Futurecom 2016: Operadoras precisam se mexer para não perder a onda do IoT

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Teles não se preparam adequadamente para a demanda gerada pela introdução dos smartphones nas redes 3G nem para o volume de dados dos novos serviços de streaming de vídeo e continuam vendendo apenas bits e bytes. Agora precisam se preparar se quiserem monetizar nova onda de serviços sobre suas redes.

A expectativa de bilhões de novos dispositivos conectados transmitindo informações em tempo real nas redes das operadoras nos próximos anos é algo que está no radar de todas as operadoras. Mas a grande questão da Internet das Coisas para as teles continua sendo: como monetizar?

O assunto foi tema de painel do primeiro dia da Futurecom, que acontece de hoje até dia 20 em São Paulo. Para Tarcisio Ribeiro, vice-presidente de global sales e serviços da Coriante, a Internet das Coisas será uma revolução com impacto maior que a revolução industrial, ou da Internet ou mesmo da mobilidade. “Estamos falando de um volume de dados da ordem de 3,2 petabytes e as redes hoje não têm capacidade para isso. As operadoras já falharam em prever o impacto da introdução dos smartphones nas redes 3G; também não previram o impacto da entrada dos serviços de streaming de vídeo como o Netflix. Elas não conseguiram ganhar dinheiro com esses novos serviços, a não ser com a venda da conectividade e se não mudarem sua filosofia, também não vão monetizar a IoT”, alerta Ribeiro.

O dilema das operadoras, como ressalta André Luis Moura Ituassu, diretor de investimentos, coordenação operacional e desenvolvimento de soluções da Oi, é que precisam continuar investindo em redes, transformar a arquitetura dessa infraestrutura, trazendo os elementos de caro para mais próximo das redes de acesso, e ainda tentar viabilizar esse investimento com modelos de negócios de IoT. “Perdemos as ondas anteriores, tá todo mundo aí aproveitando as nossas redes e a gente ainda vendendo bits e bytes. Estamos trabalhando e estudando em conjunto com fornecedores e parceiros soluções conjuntas de IoT e não precisa nem ser na rede da Oi”, revela Ituassu.

Para Silmar Ferreira Palmeira, diretor de inovação e tecnologia da TIM, a IoT não tem nada a ver com o mercado de comunicação entre máquinas que temos hoje. Serão inúmeros serviços com um número muito maior de transações e isso exigirá padrões em banda estreita (narrowband) que tornem os custos não apenas baixos, mas baixíssimos.

“A arquitetura e também a topologia de rede de transporte tem de ser alteradas, com os elementos de core de rede indo para as pontas, ficar mais perto da camada de aplicações”, completa Palmeira.

Oportunidades

Para o vice-presidente de serviços gerenciados da CSG, RiFuturecomchard Ullenius, as oportunidades estão abertas para as operadoras, mas elas precisam agir, “e agir agora”, para poder fazer parte do mercado que deve movimentar US$ 11 trilhões globalmente até 2025. “Quando pensamos em IoT, não pensamos grande o suficiente, a oportunidade está aqui e agora, e não daqui a 3 ou 5 anos”.

Ullenius detalha dois dos principais cenários possíveis: “É claro que podem não fazer nada e continuar sendo carriers, provendo conectividade com alto capex para investimentos em redes para suportar a explosão do volume de dados. Ou podem se tornar um agregador para serviços de terceiros, oferecer serviços fim-a-fim para clientes e empresas”.

Luiz Tonisi, vice-presidente de vendas da Nokia para o Brasil, concorda: “Serão múltiplos serviços, com outras aplicações, e-health, driveless cars, todos os dispositivos da casa do usuário conectados. Para isso será preciso além de uma plataforma de multisserviços na operadora, um home gateway dentro da casa do usuário”. E mais que isso, como destaca Juantxo Guibelalde Folch, sócio da Everys IoT, a tendência é de que a Internet das Coisas seja vendida como serviço. “O cliente não quer saber de sensores, de rede, quer o serviço. E tudo vai evoluir ainda mais para um conceito de Information as a Service, o que muda completamente para as operadoras – a relação do cliente vai ser com o provedor de serviços de IoT e a operadora vai ter como cliente esses provedores de serviços”, explica Folch.

O head de carriers and smart energy business units da NEC, Roberto Seiji Murakami, é um otimista, contudo. “As operadoras estão se transformado. Têm vontade e necessidade porque sabem que se continuarem da mesma forma vão ficar pelo meio do caminho. Isso não é simples, é doloroso, passa por virtualização das redes e é um exercício de erros e acertos”, conclui.


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