Futuro dos dados está nas mãos dos cientistas e da TI repaginada

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Que os dados são vitais para os negócios, todos sabemos. Mas em plena revolução digital, em que as empresas têm de se transformar, mexendo em seus processos e linhas de posicionamento no mercado, ganha esse round quem souber tratar de maneira correta, analítica e confiável a mina de dados, que jorra frenética e transborda nas companhias. Esse é o recado geral do Gartner hoje (10), durante a Conferencia Gartner Business Intelligence, Analytics & Information Management, em São Paulo.

O grande desafio nessa jornada, ou seja, de trabalhar com dados megatratados e confiáveis, é justo criar esse caldeirão de dados “supervaliosos”. É uma tarefa que requer um empenho profissional grandioso, de separar o “joio do trigo”, quando se considera triar o que, de fato, é importante e valioso para os negócios, de um balaio composto por dados que chegam de diferentes frentes (fornecedores, parceiros, web, IoT).

É aí que entram em cena os conhecidos cientistas de dados ou arquitetos de dados. Ao que parece, os donos da bola do futuro, quando o assunto for Dados Confiáveis e Valiosos, fiéis escudeiros do decantado “valor agregado”.

A representação de informações e o cálculo de medidas de desempenho só podem ser realizados por meio de uma cultura centrada em informações, fundamentada em uma sólida base de dados confiáveis, defende o Gartner.

“Isso envolve a nova definição do que deve ser uma nova plataforma de BI, que, consequentemente impacta no papel da TI, que, nesse novo cenário, deve empoderar os usuários na ponta, com o objetivo de entregar mais valor ao negócio de maneira mais rápida”, diz, João Tapadinhas, diretor de Pesquisas em Business Analytics & Data Science, do Gartner.

No desenho atual do mundo corporativo, os usuários querem maior capacidade e maior flexibilidade para acessar e trabalhar dados, reitera Tapadinhas. Segundo o executivo, o pulo do gato está em ser concedido a eles maior capacidade para criar sua própria informação [com os tais dados confiáveis e megatratados]. “Tudo isso, apoiado em capacidades técnicas diferentes, passando de um modelo centralizado para o de autonomia, mas não de independência, seguindo modelos, regras e processos.”

Em uma esteira de mercado repaginada, certamente a TI deve se adequar. “Ela tem de assumir a posição de facilitador de análises e não mais de produtor de informação”, destaca.  Qual a vantagem disso? “Entregas de TI mais ágeis para as áreas de negócios”, responde. E o resultado? “A equação: autonomia + agilidade =  mais conhecimento.”

Outra saída do momento é não colecionar a avalanche de dados, diz Ian Bertram, MVP Data Management, do Gartner. “E sim nos conectarmos a eles”. Ele frisa bastante a importância de tratar os dados antes de qualquer ação estratégica. “Temos de polir os dados”, recomenda. Mas alerta para o fato de que há uma sequência para a conquista da excelência, aliás, como de praxe.

Primeiramente, os investimentos das empresas são alocados no que o Gartner classifica como primeiro estágio, o Information Portal [Portal de Informações], depois de avançar em informação, agregando dados de fornecedores, parceiros, entre outros da cadeia de negócios, passa a investir em Analytics Workbench (AW).

Hoje, as empresas transformadas e em transformação digital, ele afirma, estão direcionando seus investimentos nesse estágio (AW). “Os negócios estão acontecendo aí”, avisa. E o  estágio que seria o “nirvana”, o Data Science Laboratory, onde tudo de bom acontece.

Mas falta dinheiro no Brasil para que as empresas invistam pesadamente na tão falada e almejada transformação digital, considerada o passaporte para o ganho real de competitividade, fala apropriadamente Donald Feinberg, vice-presidente e Analista Emérito do Gartner.

Por essa razão, Feinberg destaca e enaltece a nuvem como a principal saída para a rentabilidade das empresas em solo nacional. “Ela trará a otimização dos custos”, alerta. E, ele ensina, tudo começa com um planejamento digital, bem pensado. “A transformação deve acontecer também para primeiramente definir qual o papel da TI. Aqui no Brasil, a TI ainda é governada pela própria TI. Deve haver a descentralização”, recomenda.

“Os líderes de Analytics do futuro se certificarão se possuem um mandato claro – o valor de negócio”, diz Feinberg. “Nos próximos anos, o valor de negócio fundamentado em Analytics estará pronto para explodir por meio da utilização de novas ferramentas Analytics.”

É esperar para ver.


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