IBM mostra como blockchain vai se expandir além da bitcoin

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A tecnologia blockchain foi liberada em 2009 como protocolo de registro de transações da criptomoeda bitcoin. Mas sua utilidade vai muito além disso, e a IBM acredita em sua capacidade de disrupção em várias indústrias.

*em Las Vegas

Os casos que a gigante norte-americana apresentou no segundo dia de IBM Edge são fascinantes. Donna Dillenberger, IBM Fellow de Enterprise Solutions e Research, subiu a palco para explicar como a companhia está usando uma versão muito diferente de blockchain para resolver problemas internos. Essa versão nos mostra o incrível potencial da tecnologia olhando para o futuro.

“Blockchain é um software que fornece uma base de dados para todas as partes envolvidas. Quando uma parte insere um registro no blockchain, este devolve um protocolo de validação, e uma vez que esteja validado, esse registro é propagado em todas as instâncias”, sintetizou Donna. “Aqui está o interessante: uma vez que se insere um registro no blockchain, nenhum usuário pode mais apagá-lo ou modificá-lo. Então temos o poder da confiança em nódulos distribuídos e registrando informação.”

Num momento em que a IBM está fazendo tudo para mudar a percepção do mercado sobre sua filosofia – agora que é ferrenha defensora de sistemas de código aberto – o blockchain faz parte desse novo legado.

Eis como: a companhia tem 4 mil fornecedores e parceiros em todo o mundo, e todos os anos tem em torno de 2,5 mil disputas com eles. Um diz que enviou uma fatura, mas a empresa não a aprovou; outro fala que enviou um componente, mas a IBM não recebeu. “Temos US$ 100 milhões suspensos em nossa cadeia de valor. Isso leva 44 dias para resolver, em média; e cada disputa ronda os US$ 31 mil”, revelou Donna.

O que a IBM está fazendo é levar tudo isso para o blockchain. “Estamos pedindo a nossos parceiros e fornecedores que insiram o registro da transação no blockchain, nós o faremos também quando estiver aprovado. Todo mundo pode olhar no blockchain e ver qual o estado do processo.” O resultado disso é que o número de disputas já está se reduzindo.

Esse aplicativo da IBM foi construído em cima do blockchain open source Hyperledger, algo que nem existia há pouco tempo. “No ano passado, usaríamos blockchains derivados de bitcoins”, contou Donna, falando de vários aplicativos desenhados com clientes em vários setores. Só que eles pediram funcionalidades adicionais. “Queriam que os dados fossem criptografados e tivessem uma política de controle de acessos. Ademais, queriam assinaturas digitais, queriam ver o pedigree dos dados.”

O projeto Hyperledger, cujo código foi doado em dezembro de 2015, permite que as pessoas assinem digitalmente os dados. É, por isso, diferente de bitcoin. “Você pode configurar para ser público, anônimo, e sem assinatura, ou então com dados cifrados, com políticas de controle”, explicou Donna. “O código se tornou um dos projetos open source mais populares da história”, comemorou.

E o que a IBM ganha com tudo isso? Naturalmente, tem uma parte de negócio associada. Você pode usar esse código em laptops, em centros de dados de sua empresa ou, é claro, na nuvem da IBM. No mês passado, a companhia anunciou uma nuvem blockchain que chama de “mais segura da indústria.” Inclusive construiu hardware específico para essa nuvem, baseado no servidor LinuxOne.

“A web se tornou tão popular porque nos permitiu compartilhar informação. Agora, o blockchain está se tornando popular porque permite que essa informação tenha pedigree”, afirmou a investigadora.

Certo é que a tecnologia é promissora, e vários setores estão tirando partido dela: programando aplicativos para seguradoras e companhias financeiras, para saúde ou para compartilhar informação e registrar a transferência de ativos, e a posse dos mesmos.


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