IBM LATAM: “Dell está construindo algo que a gente não entende”

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Em meio à fusão definitiva entre a Dell e a EMC e o Oracle OpenWorld em São Francisco, a IBM organizou seu evento Edge em Las Vegas, para apresentar novidades nas infraestruturas. Conversamos com Pierre Marchand, vice-presidente de IBM Systems para LATAM, sobre as concorrentes estadunidenses da Big Blue.

Marchand não mediu palavras na hora de analisar o que está acontecendo com as concorrentes da IBM. Agora que a fusão entre Dell e EMC está completa, e que a nova empresa – Dell Technologies – está tentando acalmar as dúvidas do mercado, Pierre Marchand não está seguro de que isso vá acontecer tão rápido.

“Como todo mundo disse, ninguém sabe bem onde isso irá, e ninguém sabe porque fizeram isso.”, declarou o executivo. “Dell é um fornecedor tradicional de infraestrutura de servidores, EMC é um fornecedor tradicional de armazenamento. E o mundo é híbrido. Claro, tem a vantagem de juntar clientes, mas eles não têm portfólio para oferecer a solução que o cliente pretende. Então, o quê o cliente vai fazer, vai comprar EMC ou Dell e daí Softlayer, Amazon, Google ou Azure?”, questionou.

No IBM Edge, a companhia repetiu uma e outra vez que seu foco é tecnologia aberta, com flexibilidade para todos os usuários, e os olhos postos no futuro cognitivo. Pierre acredita que o racional do negócio entre Dell e EMC não está claro para ninguém.

“Creio que, igual que nem a Oracle, estão no meio do jogo. Não sei o que vai acontecer. Michael Dell é um cara espectacular, mas o mercado geral não sabe porque ele fez isso, e qual o objetivo”, afirmou. “Menos ainda porque pagaram um monte de dinheiro; esperamos que o recuperem, a bem de todos os empregados. Vai trazer benefícios de escala, mas como estratégia de negócio não se parece com nossa visão, e a gente acha que vai na direção correta.”

Como é óbvio, a IBM tentará aproveitar esse momento de confusão, “sem dúvida alguma”, refere Pierre. “Toda nossa comunicação interna é ‘ataquemos os confusos‘”, brinca. “Não sabemos o que vai acontecer. Por exemplo, empresas como Lenovo estão super especializadas. Dell está construindo algo que a gente não percebe.”

Pierre também falou da Oracle, que teve seu OpenWorld em São Francisco essa semana. “Eles entraram tarde no tema da nuvem e suas receitas vêm sobretudo da base de dados. Estão lutando contra um ataque brutal de SAP, com SAP Hana“, sublinhou. O executivo também contou uma história para ilustrar sua posição: “Faz ano e meio, me queixei que não conseguia certificar Power para Oracle Linux. A resposta foi: não sabemos o que vai acontecer no futuro. A base de dados da Oracle é fechada, e o mundo vai ser aberto. Certificar com Oracle é olhar para trás, não em frente”, contou Pierre. “Eles não estão entendendo para onde vai o futuro. E todo mundo vai te dizer que a melhor infraestrutura para correr Hana é Power, de longe”, assegurou.


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