Empresas estão agindo como startups de TI em negócios digitais. Decisões velozes, diz Gartner

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O instituto de pesquisa e consultoria Gartner anunciou hoje (4) durante o evento “Conferência Infraestrutura, Operações de TI e Data center 2016”, que termina amanhã, em São Paulo, as principais tendências que terão impacto direto em como a TI fornece serviços para os negócios nos próximos cinco anos.

De acordo com David Cappuccio, vice-presidente e analista do Gartner, essas previsões estão relacionadas aos aspectos sociais, comerciais e tecnológicos. “É necessário que a área de Tecnologia da Informação compreenda a origem dessas tendências e quais são os efeitos em cascata em suas operações para gerar um impacto significativo na estratégia, no planejamento e nos negócios da organização”, afirma.

O Gartner destaca que as principais tendências com impacto em data center, infraestrutura e operações incluem:

Demanda Contínua: Os negócios estão seguindo novas direções e novos mercados, gerando mais necessidade por serviços contínuos de data center, infraestrutura e operações. No entanto, o orçamento primário das organizações para Infraestrutura e Operações (I&O) é para manter os processos já existentes em funcionamento – conhecido também como custos operacionais. O orçamento de TI possui dois requisitos principais: aumentar/transformar alocações e executar alocação. A I&O precisa priorizar o crescimento e as iniciativas de transformação para atender à demanda contínua.

TI para Negócios: O ambiente de negócios digitais é representado por empresas agindo como startups de tecnologia, com decisões sendo tomadas rapidamente. Quando os negócios não podem esperar, ou quando não confiam na TI, as decisões são tomadas fora da TI tradicional. “A solução para a I&O não é controlar essas decisões, mas se envolver com os projetos inicialmente, aprender o que o negócio está fazendo, o que eles precisam e como a TI pode ajudar”, diz Cappuccio.

Informática de Ponta: Os líderes de I&O devem entender que nem todos os dados gerados pelos sensores de aparelhos conectados precisam ser enviados para o centro ou nuvem de dados. Eles devem comparar os gastos com processamento de informações aos custos do envio de dados para o Data center. Precisam trabalhar com o negócio para entender o valor de curto e longo prazos dos dados que são armazenados na margem e no Data center, e implementar políticas de retenção da maneira adequada.

Transformação de Armazenamento: Estruturas e outros locais utilizados para armazenamento serão radicalmente diferentes no futuro. Os líderes inovadores de I&O já estão e continuarão implementando todos os Data centers usando unidades específicas (SSDs) – dispositivos para armazenamento de dados que, de certa forma, concorrem com os discos rígidos. Por meio da implantação de SSDs por todo o Data center, os líderes de I&O podem diminuir os custos operacionais em termos de administração da matriz de armazenamento, obter mais espaços no chão e/ou em prateleiras e gerar mais reduções de energia e resfriamento.

Data center como Serviço: “Em um mundo ideal, a ‘infraestrutura’ como conhecemos torna-se relevante apenas como um suporte, e não mais como ponto de controle para serviços serem fornecidos. Em suma, precisamos criar um modelo de Data center como um Serviço (DCaaS), em que o papel da TI e do Data center seja fornecer o serviço correto, na velocidade correta, do fornecedor correto, no preço correto. Assim, a TI torna-se um agente de serviços”, afirma Cappuccio.

Evolução dos Sistemas Convergentes: Como um mercado total, o Gartner prevê que os sistemas convergentes apareçam muito fortes nos próximos cinco anos. Esses sistemas trazem a promessa de menos tempo para a implementação, melhor eficiência operacional e, em alguns casos, melhores níveis de desempenho. Os usuários deparam-se com desafios na adoção desses sistemas porque as comparações entre os diferentes tipos de sistemas convergentes ou entre os sistemas convergentes e os tradicionais podem não ser totalmente claras.

Containers e Microsserviços: Containers são infraestruturas portáteis entre sistemas de operação (OS) idênticos e ambientes computacionais. Como só existe um modelo de OS (e núcleo), mas potencialmente muitos containers hospedados dentro desse modelo, eles são mais leves do que máquinas virtuais, permitindo consumo de recursos mais eficientes e de maior densidade.

Já a arquitetura de microsserviço permite agilidade e escalabilidade inéditas. Com o uso dessa arquitetura, as organizações podem implementar características individuais de aplicação conforme forem desenvolvidas e escalar apenas as partes da aplicação que causam entraves. A maioria das organizações que adotaram a arquitetura de microsserviço tem feito isso para embasar suas práticas contínuas de entrega. A redução das implantações diminui muitos riscos associados a essas práticas.

Convergência entre TI/TO e IoT: A Internet das Coisas (IoT), amplamente impulsionada pelo surgimento da tecnologia de sensor econômica e análises baseadas em Nuvem, irá acelerar a convergência com a Tecnologia da Informação (TI) e Tecnologia da Operação (TO) e permitir que diferentes tipos de organizações explorem seus benefícios. As plantas e os equipamentos existentes serão adaptados às capacidades da IoT, dada a prevalência e os preços menores, e os líderes empresariais buscarão por uma nova TO, capacitada pela IoT para a transformação dentro da empresa. O Gartner prevê que, até 2018, as tecnologias da IoT serão exploradas com sucesso e integradas por mais de 70% dos líderes apoiadores de TO.

“Devemos observar que o nível de convergência será altamente dependente da indústria, além de influenciado por fatores culturais e políticos. Por isso, algumas empresas incluirão a convergência mais profunda e rapidamente do que outras”, afirma Cappuccio.

Gerenciamento da Infraestrutura Global: Profissionais de Tecnologia da Informação descobriram que existem pouquíssimas ferramentas disponíveis para ajudá-los a visualizar o processo de gerenciamento de infraestrutura de ponta a ponta. A capacidade de explorar um processo de negócios por completo e analisar quais componentes ele utiliza, quais níveis de desempenho (ou problemas) ele tem, quais KPIs ou SLAs (níveis de qualidade) está atingindo é indispensável, assim como ser capaz de mapear todos os fragmentos em um fluxo coerente.

Habilidades e Shadow IT: Quase toda organização é confrontada a lidar com um crescimento significativo em Shadow IT, termo que significa investimento em adquirir, desenvolver e/ou operar soluções de tecnologia fora do controle do departamento de TI. As organizações de TI precisam reavaliar sua perspectiva sobre “Shadow IT” e adotar as práticas que irão explorar isso como um mecanismo de fornecimento, mesmo que com algumas proteções e esclarecimento de responsabilidade para reduzir os riscos e aumentar o valor.