Entrevista da Semana: “Integração global é nosso diferencial e maior trunfo na era digital”, garante Marcos Malfatti, comandante da Level 3 no Brasil

CloudData CenterEmpresasGestãoHOMENegóciosOperadorasRedes
0 32 Sem Comentários

Não é por acaso que Marcos Malfatti, primeiro executivo da Level 3 em solo nacional, aposta na robustez da rede da companhia como atrativo no disputado mercado em plena transformação digital. A empresa, provedora global de telecomunicações, expandiu seu Protocolo de Internet (IP) e sua rede metropolitana latino-americana em mil quilômetros, somente no ano passado, estendendo seus tentáculos para as mais variadas oportunidades de negócios.

Não bastasse, a companhia abriu ainda mais a carteira e acrescentou novos nodos [e expandiu os existentes] em diversas cidades estratégicas no Brasil, Colômbia e México, em 2015. Dessa forma, proporcionou conexões seguras entre a região e os centros de negócios ao redor do globo.

Somente no Brasil, no ano passado, a Level 3 esticou sua rede IP e metropolitana em São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Curitiba e Belo Horizonte. Agora, o trunfo de Malfatti tem mais de 500 pontos espalhados por todo o País, com 1Gb de capacidade de processamento, o que se torna um petisco interessante para os clientes, que têm mais opções de largura de banda.

Essa rede global e imponente da Level 3, gaba-se Malfatti, chega a 500 mercados em mais de 60 países. E se estende por nada menos do que além de 300 mil quilômetros de rotas de fibras. A sua cobertura? São 29 mil quilômetros e mais de 200 nodos via América Latina.

A capacidade do backbone global é de mais de 42 Terabits por segundo (Tbps). Não há dúvidas de que é uma potente arma, em um mundo que demanda a cada dia mais integração e velocidade nos negócios pelo planeta.

Nesta entrevista exclusiva à B!T Magazine, Malfatti, que contabiliza 18 anos de empresa, e portanto já enfrentou os mais variados tipos de turbulências econômicas na terra brasilis, fala um pouco mais sobre o posicionamento da Level 3 no País, um mercado, no mínimo, desafiante. Confira.

B!T Magazine – Qual é o principal desafio da Level 3 para atender às novas expectativas das organizações que estão ingressando na transformação digital?

Marcos Malfatti – Somos uma empresa de investimento pesado. Trabalhamos com satélite, cabos submarinos, fibra óptica… E estamos sempre monitorando o mercado para entender suas necessidades específicas. O ideal é sempre estar à frente da demanda, preparado para um atendimento imediato e antes da concorrência. Por isso, o maior desafio hoje é fazer a leitura adequada da necessidade do cliente para definir o investimento mais assertivo para ele. E isso somente conquistamos porque essa observação dos rumos do mercado é dia após dia e acontece há anos.

BT – Quais estratégias impostas pelo novo cenário foram necessárias traçar?

Malfatti – A mais recente para nós, em resposta à necessidade que veio junto com a transformação digital, foi o reforço no oferecimento da segurança. Sem dúvidas, hoje, ela é mais estratégica do que nunca. E não falo somente sobre a segurança da informação, mas também a relacionada à estabilidade do sistema, sua disponibilidade. Imagine uma empresa sem internet por apenas uma tarde? Dependendo do ramo de atuação, pode gerar prejuízo incalculável.

Em fevereiro deste ano, inauguramos o primeiro Scrubbing Center de DDoS da América Latina, em São Paulo. Ele é tão sofisticado que aprimora o Serviço Global de Mitigação de DDoS da Companhia em nível global. Essa é uma prova de que continuamos investindo em nosso portfólio de segurança gerenciada.

Esse centro representa uma expansão da funcionalidade do serviço de segurança da companhia na América Latina, assim como também a disponibilidade de pessoal adicional dedicado à segurança na região.

Outro ponto que merece grande atenção é a questão da Energia, crítico para sistemas de data centers, justo onde bate o coração da nuvem e, portanto, da mobilidade e flexibilidade, protagonistas da era digital. Sem ela, nada acontece, por isso investimos em redundância e modernizações para proporcionar essa tranquilidade aos clientes. Temos 17 data centers em 14 cidades em todo o mundo.

BT – A busca pelo alinhamento ao novo cenário trouxe novos clientes para Level 3?

Malfatti – Trouxe novos clientes e, além disso, fortaleceu a demanda de alguns e nos inspirou para desbravarmos novos mercados muitas vezes por meio de alianças estratégicas.

No início deste mês, fechamos contrato de 20 anos com a Cemig Telecom para troca de fibras (swap) para utilizar a rede dela. Isso porque a Level 3 não tinha infraestrutura no trecho situado entre a cidade de Pouso Alegre e a de Uberlândia (ambas em MG). Assim, expandimos e poderemos transformar negócios por lá. No modelo swap, fornecemos capacidade entre São Paulo e Belo Horizonte à Cemig.

Destaco os pequenos e médios provedores (ISPs) e redes de distribuição de conteúdo (CDN), que estão entre os principais alvos da nossa estratégia para este ano. Nosso empenho é proporcionar mais velocidade para os usuários.

Há três anos, a empresa vem investindo no mercado nordestino. Cerca de 90% dos negócios de capacidade IP vêm da Região Nordeste. Vale ressaltar que 70% do tráfego mundial de internet passa pelo backbone da Level 3. Sendo assim, é natural que os ISPs comprem de nós. Quando saímos do eixo Sul-Sudeste, temos muito provedores em potencial para nossas ofertas.

BT – Alta velocidade é o ingrediente mais cobiçado nas redes que estão ingressando nesse processo de transformação?

Malfatti – Sempre foi e sempre será. Os usuários querem sempre mais, mais e mais. Não vai estancar nunca esse desejo. Nunca será o suficiente. É uma equação que nunca irá fechar. E temos de estar preparados para oferecer sempre mais, com qualidade e por menor custo. Temos de tornar isso possível.

BT – Em que você acha que a Level 3 vai se destacar neste ano diante da concorrência?

Malfatti – Certamente, em nossa capacidade de integração global. Nosso backbone nos proporciona esse alcance. Já há algum tempo, a globalização trouxe esse desafio e nos preparamos para isso. Hoje, as empresas necessitam de integração com o mundo, independentemente de porte. E estamos prontos para isso, porque trabalhamos na construção dessa rede há muitos anos. É difícil encontrar outro fornecedor como nós, com nossa amplitude, com nossa qualidade. Esse é o nosso diferencial e grande trunfo na era digital.

BT – Como o atual cenário político-econômico do País está afetando a operação da Level 3? É um momento de recuo ou de investimento?

Malfatti – O momento é de investimento. Nós prosseguimos com as parcerias, investindo na expansão da nossa rede, e na qualificação das nossas soluções, por meio de certificações que proporcionam serviços de qualidade, alinhados às normas internacionais. As empresas estão começando a perceber que este é o momento para se prepararem para quando o cenário se estabilizar. Acredito da retomada do mercado.

O ano de 2014 foi bastante difícil, 2015 também, mas apesar disso, conseguiu ser melhor do que o anterior. E, por incrível que pareça, 2016 está sendo melhor. Mas isso não é mágica, a cada ano, lições são aprendidas e estratégias são ajustadas. O cenário nebuloso não abalou nossa operação. E sigo a máxima “Onde tem problema, tem benefício”.


Clique para ler a bio do autor  Clique para fechar a bio do autor