Sem conectividade não há carro autônomo, diz Biondo da Peugeot Citroën

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Painel realizado hoje (29/10), no último dia do Futurecom 2015, que acontece em São Paulo, reuniu representantes da indústria automotiva e empresas do setor de telecomunicações para debater sobre os carros do futuro. Todos concordam que a interoperabilidade é vital não somente entre tecnologias mas também entre atores desse setor.

A ficção já começa a ganhar cenário real com as inúmeras iniciativas que figuram no mercado automotivo e de tecnologia da informação e comunicação (TIC). As atenções se voltam para os carros autônomos, inimagináveis até bem pouco tempo, e, como toda novidade, estão na berlinda, alvos de discussão sobre regulamentações, padronizações, entre outros ingredientes essenciais para seu desenvolvimento e popularização.

O painel O fascinante mundo dos carros conectados revolucionando o mercado automotivo possibilitou um pequeno briefing do que que está acontecendo e o que vem por aí. Mas é preciso que a indústria se una em busca de um padrão para que todas as funcionalidades proporcionadas pelo carro conectado possam coexistir e integrar-se. “A conectividade é o primeiro passo para chegar ao carro autônomo. Sem ela, não há essa possibilidade”, alerta Fabrício Biondo, diretor de Marketing, Produto, Comunicação e Relações da PSA Peugeot Citroën América Latina.

O executivo diz que para isso muitos desafios terão de ser vencidos, como a busca por um padrão que viabilize o crescimento e a evolução da conectividade nos carros e suas aplicações. “Conectividade é o combustível desse sistema”, reforçou Ricardo Bacellar, da KPMG, acrescentando que ela é o gerador das facilidades e benefícios do carro do futuro.

Samuel Russel, diretor de Marketing da General Motors América do Sul, destaca que o grande momento de transformação na era digital foi quando o relacionamento de conectividade do consumidor passou a ser de conectividade móvel, por meio do smartphone. “E se estendeu para o nosso setor, ou seja, para o carro”, diz e acrescenta que ao conectar o smartphone ao sistema do carro conectado, ampliam-se as funcionalidades, serviços e possibilidades que ainda serão criadas.

Russel defende que é necessário tornar produtivo o espaço de tempo em que uma pessoa se desloca do ponto A para o ponto B. “Afinal, pelo o que tenho notícia, em 2017 teremos 200 milhões de celulares em operação, sendo 97% deles smartphones. A sociedade estará conectada e demandará cada vez mais funcionalidades”.

Quando fora do carro, o smartphone comanda a conectividade e é possível saber o nível do óleo, quanto há de combustível, entre outras informações. “Sem ter de descer até à garagem”, completa Biondo. “Tudo isso é telemetria, que estará disponível de maneira facilitada e rápida.”

Para o diretor Comercial da Qualcomm Brasil e líder de iniciativas na Indústria Automotiva no Brasil, Alexandre Brunaldi, trata-se da conectividade inteligente e não simplesmente conectividade. “É a conectividade sem fio, portanto, sem limites. Somos líderes nesse segmento, tendo a primeira colocação na fabricação de chips para celulares. Cerca de 60% dos smartphones têm tecnologia Qualcomm embarcada. E fomos a primeira empresa a disponibilizar a tecnologia 4G em automóveis. Mantemos hoje relacionamento com 15 diferentes montadoras”, revela.

Do outro lado, Pablo Ernesto Larrieux, da área de Serviços Digitais B2B e Inovação da Telefônica Vivo no Brasil, acena com toda a disponibilidade da rede da operadora para a indústria automotiva. “Temos de trabalhar juntos para construirmos uma nova experiência para o usuário. Poderemos agregar uma gama de funcionalidades”, convoca.

Alexandre Tedeschi, da divisão Car Multimídia do grupo Bosch no Brasil, citou estudo deste ano da companhia que mostrou haver 5 milhões de dispositivos (objetos) conectados no mundo inteiro e projeção de saltar para 14 milhões em 2022.

“É importante ressaltar que a conectividade também terá de acontecer entre os carros, para evitar acidentes, monitorar o que acontece à volta do motorista e protegê-lo de acidentes e de incidentes”, diz.

Mas nem tudo são flores, ainda há barreiras a serem vencidas como uma legislação que dite regras que garantam a privacidade dos usuários desses carros. Afinal, a tecnologia poderá expor a avalanche de dados que passará a trafegar nos carros conectados. Ainda há a questão da segurança da informação. “Ambos os lados, tanto smartphones como sistemas de hardware dos carros deverão estar protegidos para que o veículo não seja invadido por hackers”, alerta Biondo.

“O celular será a janela de entrada. É um ponto frágil”, alerta Alexandre Abreu, responsável pela Engenharia Eletroeletrônica da Fiat Chrysler Automobiles (FCA) na América do Sul. “É preciso criar uma central de firewall no carro.”

Mas a verdade é que, depois que a conectividade passou para a palma da mão na era digital, agora o futuro se desenha com os automóveis caminhando para se tornarem verdadeiros centros de dados móveis, tendo como forte parceiro o smartphone – versão minimalista da conectividade inteligente.

Questionados sobre Google e Apple serem fortes concorrentes das montadoras, prevaleceu o mix: “por vezes parceiras e outras concorrentes”.  Mas, certamente, quem aproveitar da melhor maneira as oportunidades, seja investindo em inovação e na capacitação dos profissionais pode colher bons frutos. O futuro dirá e ele está logo ali.


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