Motorola Solutions muda para modelo de serviços e resgata smartphone. Desta vez, corporativo

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Transformação foi a palavra de ordem de 2015 em muitos mercados, sacudidos pela era digital, que provocou quebra de paradigmas nos modelos de negócios, tanto para quem vende como para quem compra. Na Motorola Solutions, essa onda prossegue e a empresa adequa-se às exigências do atual cenário. Anuncia a mudança de fornecedora de dispositivos de radiocomunicação para o modelo de também prestadora de serviços, embarcando sua tecnologia em pacotes diferenciados.

Engana-se, portanto, quem pensou que a grande transformação teria acontecido em 2011, quando vendeu à Google sua unidade de celulares por mais de US$ 11 bilhões. A mesma que foi comprada no ano passado pela Lenovo. Movimentação natural de um mundo digital, contaminado, sem cura, pelas oportunidades e recursos inimagináveis, protagonizados em grande parte por smartphones de toda a sorte pelo planeta.

Modernização do modelo

Mudar o foco para serviços, no entanto, é um grande desafio. Exige readaptação do time, restruturação de profissionais e, como disse em encontro com jornalistas Paulo Cunha, presidente da Motorola Solutions no Brasil: “Não há serviços sem software”. É preciso, segundo ele, transformar investimentos em serviços. “Mudamos do modelo de negócios que vende e oferece suporte em TIC para o que contrata e entrega”, reforça.

Ele revela que desde o início de 2015, a empresa presta consultoria em gerenciamento de telecomunicações e sistemas de gerenciamento em redes LTE. “Agora, buscamos especialistas no desenvolvimento de software e também vamos adquirir empresas em diferentes segmentos com o objetivo de expandir nossa atuação e ampliar competências”, diz o presidente, acrescentando que a empresa irá às compras também no Brasil. “Já existem negociações em andamento. Em 2016, é possível concretizar algumas oportunidades.”

Essa meta exigiu um movimento estratégico importante: a parceria, por meio da Motorola Venture, com o fundo Silver Lake, o mesmo que turbinou as negociações com a Dell para a compra da EMC em outubro deste ano. Vale lembrar que essa operação gerou uma das maiores fusões do mercado de TI dos últimos tempos.

Comprar para crescer

“Vamos nos transformar em uma verdadeira máquina de aquisições pelo mundo, incluindo o Brasil”, avisa Cunha, para quem a empresa ganhará muitas competências com essa movimentação.

E não está brincando. A Motorola Solutions investiu na fabricante de drones, a CyPhy, este ano, sinalizando que ingressar em inovação tecnológica é vital para os negócios. E ainda na britânica Airwave Solutions, comprada no início deste mês (dezembro) por US$ 1,2 bilhão. É uma provedora de serviços de comunicação, que oferece no Reino Unido uma rede de comunicação de emergências em incêndio e incidentes de polícia, além de serviços de ambulância. Mais um reforço na área de segurança pública.

Não por acaso, esse esforço e experiência devem ter garantido à Motorola Solutions participação na Rio 2016. Sua tecnologia de radiocomunicação vai fortalecer todo o sistema de segurança montado para o evento. “Apostamos na convergência digital. Montamos uma rede LTE privada com capacidade para integrar não somente voz em missão crítica como também dados. Com alto grau de eficiência e interoperabilidade”, destaca Cunha.

Sendo assim, a Motorola Solutions, que totalizou receita global de US$ 6 bilhões, sendo US$ 50 milhões na América Latina, pretende tornar um pouco mais ameno o desafio em 2016, ano considerado pelos gurus da economia como um ano difícil e complexo, especialmente no Brasil, considerando as indefinições políticas pelas quais atravessa.

De volta ao smartphone

Para somar à mudança no modelo de negócios, a empresa investiu no lançamento do smartphone LEX L10 Mission Critical LTE em maio deste ano e que chega ao Brasil no primeiro semestre de 2016. Uma jogada interessante, considerando que irá unir o útil ao agradável: um smartphone robusto, sob medida para a área de segurança pública. Portanto, um celular corporativo, bem direcionado. De um lado a retomada no segmento de smartphones, do outro o reforço em uma área de grande experiência e tradição, a segurança pública.

No coração do novo smartphone, o LEX L10, bate forte uma plataforma segura, garante Cunha, que vai muito além de um smartphone tradicional. Afinal, foi concebido e desenhado para o policiamento do mundo real, no front de situações de conflito, que possibilitará a troca de voz e dados.

“O foco do LEX L10 é o mercado B2B”, reitera o presidente da Motorola Solutions.

Mas a balança de negócios entre setor púbico e privado começou a pender um pouco mais para o setor privado em 2015, de acordo com Cunha. Agora, os contratos totalizam 40% e 60% respectivamente. “Prova de que estamos prontos para as duas esferas”, garante Cunha que, apesar das turbulências econômicas, acredita em oportunidades, eficiência e inovação para driblar as dificuldades.


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