Entrevista da Semana: “Segurança tem de ser tratada como habilitador do negócio”, diz CEO da Intel Security no Brasil

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Segurança da informação nunca foi tão estratégica para os negócios, sob os holofotes do mundo digital. Consultores afirmam que muitos CEOs aqui no Brasil já abraçaram a causa, dando a devida importância à proteção de dados fundamentais para a continuidade de suas operações.

É o que percebe também Márcio Kanamaru, diretor geral da Intel Security no Brasil. Segundo ele, a visão da tecnologia está mudando e as políticas de segurança dos provedores de nuvem vêm sendo tratadas de forma bem transparente. Com estimativa de crescer 15% neste ano, a Intel Security aposta, além da proteção e da detecção, também aposta em soluções para reduzir o tempo de correção aos incidentes de maneira automatizada para os clientes.

Nesta entrevista exclusiva à B!T Magazine, Kanamaru fala das estratégias da empresa para 2016, da importância de proteger o capital intelectual nas organizações e porque segurança tem de ser tratada como habilitador do negócio. Confira a seguir.

B!T Magazine: Como a empresa está posicionada atualmente no mercado brasileiro?
M
árcio Kanamaru – O ranking está muito disputado e parece que não se fala em outra coisa. Segundo dados de pesquisa do IDC realizada em 2014, a Intel Security é líder em soluções de segurança no Brasil.

B!T – Quanto a empresa pretende investir ainda neste ano para inovar em suas tecnologias?
Kanamaru – De acordo com a política da Intel, não somos autorizados a divulgar valores sobre investimentos, mas o mote da empresa é sempre investir em inovação e se manter como pioneira e líder neste segmento. A missão da Intel Security é dar a todos a confiança necessária para viver e trabalhar de forma segura no mundo digital, integrando a segurança a todos os dispositivos.

B!T – E o carro-chefe da empresa para este ano? Tem algum lançamento no forno ou parceria estratégica?
Kanamaru Atualmente, o foco da Intel Security está na correção proativa e automatizada das vulnerabilidades. Com o grande volume de ameaças disponível e os ambientes se tornando cada vez mais complexos, é necessária maior dedicação à correção das vulnerabilidades, e é nisso que a Intel Security está buscando inovar. Além da proteção e da detecção, reduzir o tempo de correção aos incidentes de maneira automatizada é a aposta da empresa para oferecer mais segurança aos clientes.

A Intel Security propõe uma plataforma de segurança criada por soluções integradas, para permitir que empresas se defendam de maneira mais arrojada e eficaz contra violações de dados e ataques dirigidos. Por meio de um sistema de segurança mais integrado e aberto, que unifica as principais fases do ciclo de vida de defesa contra ameaças, a nova estratégia se concentra no endpoint e na nuvem como as áreas mais eficazes para a visibilidade avançada e o controle operacional.

A integração das diversas soluções de segurança desenvolvida pela Intel Security, chama-se Data Exchange Layer (DXL) e permite comunicação e colaboração instantâneas. Trata-se de uma plataforma de comunicação aberta, bidirecional, conectando suas soluções de segurança em um único ecossistema.

B!T – Em um cenário economicamente recessivo, as empresas cortam os custos com segurança ou continuam investindo?
Kanamaru – Mesmo em um cenário de crise a segurança não pode ser descartada, mesmo porque as ameaças tendem a aumentar em épocas de crise. Em um cenário recessivo as empresas buscam investir em inovações que possam ajudar no seu crescimento como novas oportunidades de negócios. As empresas de varejo, por exemplo, buscam mais soluções para o desenvolvimento e a segurança voltados para lojas digitais que substituem as lojas físicas.

B!T – Qual é o desenho de atuação da Intel Security no Brasil?
Kanamaru – A Intel Security atua por verticais, com soluções desenhadas para cada segmento de mercado. Atualmente, as empresas do ramo financeiro e de telecomunicações são as que apresentam maior nível de maturidade em segurança, sendo segmentos de referência. 

Outras verticais como saúde, educação e agronegócio estão amadurecendo bastante nos últimos anos, com a participação de profissionais especializados em segurança e mudança de cultura quanto à necessidade de proteção. São empresas que já têm um nível de proteção avançada, mas devem evoluir bastante nos próximos anos. 

B!T – Segurança da informação nunca foi tão estratégica. Percebeu movimentação mais madura das empresas em solo nacional na direção de uma segurança mais estratégica, fazendo parte do planejamento corporativo?
Kanamaru – Sim, muito mais. Grande parte das corporações mantém profissionais responsáveis pela segurança e com papel fundamental no planejamento do negócio, reportando diretamente para a diretoria. Hoje, as empresas entendem que a segurança tem de ser tratada como habilitador do negócio. Proteger o capital intelectual e também garantir uma experiência digital segura para o usuário final é fundamental para o andamento do negócio.

B!T – O que é mais complicado: implementar uma solução de segurança da informação em uma empresa, do ZERO, ou reconstruir uma plataforma de segurança existente?
K
anamaru – É muito difícil encontrar uma empresa que precise de solução de segurança do zero, a não ser uma startup. As empresas sempre têm alguma ferramenta de proteção, mínima que seja. O que acontece é que as empresas têm diferentes níveis de maturidade, algumas já têm uma camada robusta para proteger os investimentos inexistentes e outras não, no caso de soluções de segurança existentes, fazemos uma análise das capacidades do cliente e oferecemos uma recomendação de solução, que poderá se integrar com ferramentas existentes por meio do DXL (Data Exchange Layer).

B!T – Como vencer o desafio de tornar um ambiente corporativo seguro e ao mesmo tempo produtivo?
Kanamaru – O ambiente corporativo só será produtivo se for seguro. Atualmente problemas como indisponibilidade, penalização e reputação afetada causam imensos prejuízos. Uma vez que o ambiente for seguro, ele será produtivo. 

B!T – A necessidade de conectar todos os integrantes da cadeia de negócio tornou mais complexo o gerenciamento da segurança. Qual a saída recomendada pela Intel?
K
anamaru – A recomendação é que a segurança também deva ser integrada e cubra todo o ciclo de detecção da ameaça. Uma plataforma de segurança com soluções integradas poderá reduzir o tempo de resposta aos ataques e permitir um gerenciamento mais simplificado.

B!T – Sequestro de informações estratégicas de empresas é um incidente não tão raro aqui no Brasil?
Kanamaru – Infelizmente não é tão raro. As ameaças estão tanto dentro como fora das empresas, seja com a possibilidade de usuários subtraírem propriedade intelectual de dentro da empresa ou com cibercriminosos trabalhando para sequestrar informações (ramsonware) com objetivo de ganhos financeiros, a partir da venda de dados para concorrentes ou até mesmo cobrança de resgate para a devolução dos dados aos donos.  E as ameaças atingem tanto pequenas empresas como as grandes corporações. 

B!T – O setor mais crítico e sensível quando o tema é segurança da informação ainda é o financeiro? Quais outros estão ganhando a preferência dos cibercriminosos?
Kanamaru – Todos os setores são críticos. A área financeira acaba sendo mais sensível pela possibilidade direta do roubo de dinheiro, mas outras áreas como saúde (hospitais e laboratórios), seguros e agronegócios também estão sendo alvos de cibercriminosos pela preciosidade dos dados que armazenam.

B!T – As empresas procuram a Intel Security somente depois de terem sido atacadas?
K
anamaru – A atuação da Intel Security se concentra na prevenção, mas muitas empresas nos procuram após o incidente ter acontecido. Depende muito da maturidade da empresa, algumas têm planos bem construídos para combater as ameaças e outras ainda apresentam brechas na segurança que podem causar algum problema no futuro.

B!T – A nuvem é o pulmão da mobilidade. O que tem a falar sobre a sua segurança?
K
anamaru – A visão da tecnologia está mudando e as políticas de segurança dos provedores de nuvem vêm sendo tratadas de forma bem transparente. As empresas de serviços em nuvem têm nível de maturidade e proteção altíssimos e transparentes para o usuário. O objetivo da Intel Security é proteger o dado, onde quer que ele esteja, seja no endpoint, rede ou nuvem. Além do ganho tecnológico, as empresas acabam tendo também um ganho financeiro ao optar pela nuvem. 

B!T – A Intel Security costuma fazer parcerias para apresentar ao cliente uma solução mais completa?
Kanamaru – A Intel Security atua com plataforma de soluções integradas capaz de adicionar proteção a essas ferramentas, fazendo com que as soluções, mesmo de outros fornecedores, conversem entre si para trocar informações e garantir a segurança do dado, onde quer que ele esteja, alavancando um ecossistema produtivo a serviço da proteção, detecção e correção das vulnerabilidades.


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