Campus Party Brasil 2016 alerta para futuro dominado por robôs

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Como os humanos devem se preparar para um novo cenário, sem emprego, dominado por robôs? Este é o mote do tema central da Campus Party 2016, “Feel the Future” (Sinta o Futuro), que teve início hoje (26/01), no pavilhão de Exposições do Anhembi, em São Paulo, e se encerra no domingo (31/01). O evento, considerado um dos maiores de inovação digital do mundo, estima receber nada menos do que 120 mil visitantes, sendo 8 mil campuseiros.

O espanhol Paco Regageles, cofundador da Campus Party, defende o tema, apoiado em estudos recentes que revelam um futuro [entre os próximos 30 e 40 anos], quando a sociedade não terá mais empregos e que suas atividades antes desempenhadas por humanos serão substituídas por robôs.

“Vamos canalizar nossa atual missão para o Feel the Future, diante da revolução da humanidade que acontecerá nos próximos 40 anos, quando tudo será realizado por máquinas”, destaca Regageles. “Temos de pensar no futuro do planeta e como os humanos vão se posicionar nesse novo mundo.”

O idealizador da Campus Party espera que o evento traga essas respostas por meio da contribuição da sociedade e dos participantes do evento. “O Feel the Future vai ser uma fundação, formada por cientistas e sociólogos para discutir os caminhos para esse futuro. Irá propor soluções para os desafios que irão chegar”, explica.

Quando questionado sobre a origem dessa previsão e sua real efetividade, Regageles argumenta: “Em uma cidade como New York, que abriga uma frota de cerca de 30 mil táxis, como acham que procederão no futuro com os carros autônomos?”. 

Palco do empreendedorismo

Os participantes do evento terão acesso a mais de 700 horas de conteúdos e atividades que vão durar cerca de 24 horas por dia. Eles vão desfrutar de internet com velocidade de 40 Gbps. “Neste ano, teremos o dobro da redundância de telefonia que tivemos na oitava edição aqui no Brasil. O que impede que as linhas caiam e prejudique a comunicação”, ressalta Regageles.

“Fizemos modificações estruturais nessa edição, para ampliar a interação e o engajamento com os campuseiros, tornando os palcos mais próximos do público, facilitando debates”, diz Tonico Novaes, diretor geral da Campus Party Brasil.

A Campus Experience é uma área gratuita que os participantes poderão ter contato com 64 projetos desenvolvidos por alunos de graduação ou recém-formados, 200 startups, palestras e simuladores.

João Cassino, coordenador de Conectividade e Convergência Digital da Secretaria Municipal de Serviços da Prefeitura de São Paulo, aproveitou a oportunidade da abertura do evento para destacar a continuidade do programa FabLab, lançado no ano passado, que promove a criação de 12 laboratórios tecnológicos, abertos ao público, que serão instalados na cidade de São Paulo. Eles serão equipados com máquinas e impressoras em 3D, que permitem a criação e produção de objetos funcionais em pequenas escalas.

“Queremos com essas unidades incentivar a fabricação de novas tecnologias como drones, por exemplo. Até a segunda quinzena de março, teremos mais quatro laboratórios em funcionamento, totalizando os 12 previstos no programa”, diz Cassino.

Polêmica

O presidente do Instituto Campos Party, Francesco Farrugia, entregou ao Ministro da Cultura Juca Ferreira um documento (carta), no qual questiona o fato de a Campus Party, diferentemente de anos anteriores, ter sido excluída do incentivo proporcionado pela Lei Rouanet, por ter sido considerada um evento puramente de tecnologia.

Farrugia tem opinião diferente e acredita que o Ministro Ferreira compartilha da mesma opinião, contrária à avaliação dos altos funcionários do ministério (diz o documento), por conhecer a autoridade há muitos anos e interpretar que ele também considera relevante a cultura digital e as comunidades que integram esse sistema.

“Entender que cultura é só música erudita, música folclórica e livros, além de injusto, é ter uma visão conservadora da cultura”, opõe-se Farrugia no documento à avaliação dos altos funcionários do Ministério da Cultura, em sua exposição ao Ministro da Cultura, a favor da “cultura digital” como beneficiária da lei Rouanet.


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