Integração Dell EMC: “Estamos contratando no Brasil”

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A fusão da Dell e da EMC foi oficializada a 7 de setembro e a integração total está decorrendo rapidamente em todo o mundo. Quase dois meses após essa oficialização, como estão as coisas no Brasil? Foi o que a B!t perguntou aos responsáveis da nova empresa, Carlos Cunha (EMC) e Luís Gonçalves (Dell), durante o Dell EMC World em Austin, Texas.

A integração vai exigir redução de quadros no Brasil? 

Luís Gonçalves: Não vai ter redução de quadros, é seguro. É óbvio que a empresa sempre tem um nível de frição. É o normal, que vai se manter, e mais baixo que o resto da indústria. Tem algum overlap mas é muito pouco. Quando você olha o business case do ponto de vista financeiro, como ele foi construído do ponto de vista do investidor, o negócio se sustenta na sinergia de geração de receitas. Não é na redução de pessoas e sinergia de custos. Precisa faturar mais, porque agora temos soluções mais complementares que podemos levar a clientes que antes não poderíamos levar. Então agora temos outros tipos de competidores e soluções. Do ponto de vista de pessoas estão contratando, como estamos contratando no Brasil, inclusive.

Carlos Cunha: Muita gente fala do risco de redução de quadros na integração Dell EMC, eu acho que nós temos um risco de Brasil que é a economia. O que a gente anda avaliando constantemente é para onde a economia do Brasil vai, quando ela se recupera. A integração da EMC muito pelo contrário, ela aumenta a oportunidade e vai nos dar suporte para poder passar por esse momento. Não é uma questão de layoff por causa de integração.

Então a integração não terá um efeito negativo nos quadros em meio a essa crise?

Luís Gonçalves: No caso do Brasil, a integração serve até como atenuante. Porque dada a situação econômica do Brasil, se estivéssemos isolados talvez tivéssemos que ajustar agora para um nível de demanda menor porque o Brasil não está obviamente consumindo o que poderia consumir. Mas trabalhando agora de forma integrada, a gente tem um portfólio que passa a oferecer coisas que antes não oferecia e começa a gerar receitas incrementais que antes não tinha. E aí passa da sustentação para essa organização que está lá até que haja uma retomada da demanda.

Carlos Cunha: Quando a gente fala que há muita complementaridade, isso é real. Quando você entra numa enterprise, a EMC é muito forte, e a Dell não tem tanta penetração. Quando você entra na pequena e média, numa empresa da área de commercial, a Dell é muito forte e a EMC não era tão forte assim. Então a gente tem muito do que chama cross-sell para poder executar tanto no enterprise como no commercial com esses dois tipos de produto. O potencial para você incrementar a receita, fazer com a que soma não dê dois mas dê três, é muito forte.

Luís Gonçalves: Na prática isso está acontecendo já no primeiro item que o Carlos comentou. O cliente fala assim: “agora tenho um cara só para falar? Ótimo, então agora eu quero PC, servidor, notebook”, no cliente que era enterprise. E vice-versa. “Agora você também tem storage EMC? Que ótimo, porque eu estou feliz com seu PC, notebook, servidor, agora quero mais de você também.” O problema, eu diria, está para os nossos concorrentes.

Que indústrias estão crescendo no Brasil?

Carlos Cunha: Tem uns segmentos mais rápidos que outros. Quando se fala em transformação digital, eu vejo a área financeira e de telecomunicações bem mais ágeis na busca por essa transformação. O governo, até por características próprias, é um pouquinho mais conservador, mas também tentando buscar. Não há um segmento no Brasil que esteja totalmente parado. Existem níveis de maturidade diferentes, onde finanças e telco está num nível muito maior quando você compara com todos os outros.

Já existem projetos, por exemplo em Internet das Coisas?

Luís Gonçalves: O IoT acorda uma indústria que talvez para a gente era distante e dormente, que é a automação industrial, toda essa digitalização do footprint industrial. É o primeiro passo, porque essa era uma indústria um pouco mais distinta, tinha suas próprias soluções e normalmente fechadas, que não se conversavam com TI. Essa conexão com TI abre novas oportunidades para empresas como a Dell se posicionarem como um fornecedor forte.

É realmente um mercado novo. Porque hoje, o diretor do chão de fábrica não vai ter lá só os controles e os sensores que estão conectados com aquela planta e desassociados do ponto de vista de big data, de inteligência emocional, das demais fábricas. Isso tudo vai estar integrado com sensores usando a mesma plataforma que usa TI. A mesma analogia a gente poderia fazer com telecomunicações, só que essa está sempre ali na vanguarda, porque monetizar telecomunicações hoje vai muito além da chamada e do acesso ao dado. Quando a gente imagina que todas as redes numa área de telecomunicações podem ser virtualizadas utilizando a mesma plataforma tecnológica que eu uso para processar o ERP, com uma camada de software diferenciada, abre um universo enorme, que nós também antes não entrávamos.

Então são alguns distintos segmentos de mercado que a gente passa a atuar hoje de forma muito relevante porque são mercados que estão passando por essa transformação, mas usando essa visão de modernização, transformação, automação da sua infraestrutura. E não ter coisas que são isoladas, únicas, locked ou com propriedade intelectual única que não se comunica com o resto.

Tem algum projeto de relevo?

Luís Gonçalves: Em IoT o que a gente mais tem hoje é clientes buscando a Dell para desenvolver soluções porque essa é uma indústria nascente. Então precisa desenvolver devices, as aplicações, porque elas vão acontecer. Hoje já temos a plataforma de desenvolvimento, a infraestrutura física, e estão nascendo as empresas no Brasil na área de segurança, logística, transporte, agricultura, utilities. Se pensar nas utilities, o suprimento de água, luz, gás, existe muita perda, muito desperdício. Os sensores e a inteligência por trás disso vão permitir você tornar tudo muito mais eficiente. Na área de transporte, logística, seguro, saúde.

Você vê as incubadoras ali que hoje estão sendo patrocinadas por grandes empresas voltadas para desenvolver IoT. Nós estamos apoiando todos eles. Projetos já implementados são poucos, porque estão nascendo, agora big data não, já tem um monte de projetos acontecendo no Brasil. Porque realmente as empresas já descobriram o poder de monetizar um investimento em big data.

A Dell EMC Brasil vai crescer? 

Carlos Cunha: Estamos trabalhando para isso.

Luís Gonçalves: É para isso que nos pagam.


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