a relevância no quadro atual e precisa ser modernizada com urgência.

Ele afirmou que as concessionárias estão carregando pesos, obrigações e penalidades, perdendo, dessa forma, a capacidade de investimento e de atender ao território nacional, ignorando renda e demanda. “Os gastos com manutenção de telefones públicos somam hoje mais de R$ 300 milhões por ano, serviço que quase não é mais usado no Brasil. E se algum deles não estiver funcionando, a multa é de R$ 1 milhão”, diz indignado.

“Somente a Oi investiu mais de R$ 12 bilhões na melhoria da telefonia fixa, que poderiam ter sido voltados para massificar a banda larga com qualidade”, alerta.

Ele também foi taxativo ao dizer que no atual cenário não há mais espaço para novas teles no mercado e o que se observa hoje é uma consolidação generalizada, com grande dificuldade das operadoras em fechar a equação financeira.

Enquanto o Ministério das Comunicações defende a ampliação da competitividade no setor, Gontijo diz estar “cada vez mais difícil, com a demanda por tráfego crescente, investimentos maiores e grande competição. O quadro atual não é de ampliação da competitividade, mas sim de redução, a exemplo do que está acontecendo em todo o mundo”.

Gontijo destacou que a vida útil da concessão nos países em todo o mundo é de quatro anos e no Brasil já soma 16 anos de vigência. Ele mostrou gráficos apontando que em países que não há mais concessão, a banda larga é mais desenvolvida. “A explicação é muito simples. É o resultado da liberação das companhias para fazer investimentos e gerar retorno para a sociedade e a empresa. Aqui não podemos fazer da nossa maneira. Somos tolhidos.”

E manda um recado: “Há uma janela de oportunidades para transformar o setor de telecom no Brasil, acredita Gontijo, e para transformar o País do ponto de vista de desenvolvimento e conectividade. A Oi é o player natural para conduzir essa movimentação, uma vez que seu diferencial é a ampla cobertura do mercado. Somos a operadora de maior capilaridade do mercado, com presença em 4,8 mil municípios, atendendo mais de 160 milhões de pessoas”, finaliza.


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