Startup Graava lança aplicativo de auto-edição de vídeos

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A equipe que ficou conhecida pela primeira câmera do mundo com auto-edição de vídeos incluída acaba de lançar seu primeiro aplicativo para iOS e Android. Os brasileiros da Graava repensaram sua estratégia e falaram com a B!t durante o Mobile Photo Connect, em São Francisco.

O evento, dedicado a tecnologias em torno das fotos e vídeos captados com o celular, foi palco de apresentação de dezenas de novas empresas. Mas nenhuma tem a tecnologia pensada por Bruno Melo, o CEO da Graava, que foi criada há dois anos em Mountain View, Califórnia. No ano passado, lançaram o conceito da câmara com auto-edição, mas decidiram avançar com outra proposta primeiro.

“A câmera ficou pronta, mas concluímos que o melhor agora é congelar o projeto e focar no software”, conta Bruno Melo. “Ia demorar demais para chegar no mercado. Aí todo o mundo já viu a idea. O investimento é muito alto para desenvolvimento de hardware, precisa de inventário, stock”, explica. A equipe de três co-fundadores decidiu colocar o produto muito rápido no mercado.

Isso aconteceu no final da semana passada, após um mês de lançamento com usuários beta, e já chegou com bónus: a Apple colocou a Graava nos destaques dos novos aplicativos. Porquê? É que, ao contrário de qualquer editor de vídeo disponível no mercado, a Graava não sobe o vídeo na nuvem, não exige conhecimentos nem ações do usuário. É tudo imediato e com resultados surpreendentes.

Quando aperta stop, o usuário só tem de dizer qual o tempo que quer e escolher a música. Imagine que gravou uma hora de vídeo, mas quer compartilhar no Instagram, que só aceita um minuto. A inteligência artificial do app vai identificar os melhores momentos e selecioná-los para incluir no vídeo final. Depois, pode escolher a música de uma base de dados que o Graava oferece ou de sua própria biblioteca. É “uma mistura entre arte e ciência”, diz Bruno Melo, super fácil para o usuário, que não precisa fazer mais nada.

Entre os truques do app está a sincronização das transições com a batida da música. Isso é tão legal que se você troca a música o resultado muda”, refere o CEO.

Apesar de ser fiel ao conceito de auto-edição, o app permite ao usuário algumas escolhas. “A gente criou um recurso dentro do aplicativo que é de ajuste fino. Não é um editor de vídeo, só pode fazer duas coisas: flag e unflag”, adianta Bruno Melo. Isso significa que o usuário pode dizer que não quer um momento específico do vídeo ou que quer mesmo que alguma parte entre.

Já o modelo de negócio daqui para a frente não está decidido. A Graava levantou até agora US$ 2,250 milhões, com financiamento do Brasil e de Silicon Valley, e em 2017 estão considerando uma nova rodada de investimento. “Mas o objetivo da empresa nesse momento não é monetizar, e sim criar uma base de usuários legal, para essas pessoas se identificarem com o app e ajudarem a gente a fazer cada vez melhor”, pontua o executivo.

Como surgiu a ideia

A origem da Graava aconteceu bem por acaso. Bruno Melo estava andando de bicicleta com um amigo e sofreu um acidente, em que o motorista atropelou e fugiu. Não foi um acidente grave, mas nesse dia Bruno tinha uma action camera na bicicleta, mostrou o vídeo para a polícia e o motorista foi preso. Mais tarde, em um dia de tráfego pesado, o brasileiro se sentiu inseguro e pensou de novo na câmera, que raramente usava. “Aí eu entendi que a câmera era ruim, porque não tinha bateria suficiente, os acessórios não encaixavam bem e eu tive essa ideia maluca de que conseguia fazer alguma coisa melhor.” Ele é engenheiro de software e formou a empresa para conceber a primeira  câmera do mundo a fazer auto-edição. “E agora a gente entendeu que não é câmera, é tecnologia.”

Isso porque o smartphone é a câmera que tem mais no mercado. “Dá para rodar essa inteligência dentro do smartphone porque é o único que tem todos os sensores que a gente precisa.”

A ideia chave é que não faz sentido que a câmera entregue um problema para o usuário quando ele aperta stop: vai ter que manter esse arquivo no HD, ter tempo ou conhecimento para editar o vídeo e não pode compartilhar de imediato. “A gente entendeu que não tem lógica nenhuma a câmara te entregar um problema, tem de te entregar uma solução. A câmara tem que auto-editar.”

A empresa vai agora testar um modelo de assinatura, para ver se funciona, mas o app é gratuito e suas melhores características estarão disponíveis para todo. Pode conferir a versão iOS aqui e a versão Android nesse link.