Entrevista da Semana: “Temos de conviver com Flintstones e Jetsons na era digital”, diz CEO da Sonda IT no Brasil

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A transformação digital protagoniza hoje as discussões e planos estratégicos de variadas empresas dos mais diferentes setores. Não é somente a bola da vez, mas o caminho vital para assegurar uma vaga em um futuro que está logo ali. Mas o que fazer com o legado? Essa questão se propaga tal qual uma praga sideral nas mentes de muitos CEOs, CIOs, CMOs, CFOs …

Para Eduardo Borba, presidente da integradora latino-americana Sonda IT no Brasil, o segredo para respondê-la mora na habilidade de quem vai desenhar não somente o novo cenário para o cliente, mas entender o que trará mais benefícios para o negócio dele.

“Isso porque tudo depende do setor que a empresa atua e de quão obsoleta está sua estrutura atual. É o que vai definir se é possível traçar um plano de migração para o ambiente digital em etapas ou uma operação mais rápida”, diz o executivo.

Essa habilidade apontada pelo comandante da unidade brasileira mora no que ele chama de uma “empresa multiespecialista”, na qual a Sonda IT se transformou. Isso porque, segundo o executivo, o principal benefício para o cliente é poder encontrar múltiplos especialistas em um só parceiro.

“As nossas especializações são uma fortaleza, mas um ponto que temos focado muito é a experiência do usuário. O que não podemos perder de vista é que o principal interessado é o cliente. É a experiência do usuário que rege a nossa atuação e direcionamento. Afinal, TI não é o seu business.”

Mundos opostos, porém necessários

Multiespecialização, portanto, é a arma da Sonda IT, que contabilizou faturamento global em 2015 de mais de US$ 1 bilhão. “É como vencemos o desafio de unir os mundos dos Flintstones e dos Jetsons”, revela Borba, fazendo referência às séries animadas de TV, ambas criadas por Willian Hanna e Joseph Barbera, na década de 60. Elas retratam os cotidianos de famílias na idade da pedra [a primeira] e na era espacial [a segunda].

Então, como conviver com um pé na idade da pedra e outro na era espacial? “Na maior parte dos casos, o legado ainda é importante para o negócio, ou seja, ainda paga as contas da empresa. Por isso, é que teremos de conviver por um bom tempo com o antigo e o novo ambiente de TI.”

Quando a organização consegue abrir mão do legado, tira dos ombros um grande peso.  “Abrir mão do custo da estrutura antiga é dar um salto na direção da inovação”, decreta. Mas em linha com “nem tanto o céu, nem tanto a terra”, o calcanhar de aquiles é manter o equilíbrio adequado entre ambas perspectivas – antigo e novo – durante a transformação digital.

Por exemplo, ele aponta: “Se alguém sucumbir à tentação de priorizar esforços em inovação e construção do futuro em detrimento da adequada atenção da infraestrutura e sistemas existentes, pode causar grandes danos em sua operação atual. Por outro lado, focar em otimização dos sistemas atuais sem qualquer ação de construção do futuro pode ampliar os resultados de curto prazo e deixar a empresa obsoleta e incapaz de sobreviver no futuro”.

Mais fácil mudar estrutura do que pessoas

A mudança cultural é sempre mais lenta, segundo o executivo. “As coisas mudamos mais rápido, o mesmo não acontece com as pessoas. Por esse motivo, hoje, aqui no Brasil, a melhor estratégia e fazer a transformação digital em etapas… pois impacta menos nas pessoas e também garante a rentabilidade em cada uma das fases.

A sabedoria parece estar em fazer com que esses mundos coexistam por um tempo até que a empresa tenha folego para eliminar o antigo. “Executivos são pessoas e formam seus hábitos de produtividade de acordo com ferramentas disponíveis no momento. Mudar a tecnologia não significa apenas trocar dispositivos, mas sim digitalizar processos e a cultura das pessoas. A evolução tecnológica sempre avança mais depressa do que a adoção de novidades pelos usuários”, alerta.

Ele acrescenta que quando as pessoas envolvidas nos projetos de transformação digital se identificam com o benefício e vislumbram uma melhor experiência em suas tarefas conquista-se o engajamento. E assim, os Fliststones vão cedendo lugar aos Jetsons no mundo digital.


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