Stara rouba cena em painel do SAP Forum Brasil 2016

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“Como os diferentes segmentos estão gerando valor na Economia Digital?” tinha tudo para ser um painel tradicional no tradicional SAP Forum Brasil, que teve início ontem em São Paulo, não fosse a ilustre, divertida e até emocionante presença de Gilson Lari Trennenpohl, diretor-presidente da Stara, empresa de máquinas agrícolas, cliente da SAP.

Um homem do campo, sem nenhum traço de sofisticação, Gilson [permita-me usar seu primeiro nome] não se mostrou nem um pouco desconfortável em meio aos altos executivos Rodrigo Abreu, presidente da TIM Brasil, Pat Bakey, presidente da Indústria de Cloud da SAP e Rodrigo Silvosa, subsecretário de Infraestrutura Hidráulica do Governo da Cidade de Buenos Aires.

Bakey, mediador do encontro, conduzia em inglês o bate-papo e deve ter tido dificuldades em entender [embora munido de fones para tradução simultânea] quando Gilson disse entusiasmado ter trazido um trator para o evento, com tecnologia IoT embarcada, lá de Não-me-Toque, município localizado no Planalto médio do Rio Grande do Sul – considerado a capital nacional da agricultura de precisão, com cerca de 16 mil habitantes.

Preocupado com o executivo disse: “Não deve estar entendendo nada, né? Mas trouxe um trator de “Dont touch me”, disse provocando fartas risadas do público, que já se encantava com a naturalidade e autenticidade do executivo.

E não é qualquer executivo. A Stara se transformou em uma importante empresa em tecnologia agrícola, entre tratores e outras máquinas agrícolas com tecnologia de ponta. Hoje, exporta tecnologia nacional para 35 países. E com seu trator, deu um toque especial à 20ª edição do SAP Forum Brasil na área de exposição do evento. Afinal, é um protótipo da primeira máquina agrícola conectada on line com uma solução SAP.

Nele, a tecnologia combina dados de telemetria com as informações de gestão de estoque, de planejamento e financeira. A aplicação SAP permite o monitoramento das operações de campo em tempo real e um controle de custos mais eficiente.

Expor esse trator no evento sinalizou como a indústria [e a SAP] está se comportando para responder à crescente demanda por mecanização e equipamentos que usam tecnologias cada vez mais avançadas. Tudo isso, apoiado na valorização das commodities agrícolas, principalmente grãos, que exige a necessidade da ampliação da produção, redução do desperdício, entre outras necessidades desse setor, que quer alcançar a almejada agricultura de precisão. E TI é boa nisso.

Em dado momento, ele saca de um dispositivo, parecido com um tablet revestido de uma proteção robusta, o levanta bem alto e diz: “É isso aqui que usamos no campo. Ele tem de ser assim, porque o cara enfia o dedo aqui, cheio de terra, deixa cair e temos de lidar com isso. O importante é que a tecnologia está lá”, disse em alto e bom tom, certamente aproveitando-se da experiência antiga como locutor de rádio.

Entre uma intervenção e outra de Gilson, os executivos falaram de suas experiências diante da economia digital. Abreu reiterava que o mercado passa pela transformação dos modelos de negócios e, na sua arena, destacou que hoje as pessoas usam muito pouco seus smartphones para falar.

“A receita de voz da companhia representava 80%, agora cai a cada dia e a tendência é que daqui há três anos ela desapareça. Ela vai migrar para dados, conteúdo …”, sentenciou o presidente da TIM Brasil. “E temos avançado em 4G, atingindo milhões de pessoas.”

“Quero que o 4G funcione é lá em Não-me-Toque, não somente por aqui”, disparou Gilson, aproveitando a oportunidade diante do presidente da operadora [mais risadas]. “Mas o nosso funciona”, rebateu o executivo da TIM. E prometeu: “Vamos transformar sua máquina em um trator conectado!”.

A preocupação em ter a mais alta tecnologia é antiga na cartilha de Gilson. Desde cedo conhece a importância do diferencial para ser o mais competitivo possível em um mercado de concorrência acirrada como o agronegócio.

“Temos de nos voltar para agricultura de precisão para competirmos mundialmente e a tecnologia nos levará a isso”, diz o executivo da Stara.

Ele contou que as máquinas da Stara, faz tempo, tinham tecnologia embarcada de telemetria que ajudava muito no desempenho no dia a dia no campo. Contudo, a empresa australiana, fornecedora do software e atualizações, passava por dificuldades financeiras e iria ser fechada.

“Fiquei desesperado. Não podíamos ficar sem esse software. Peguei o avião e fui para a Austrália para tentar negociar a continuidade da manutenção do software. E acabei comprando a empresa. E trouxe ela no bolso, em um pendrive com o código-fonte”, contou Gilson, que cruzou as fronteiras com a australiana no bolso, provando o quanto a tecnologia é importante em sua estratégia de negócio.

O painel do SAP Forum acabou sendo uma oportunidade para os participantes e público entenderem um pouco mais como a tecnologia, de fato, auxilia o agronegócio, responsável por 30% do PIB nacional. E como pode fazer a diferença. “No mundo, o agronegócio tem a missão de alimentar 9 bilhões de pessoas”, destacou.

Esse homem do campo, executivo do agronegócio, deixou ainda uma dica: “Uma máquina inteligente sempre vai precisar de pessoas inteligentes para pilotá-la. E para fazer a tecnologia, tem de ir ao campo para entender o que o campo quer”. É hora de tirar o terno, enfiar as botas e entender mais esse precioso filão, caso a meta dos executivos TI seja sair à frente e ganhar esse mercado.


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