Futurecom 2016: Ericsson admite que pode fechar fábrica no Brasil

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Segundo Sérgio Quiroga, presidente CALA da Ericsson, a Lei de Informática brasileira, que está sendo questionada na Organização Mundial do Comércio, é essencial para manter em funcionamento a fábrica instalada no país em 1955 e que hoje emprega 1.500 funcionários.

Durante painel da Futurecom 2016 que reuniu governo, presidentes de operadoras e de fornecedores na manhã desta quarta-feira, 18, Sérgio Quiroga, presidente da Ericsson para a América Latina e Caribe (CALA), admitiu a possibilidade real de encerrar as atividades unidade fabril da sueca no Brasil caso o país perca a disputa na Organização Mundial do Comércio (OMC) em relação à Lei de Informática – que dá incentivos para a produção local de equipamentos eletrônicos de telecomunicações em troca de investimentos em pesquisa e desenvolvimento (P&D).

“Somos os últimos dos moicanos a manter fábrica e P&D no Brasil. Estamos desde 1955 aqui. Já não estamos fabricando mais na Suécia; a Ericsson demitiu com isso 3 mil suecos. Muito difícil convencer a manter a fábrica no Brasil e não demitir nossos 1,5 mil funcionários (da fábrica). Eu me apoio muito na Lei de Informática para continuar defendendo essa manutenção, vou fazer de tudo para manter, mas sem a Lei de Informática é difícil defender”, disse.

A disputa na OMC é antiga. Começou ainda no início do ano passado, quando a União Europeia e o Japão questionaram a política industrial brasileira, em especial para a indústria automobilística, mas pode ter efeitos sobre a Lei de Informática. A conclusão da investigação que está sendo conduzida pela OMC é esperada para o início de 2017.

Aluizio Byrro, chairman da Nokia para a América Latina, lembrou que a Associação Brasileira da Indústria Eletro Eletrônica (Abinee) está auxiliando a defesa do governo brasileiro junto à OMC, mas está convencido de que “alguma penalização virá”.

“Precisamos efetivamente de uma política industrial no Brasil para desenvolvimento local, mas tem de ser sadia e perene, uma alternativa que inclua exportação, especialmente focada em software e serviços, que ainda têm espaço para crescer”, disse Byrro, lembrando que atualmente software e serviços respondem por 2/3 do faturamento da Nokia.

“Tem de mudar a política que visa apenas o mercado interno. Se essa situação não for mudada, não vai ter mais indústria no Brasil”, alerta.


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