Entrevista da Semana: Resource IT prepara expansão para a Europa e possível IPO

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Em entrevista exclusiva à BITmag, Gilmar Batistela, CEO da Resource IT, conta como a Resource IT conseguiu se reinventar para garantir um crescimento médio de 25% ao ano em faturamento no Brasil nos últimos anos, além contar também os planos de expansão internacional da empresa para a América Latina e, no futuro, para a Europa. Também está no radar do CEO preparar a Resource IT para um possível IPO em 2017.

A integradora brasileira Resource IT completou este ano 25 anos de atuação no mercado e está entre as três maiores integradoras do país com um portfólio que inclui os maiores fornecedores de produtos e soluções, como SAP, Oracle e Salesforce. A empresa, que desde 2009 vem investindo na expansão de seus serviços com aquisições de empresas – foram dez empresas adquiridas em apenas cinco anos – precisou se reinventar para sobreviver ao que o CEO global da Resource IT Gilmar Batistela classifica de “uma das piores crises que o Brasil já viveu”. Em entrevista exclusiva à BITmag, Batistela, que fica sediado no escritório da empresa em Miami mas esteve no Brasil há alguns dias, fala das aquisições e de como a Resource IT conseguiu se reinventar para garantir um crescimento médio de 25% ao ano em faturamento no Brasil nos últimos anos, além contar também os planos de expansão internacional da empresa para a América Latina e, no futuro, para a Europa. Também está no radar do CEO preparar a Resource IT para um possível IPO em 2017.

 

BITmag – Com 25 anos atuando no mercado brasileiro, como a desaceleração da economia vivida pelo país nos últimos anos impactou os negócios Resource IT?

Gilmar Batistela – Como uma empresa que sempre se antecipou, nos últimos anos começamos a investir muito na nossa própria transformação digital. A gente acaba de atravessar uma das maiores crises que o país já viveu. Tivemos de nos reinventar, rever nossas ofertas, e nos transformamos de uma empresa de mão de obra intensa para uma empresa de inteligência. No segundo semestre de 2015 tivemos que sentar a diretoria e o planejamento estratégico para rever nossa forma de trabalhar, reaproveitar o que já fazemos para poder vender com preço mais em conta para o cliente.

Tínhamos uma máquina de software tailor made que empregava 3 mil pessoas. Criamos um sistema de gestão de conhecimento e agora, cada software que fazemos para uma indústria, separamos para adaptar para outras verticais, passamos a vender soluções semiprontas. Foi nessa ocasião que tivemos de cortar cerca funcionários. Hoje estamos com 2,5 mil funcionários, dos quais 500 dedicados a essas tecnologias digitais como Bid Data, anlytics, CRM e outras. Houve contratos de mão de obra intensiva que eu tive de devolver.

Mas essa transformação veio com a crise?

Na verdade, começamos a desenvolver soluções de mobilidade há cinco anos, que depois viriam a ser parte da transformação digital. Em 2014, especialmente com nossa entrada no mercado dos EUA, começamos a estudar o que aconteceu com as empresas americanas depois da crise de 2008, e o que vi é que a onda de transformação digital ia moer todo muito mais rápido do que poderíamos esperar. Então, no começo de 2015, criei uma vice-presidência específica para transformação digital. Das 3 mil pessoas que trabalhavam na empresa, 2 mil estavam em projetos e tínhamos cerca de 300 pessoas alocadas em projetos que já eram digitais – de big data, analytics etc. – e isso já respondia por 10% do faturamento. Nossa grande questão era como engajar a empresa toda e não ficar, como aconteceu com muitas empresas, com uma ilha digital. Colocamos pessoas-chave, especialistas, para fazer a conexão entre as várias áreas de negócios da empresa e hoje nossa camada de negócios é praticamente toda digital. O motor dos sistemas antigos ainda permanecem, mas toda a camada em volta, relacionamento, com tecnologias móveis e o computador, está tudo integrado.

Quais os principais setores alvo da Resource IT? E qual o diferencial que a Resource oferece para competir com as grandes integradoras?

Os bancos são nossos maiores clientes. Temos mais de mil pessoas trabalhando só no sistema financeiro. O segmento financeiro, que contratava muita mão de obra intensiva e era grande parte do faturamento da nossa empresa, começou a rever os contratos e, se a gente não tivesse se reinventado, eles estariam contratando serviços de outras empresas.

A Resource conhece o negócio dos clientes por completo, está dentro das operações, e isso virou um enorme valor agregado. Somos uma empresa que constrói todas as camadas de relacionamento e que tem acompanhado as tendências de mercado. A coisa anda tão rápido que, se a gente não estiver antenado, fazendo conexões, vendo o que tem de novo, para ficar velho e obsoleto é muito rápido e a empresa não se recupera mais. A gente observa no mercado brasileiro algumas empresas do nosso segmento que já estão com sérios problemas porque não se renovaram.

E quando o mercado volta a crescer?

A minha impressão pessoal é de que a crise já ficou para trás. Os grandes eventos acabaram acontecendo no meio da tempestade da economia e da política. As Olimpíadas deram um sinal positivo para o mundo de que somos capazes. E, como fico nos Estados Unidos, posso dizer que o olhar de quem está de fora, principalmente no mercado americano, é de que a Lava-Jato foi tirando as coisas ruins do passado e de que o brasil será um novo país. O olhar de fora é de esperança de novo. Em 2014 e 2015 o país só afundou na crise, mas hoje já tem muito investimento entrando e acredito, particularmente, que a virada do país será muito mais rápida do que os indicadores mostram. Não já este ano, mas no ano que vem, a partir do segundo semestre, o país estará numa condição muitíssimo melhor.

Quais as expectativas para o negócio da Resource IT?

Somos uma empresa genuinamente brasileira e com mais de 300 clientes estratégicos, muitos deles multinacionais. E o nosso negócio transforma o negócio do cliente. Nossa expectativa é acelerar o crescimento fora do Brasil, tanto nos EUA quanto na América Latina. Queremos ser uma empresa global, com escala. Hoje já somos uma empresa grande, mas por natureza, temos a cultura de ter um atendimento muito próximo do cliente, com decisões rápidas, altamente inovadora. O que tem de melhor no mundo de serviços de TI, nós temos. É um diferencial perceptível que construímos. Agora estamos no ponto de inflexão para a retomada. Vamos colocar muita coisa no mercado, até mesmo adquirir empresas ou preparar a Resource IT para receber aporte de investimentos, com um eventual IPO no próximo ano.

Como evoluiu o faturamento da Resource IT nos últimos anos e quais as expectativas para 2016 e 2017?

Depois do período forte de aquisições, entre 2009 e 2013, onde compramos 10 empresas e conseguimos crescer em faturamento algo em torno de 25% ao ano em faturamento, fechando 2013 com cerca de R$ 400 milhões. Depois chegou a fase de organizar todas essas aquisições internamente, e então veio a transformação digital em que tivemos de demitir, ficamos com 2,5 mil funcionários. Mas mesmo assim, conseguimos manter o faturamento em 2014 e 2015 por volta de R$ 400 milhões. Não estávamos preocupados tanto em crescer, mas sim em aumentar as margens. Em 2016 o faturamento deve ser um pouco menor, mas agora, com a transformação para uma empresa totalmente inovadora, estamos preparados para voltar a crescer a partir de 2017.

E como está a estratégia de internacionalização da Resource IT? Entendo que vocês já têm escritórios nos EUA, no Chile, na Colômbia e recentemente inauguraram um terceiro escritório nos EUA e no México. Quais os próximos passos?

Em 2013 fizemos um plano estratégico para estar nos principais pontos da América Latina e definimos que queríamos estar no Chile, na Colômbia, no Peru e no México. Começamos com Argentina (onde reduzimos nossa operação e já não temos presença com escritório próprio), Colômbia e Chile. Em 2014 aportamos US$ 5 milhões para abrir nossa operação em Miami, Flórida, que é nosso hub de vendas nos EUA, o centro de pesquisa e desenvolvimento no Vale do Silício e em setembro abrimos nosso escritório no Texas.

No Peru já temos alguns clientes e a expectativa é de lançar a operação local por lá no ano que vem. Já temos também algumas conexões na Europa – é tudo ainda muito incipiente, ainda estamos estudando como fazer, mas a expansão para a Europa já está nos nossos planos.


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