Futurecom 2016: América Móvil descarta interesse na Oi, mas avaliaria ativos em SP

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Uma das possibilidades aventadas no processo de recuperação judicial da Oi é a venda alguns ativos para fazer caixa, entre eles a rede de fibra óptica no Estado de São Paulo e, possivelmente, a operação móvel paulista, que poderiam interessar à AMX. TIM também descarta interesse na Oi e, por enquanto, apenas observa.

José Félix, CEO do grupo América Móvil no Brasil, que controla a Net, a Claro e a Embratel, negou que o grupo controlado pelo bilionário mexicano Carlos Slim tenha interessa na Oi. “O que foi dito no México é que a América Móvil está interessada por obrigação de acompanhar o mercado. A Oi tem fibras para vender em São Paulo e a operação móvel. A diferença é que estamos interessados em certos ativos, o que não significa que queremos comprar a Oi. É tudo muito superficial. Não sabemos se terá um processo dessa natureza e, se houver, precisamos sentar as equipes de engenharia, marketing e advogados para ver se há complementaridade (com a nossa rede)”, explicou Félix em conversa com jornalistas durante a Futurecom.

O executivo disse, contudo, que não acredita que a Oi sairá do mercado. “Tem de haver quatro competidores no Brasil”, pontuou.

Já o CEO da TIM Brasil, Stefano De Angelis, declarou durante o painel que a operadora do grupo Telecom Italia apenas observa os desdobramentos da situação da Oi. “Não estamos interessados. Estamos na janela apenas observando porque temos de estar. Temos acordos de swap de fibra e de RAN sharing com a Oi. É impossível em um mercado com apenas quatro grandes operadoras isso se passar com a Oi e não acompanharmos. Temos de estar na janela”, enfatiza De Angelis.

Marco brasileiro e redes 4G

Félix também comentou com certa apreensão o projeto de lei que muda o marco brasileiro de telecomunicações e permitirá que as concessões de telefonia fixa sejam convertidas em autorizações mediante a troca de obrigações de metas de qualidade e universalização por investimentos em áreas a serem determinadas pela Anatel. “Estamos acompanhando, mas fosse qual fosse a mudança, deveria ser opcional. A obrigatoriedade de trocar a diferença do VPL (valor presente líquido) da concessão para autorização tem de ser melhor escrita. Como não há um tempo definido (no texto), nossos advogados temem que seja um investimento perpétuo, que tenhamos que nos responsabilizar pelo ativo”, explica o CEO da América Móvil.

Com relação ao 4G, Félix revelou que a cobertura de LTE da Claro já está presente em 400 cidades, número que deve chegar a 1,7 mil municípios em 2017 e a 4,3 mil localidades em 2019. A Claro também está negociando uma grande compra de equipamentos LTE com a chinesa Huawei. “Ainda não fechamos porque pedimos para a nossa engenharia já incluir no planejamento a faixa de 700 MHz. Pagamos muito dinheiro pelo 700 MHz e já queremos fechar o contrato com equipamentos para essa frequência”, conta.


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