Futurecom 2016: Com o fim das vacas gordas, foco de investimentos da Vivo em 2017 será fibra e 4G

HOME
0 0 Sem Comentários

“As empresas precisam mudar o modelo de negócios. Será uma mudança dura, radical, mas necessária para ter o share justo do novo ecossistema”, declara o presidente da Vivo, Amos Genish.

Como se diz no Brasil, acabou-se o tempo das vacas gordas para as operadoras de telecomunicações. O cenário em que as operadoras tinha um negócio rentável com margens altíssimas e distribuíam enormes lucros a seus acionistas em forma de dividendos chegou ao fim, basta olhar o balanço das teles no mundo todo. A constatação é de Amos Genish, presidente da Telefônica/Vivo, ao falar sobre a necessidade de mudança de pensamento e de modelo de negócios das operadoras. “As margens estão caindo e hoje as operadoras crescem apenas 1% ou 2%, a rentabilidade está caindo e os dividendos distribuídos diminuem ano a ano”, disse em entrevista a jornalistas durante o Futurecom 2016 nesta terça, 18. “As empresas precisam mudar o modelo de negócios. Será uma mudança dura, radical, mas necessária para ter o share justo do novo ecossistema”, pontua.

Pensando nisso, a estratégia da Vivo para se converter em uma empresa totalmente digital é focar os investimentos a partir de 2017 em 4G e fibra óptica, com investimentos mínimos em tecnologias legadas como cobre, 2G e 3G. “Vamos investir mais de R$ 8 bilhões em Capex, mas em inovação. Quase não investiremos mais em sistemas legados porque o futuro é 4G, 5G e fibra. Vamos otimizar o Capex nas tecnologias mais relevantes para o futuro da empresa”, afirma Genish. As redes de cobre serão substituídas por fibra até o armário, oferecendo mais velocidade, de 30 Mbps ou 40 Mbps com tecnologia FTTC para locais que até então contam com velocidades de cerca de 5 Mbps.

Otimização do Capex

Ele lembrou que embora as receitas de voz ainda representem 45% do faturamento da Vivo, elas têm caído de forma exponencial e as receitas de dados compensam apenas parcialmente essa queda. “Dados tem ajudado a compensar as perdas de voz, mas sem crescimento, num ambiente com inflação altíssima, a receita nominal flat perde receita real a cada ano, perdemos bilhões de reais em receita a cada ano”, aponta.

Genish já relata dificuldade de cobrar dos usuários por minutos de telefonia e as teles precisam adotar franquias para combos de serviços. “Precisamos de nova fonte de receita baseada em serviços digitais.”

Para dar base a essa nova gama de serviços e trazer novas receitas, a Vivo também aposta no Big Data. A operadora aumentou em 18 vezes sua capacidade de processamento de dados coletados e a previsão é de que crescer 25 vezes o setor de analytics até 2019, quando terá um total de 65 cientistas de dados contratados. “Temos uma mina de ouro que as OTTs não têm. Sabemos o ARPU, mobilidade, atendimento, rede social e muito mais para entender com visão 360 graus o nosso cliente”, diz. O Big Data da Vivo, além de criar ofertas com maiores chances de serem aceitas pelos clientes, consegue também prever com três meses de antecedência e com precisão de 85% quando um cliente vai sair da operadora. E segundo Genish, com tecnologia de machine learning, a predição do churn chegará a uma precisão de 90%.

 

 


Clique para ler a bio do autor  Clique para fechar a bio do autor